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Carlos Ignacio Pinto
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| O que pretendo ressaltar neste trabalho
é a proposta de análise da História a partir de Hegel.
A forma como ele a pensa e a associa a Filosofia, aquilo que percebe como
razão, caracterizando o processo lógico, a qual a submete,
não se tratando contudo de um método científico, porém
de um raciocínio filosófico.
Hegel promove a aproximação da filosofia com a História não no intuito de abordá-la através de conceitos ou concepções pré estabelecidas, mas na medida em que questiona a compreensão inerte que se tem da História em sua contemporânedade "...trata-a (a Filosofia com relação a História) como um material, não a deixa como a é, mas organiza-a segundo o pensamento, constrói a priori uma História." |
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Mas de que forma para Hegel esta construção deve ser pensada ?
Através do movimento do Raciocínio dialético que desenvolve-se da seguinte forma:
As instituições humanas, bem como o homem, constituem produtos históricos do seu tempo. O texto que analisamos permite nos dizer que para o autor o motor da História é a razão humana, que determina o caminho do homem em direção a liberdade. A liberdade como a razão são historicamente postos, ou seja, liberdade é a capacidade que o homem tem de decidir.
O texto inteiro é permeado por esta dualidade que aqui podemos ver presente. Indivíduo e Mundo, Universo. Não trata-se para o autor de dados de diferentes análises, mas a complementação de uma mesma forma ou entendimento. Como admite a particularidade do indivíduo, bem como das sociedades, mas um caráter comum a todos: a busca da realização destas sociedades. Identifica a particularidade sob a forma daquilo que classifica como "paixão" que não permite a inércia dos indivíduos, na sociedade em que estão inseridos.
"Tudo o que pode ingressar no ânimo do homem e despertar o seu interesse, todo o sentimento do bem, do belo e do grande se vê solicitado: por toda a parte se concebem e perseguem fins que reconhecemos, cuja realização desejamos; por ele esperamos e tememos."
Trabalhar na produção histórica é difícil e complexo e, se de acordo com a dialética hegeliana, acrescenta-se maiores dificuldades. O raciocínio parte das determinações do ser. Como o ser se constitui e como se transforma, a partir das determinações que apresenta em sua constituição particular. O raciocínio vai recriar sua trajetória (caminho). A união da reflexão sobre o ser com a dialética do ser origina o conceito.
"O verdadeiro não reside na superfície do sensível; em tudo o que singularmente deve ser científico a razão não pode dormir, e há que se empregar a reflexão."
Esta dinâmica ou movimento da História servia como uma profunda crítica a escola clássica alemã que com a descrição dos fatos e sua ordenação cronológica faziam da História o domínio do imutável. Um fato ligado a outro fato determinado em uma espécie de linearidade temporal, aparentemente tornava a História eterna, perfeita e incapaz de ser tocada.
"...não devemos deixar-nos seduzir pelos historiadores de ofício; com efeito, pelo menos entre os historiadores alemães, inclusive os que possuem grande autoridade e se ufanam do chamado estudo das fontes, há os que fazem aquilo que censuram aos filósofos, a saber, fazem na História ficções apriorísticas ."
A violência e as profundas modificações ocasionadas pela Revolução Francesa demonstram que a História real não era tão imutável quanto pretendiam os historiadores clássicos. A queda do absolutismo teve seus desdobramentos teóricos e Hegel percebeu as profundas mudanças que estavam ocorrendo no mundo. Se de um lado a produção com a Revolução Industrial criou uma produção e um tipo de sociedade atípicas a sua contemporânedade, a Revolução Francesa apontou para as transformações sociais e políticas.
Hegel na Ciência da Lógica
propôs um raciocínio filosófico novo, a dialética.
A dialética utilizada na Filosofia do Direito na explicação
do Estado e da Sociedade, demonstrou o movimento da História na
transformação das instituições e da cultura
humana. Nas determinações da Dialética a sociedade
civil burguesa e o Estado constitucional ganham a perspectiva do tempo.
A reflexão hegeliana acabava por identificar-se com a do novo modo
de produção. Concebeu a História na dinâmica
de suas sociedades, reconhecendo as particularidades de cada uma, tornando-as
parte de todo um complexo.
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Foi percursor e polêmico. Em seu
rastro, muitos outros historiadores que mesmo na intenção
de criticá-los, reconheciam a sua inovação. Foi único,
e pensou a História como nenhum outro até aquele momento.
"...na História universal, o mais nobre e o mais belo é sacrificado no seu altar. A razão não pode quedar-se no facto de indivíduos singulares terem sido lesados, os fins particulares perdem-se no universal. A razão vê no nascer e no perecer a obra que brotou do trabalho universal do gênero humano, uma obra que existe efectivamente no mundo a que pertencemos." |