11 DE SETEMBRO DE 2001
UM MARCO PARA A
HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE


Carlos Ignacio Pinto,
Danilo José Figueiredo e Gabriel Passetti

 
Preâmbulo - Políticas Neo-
Imperialistas
Preâmbulo Islâmico
Os Atentados
A visão de Bem e de Mal
O Medo da Guerra Biológica
A visão da imprensa brasileira: parcialidade ou burrice?
O mundo depois dos atentados:
1- A política externa de Bush: Nero e a visão "Far West" de Bin Laden
O mundo depois dos atentados:
2- Jihad Muçulmana x Jihad Americana
O mundo depois dos atentados:
3- A possível União do Bloco Islâmico
A repercussão na internet

8 – O Mundo depois dos Atentados:

8.1 – A política externa de Bush. Nero e a visão "Far West" de Bin Laden:
George W. Bush, "o homem mais importante do planeta", como adoram dizer, é filho do ex-presidente americano George Bush, que precedeu Bill Clinton na Casa Branca.

Antes de se tornar presidente americano pelo Partido Republicano, foi Governador do Texas. Sua vitória sobre o vice de Clinton, Al Gore, aconteceu no meio de uma confusão político-eleitoral que deixou a opinião pública internacional atônita.


A bandeira americana tremula nos escombros do WTC: é o sinal
para a caçada aos bárbaros
Devido ao confuso sistema eleitoral dos EUA, via colégio eleitoral, Bush "Júnior" se tornou presidente conquistando menos votos do que seu rival democrata. Coisas "da maior democracia do mundo".

Os candidatos republicanos tem uma tradição de serem financiados por empresas "sujas", como as de armas, as madeireiras, as siderúrgicas e as tabagistas. Esse ponto pode ser um começo para entendermos ao menos superficialmente o que Bush fez a partir do momento em que entrou na Casa Branca.


Bombeiros, policiais, voluntários e vítimas:
personagens da justificativa da guerra



A frota americana que "cuida" do Pacífico e do
Japão logo foi mobilizada e enviada em peso
para o Oceano Índico, nas proximidades do
Paquistão


O porta-aviões USS Carl Vinson, um dos maiores
da Marinha Americana, também foi deslocado


Bombardeiros B-1B sobrevoam o Afeganistão,
momentos antes de atacar as posições
do Talebã e da Al Qaeda

Assim que assumiu o cargo, o novo presidente norte-americano passou a lutar pela implementação de uma de suas propostas mais polêmicas: o escudo anti-mísseis denominado "Guerra nas Estrelas".

Tal escudo contraria os tratados internacionais assinados por EUA e URSS durante a Guerra Fria com a intenção de combater a corrida armamentista. Com o fim da "ameaça comunista", a indústria bélica americana perdeu milhões (ou bilhões) de dólares, e agora inventou uma nova ameaça: os países recentemente identificados como "Eixo do Mal" (Irã, Iraque, Coréia do Norte, China, etc). Depois dos atentados de 11 de setembro esta proposta ganhou ainda mais força no Congresso Americano.

Com o rompimento deste acordo, Bush carrega junto uma nova visão sobre as armas nucleares ou de destruição em massa. Durante o pós-guerra e a Guerra Fria, as duas super-potências criaram arsenais nucleares capazes de destruir inúmeras vezes a Terra. Assim, tais armas passaram a ser utilizadas não para o ataque, mas sim para a defesa. É exatamente o que significa o termo "Guerra Fria": corrida armamentista que impede uma guerra direta, que exterminaria em instantes os dois lados e também a vida do planeta.

Então, com o final da URSS e consequentemente da Guerra Fria, os EUA ficaram com um enorme arsenal sem grandes utilidades em mãos. Começaram um programa de eliminação destas armas em conjunto com a falida Rússia e ex-repúblicas soviéticas. Mas, agora Bush mostra sua nova utilidade para as armas: o ataque. Eliminação em massa de adversários "do mal". Hiroshima e Nagasaki elevadas à milésima potência Quem ganharia com isso? Ou melhor, alguém ganharia com isso?

Vamos continuar com a retrospectiva Bush... Então, além de ajudar à indústria armamentista, ele resolveu colaborar com aquelas grandes destruidoras do meio ambiente (entre elas as madeireiras, as siderúrgicas, as petroquímicas, a automobilística, e por ai vai) negando-se a assinar o Protocolo de Kyoto. Com este projeto, busca-se igualar ainda na primeira década do século XXI os níveis de emissão de poluentes de 1991, sendo que os países mais industrializados deveriam diminuir mais do que aqueles "em desenvolvimento". Enquanto a Europa fez sua lição de casa, Clinton esteve mais preocupado com Monica Lewinsky e agora Bush descartou de vez sua assinatura.

