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Março - Abril / 2002 |
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Editorial
Esta edição
de Klepsidra tem uma importância muito especial para todos nós
que a escrevemos. Depois de seis meses, finalmente colocamos uma nova edição
da revista no ar, fato que nos incomodou bastante. Foram inúmeros
os problemas que levaram-nos a atrasar em tanto tempo a publicação,
das mais diversas ordens, e os quais esperamos que não se repitam.
Mas, o principal fator que nos leva a crer nesta edição como algo realmente diferente foi a elaboração da Reportagem de Capa. A confecção de tal texto é fruto de um amadurecimento dentro da revista, sendo que passamos a defender abertamente algo tão criticado na historiografia, a História do Tempo Presente. Se antes esta metodologia merecia "apenas" um texto por edição, desta vez a colocamos na Capa.
Escrever tal texto, apesar do que pode aparentar de fora, foi algo muito complicado. Desde levantar o histórico do conflito até reunir dados e leituras suficientes para conseguir escrever um texto crítico e coerente, tivemos que garimpar muito material e discutir bastante. Torcemos para que a leitura de tal texto seja do interesse de nosso visitante, e que possa instigar questionamentos e pensamentos a respeito de tais assuntos. Não desejamos que abracem cegamente nossas idéias, mas somente que as compreendam e as discutam. Diálogo é um artigo fora de moda atualmente.
Por fim, agradecemos às colaborações de três pessoas que ainda não tinham contribuído para a Revista, mas que fizeram isto com muita qualidade, mantendo a nossa proposta de sempre publicar textos de pessoas fora do núcleo central, com as mais diversas temáticas. Julia Galli O'Donnell, Renata Pedroso Araujo e Tobias Vilhenas de Moraes, Klepsidra agradece sua contribuição e seu apoio.
Reportagem de Capa/História do Tempo Presente
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Em
uma reportagem especial, três integrantes da revista (Carlos
Ignacio Pinto, Danilo José Figueiredo e Gabriel Passetti) trabalham
com a questão dos atentados de 11 de Setembro como um marco para
a História do Tempo Presente.
Leia o contexto mundial e o contexto islâmico pré-atentados, relembre dos fatos propriamente ditos, veja a questão de bem contra mal, o medo da guerra biológica, a visão da imprensa brasileira, a política externa suicida de Bush e sua visão "Far West" de Bin Laden, a batalha entre as Jihads Muçulmana e Americana, a possível união do Bloco Islâmico e, por fim, divirta-se com tudo o que circulou na internet sobre este período. CLIQUE AQUI |
História do Brasil
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Aspectos
da fase sanatorial em São José dos Campos (1930-1950)
(...) Desta forma ao lado da busca improvável da cura do corpo as Pequenas Missionárias procuram levar aos enfermos – provenientes principalmente de cidades paulistas e do Rio de Janeiro- o ‘consolo e a ‘paz’ das palavras de Cristo. A sede de evangelização dos enfermos seria então o motor que impulsionava o trabalho delas. " Diante de um mal desconhecido, o terror é imenso. O único recurso é o sobrenatural", bem lembra Duby (...) |
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Ser
mãe na Colônia: a condição da mulher sob o aspecto
da maternidade irregular (Séc. XVII-XVIII)
A história da maternidade resultante da sedução de mulheres sós, de estupros e de relações sexuais pré-matrimoniais seguidas seguidas de fuga de noivo, sendo essas mulheres transformassem mães solteiras, é um ponto importante para a compreensão da condição da mulher no campo materno. As frustrações, a humilhação advinda do abandono do companheiro, as angustias da gestação terminavam por constituir uma boa oportunidade para que a Igreja pudesse vender a idéia das vantagens do casamento. E muitas dessas mulheres correspondiam ao desejo do matrimônio, pois este era considerado como sinônimo de sonhada segurança e estabilidade econômica e moral. |
Teoria da História
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O
pensamento hegeliano
Hegel promove a aproximação da filosofia com a História não no intuito de abordá-la através de conceitos ou concepções pré estabelecidas, mas na medida em que questiona a compreensão inerte que se tem da História em sua contemporânedade "...trata-a (a Filosofia com relação a História) como um material, não a deixa como a é, mas organiza-a segundo o pensamento, constrói a priori uma História." |
História do Tempo Presente
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Milosevic:
um
certo ponto de vista
(...) Slobodan Milosevic é, com certeza, um monstro do gabarito de um Hitler, apenas com um currículo menos recheado de atrocidades. No entanto, assim como o outro, não é o único. A História, ao longo dos séculos, está cheia de justificativas para o certo e o errado, o que é certo para uns, se praticado por outros é errado (...). Mas será que George W. Bush será condenado por bombardear hospitais e escolas no Afeganistão à procura de supostas bases militares escondidas, tudo isso por medo de enviar seus soldados por terra e, perdendo Americanos, cair na cotação da opinião pública? (...) |
Resenhas
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BURKE,
Peter: "A escrita da História"
O livro "A Escrita da História", de Peter Burke, publicado originalmente em 1991, discute as mudanças ocorridas na historiografia a partir do surgimento da corrente chamada Nova História. Para isso, vários novos temas da história, entre eles, a história das mulheres, o renascimento da narrativa, a história oral etc., merecem capítulos especiais. Os modos de escrever a História são o ponto central da obra. O autor, tentando definir a História Nova, observa que a mesma se originou associada à Escola de Annales e que, além de lutar por uma história total, opõe-se totalmente ao paradigma tradicional da historiografia. (...) |
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MAXWELL,
Kenneth: "A Devassa da Devassa"
"Delinear a ampla interação de Brasil e Portugal na segunda metade do século XVIII" (MAXWELL, p. 13) é, segundo Kenneth Maxwell, o objeto do seu "A Devassa da Devassa – A Inconfidência Mineira: Brasil e Portugal 1750 – 1808". Lançado em 1973 na Inglaterra - país natal do autor - com o título original de "Conflicts and Conspiracies: Brasil & Portugal 1750 – 1808", o livro chega aos 500 anos do Brasil na sua terceira edição, e com o status de leitura obrigatória sobre o período. Resultado de uma minuciosa pesquisa, que se faz presente na constante exposição de dados quantitativos, "A devassa da devassa" em nenhum momento corre o risco de ser mais um livro sobre a Inconfidência Mineira. |