O leitor deve estar se perguntando o que todo este blá-blá-blá tem a ver com a tal "visão far west de Bin Laden" que coloquei no título. Aqueles que leram o texto com atenção perceberam três pontos fundamentais a serem utilizados para a construção deste "mito" Laden: a mentalidade do interior americano (governador do Texas...), o financiamento da indústria bélica e a mentalidade de resolver tudo "em duelos".
 

Osama Bin Laden, procurado vivo ou morto


Mulheres nas ruas de Candahar com a "burca"

Juntando os três elementos, temos a visão que Bush criou de Bin Laden depois dos atentados. Faltou somente o cartaz com a inscrição de "PROCURADO, VIVO OU MORTO", porque a recompensa de US$50mi já foi estipulada e divulgada em todo o mundo muçulmano.

A partir desta visão, foi necessária a adaptação de Bin Laden, Afeganistão, Al Qaeda e muçulmanos em geral ao mito norte-americano do "Far West" ou do "Wilderness". É neste momento em que entra a mídia mostrando hora a hora a cultura estranha e selvagem daqueles assassinos, seus costumes "medievais" e seus líderes "doidos".

Mostrando os homens que não podem fazer a barba, as mulheres que não podem sair à rua sem a "burca", os "julgamentos", está todo o pano de fundo criado para a opinião pública americana reconhecer naqueles estranhos o que já viram antes em índios, russos, coreanos, vietcongues, iraquianos, colombianos, cubanos, etc: o bárbaro invasor.

E diante do bárbaro, qual é a saída "racional" para a civilização? Usar a cavalaria, é óbvio. Foi assim que sempre (sempre?) venceram o selvagem, o bárbaro e o estranho. Então, juntam milhares de soldados, centenas de aviões e de mísseis Tomahawk, dezenas de navios, e o cenários está feito. 

Vencida a barbárie, basta mostrarmos como a civilização, tão castigada naquele local, pode finalmente se acomodar (seja em um tumulto na fila do cinema, um homem cortando a barba ou uma mulher com o rosto à mostra).

Todas as atrocidades cometidas pelos talebãs frente aos afegãos, foram então juntadas e transformadas em um evento único de uma ditadura sem apoio popular, que se não fosse a cavalaria americana continuaria lá, impedindo a civilização. É esta a transposição de um mito para o presente, com as mais variadas finalidades.

Não consigo dizer se Bush é muito esperto ou muito burro. Ou ele sabe muito bem o que está fazendo, tem consciência de suas conseqüências e acha tudo isso certo, ou então ele é um tremendo de um banana que joga bilhões de dólares nas mãos de seus financiadores.

Como não poderia deixar de ser, já surgiu o primeiro escândalo, envolvendo os maiores escalões (vice-presidência) do governo e o rombo e roubo dos fundos da maior empresa de energia dos EUA, a Enron, que tinha intensos vínculos com o governo e a política energética daquele país.
 


Centenas de afegãos aglomeram-se na frente do
cinema no dia em que este foi reaberto, depois
de anos fechado pela censura talebã


Afegão corta a barba de anos, imposição talebã

Quando os EUA estavam sob o governo democrata, podíamos dizer que eram realmente a encarnação da tão falada "política neo-liberal". Mas, agora com Bush ficamos com aquela impressão de que Nero está passeando por Roma. Até levantando barreiras comerciais em momentos de discussão de ALCA ele está... Vai entender! Ou melhor, ele está sendo bem fiel às siderúrgicas.
Geoge "Nero" W. Bush vêm se mostrando Governador do Texas. Lida com a questão ecológica tão bem quanto um incendiário em um palheiro, trata a política internacional como duelos de bang-bang e ainda espalha cartazes de "procura-se vivo ou morto". Agora, ele começa a jogar o querosene em Roma, ao questionar o livre-comércio, a relação com Israel e ao negar-se a comentar o caso Enron. Onde dará isso? Espero que não inventem uma nova guerra, além da atual. Ou melhor, espero que não ampliem a atual guerra ao Iraque... Afinal, isso é exatamente o que muita gente está querendo.
Tanque (soviético) da Aliança do Norte, os mais
recentes "aliados" dos EUA, entra em Cabul
em clima de festa. É o fim dos talebãs. E o
começo da era da "Aliança". Até quando?

 

Gabriel Passetti
 

Continuação --->




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11 de Setembro, de
Noam Chomsky
11 de Setembro, uma
terrível farsa
, de
Thierry Meyssan
The lies of George W.
Bush
, de David Corn
Stupid white men - uma
nação de idiotas
, de
Michael Moore