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UM MARCO PARA A HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE
Carlos Ignacio Pinto,
Danilo José Figueiredo e Gabriel Passetti |
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Imperialistas |
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1- A política externa de Bush: Nero e a visão "Far West" de Bin Laden |
2- Jihad Muçulmana x Jihad Americana |
3- A possível União do Bloco Islâmico |
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8 – O Mundo depois dos Atentados:
8.1 – A política externa de Bush. Nero e a visão "Far West" de Bin Laden:
| George W. Bush, "o homem mais importante
do planeta", como adoram dizer, é filho do ex-presidente americano
George Bush, que precedeu Bill Clinton na Casa Branca.
Antes de se tornar presidente americano pelo Partido Republicano, foi Governador do Texas. Sua vitória sobre o vice de Clinton, Al Gore, aconteceu no meio de uma confusão político-eleitoral que deixou a opinião pública internacional atônita. |
A bandeira americana tremula nos escombros do WTC: é o sinal para a caçada aos bárbaros |
| Devido ao confuso sistema eleitoral dos
EUA, via colégio eleitoral, Bush "Júnior" se tornou presidente
conquistando menos votos do que seu rival democrata. Coisas "da maior democracia
do mundo".
Os candidatos republicanos tem uma tradição de serem financiados por empresas "sujas", como as de armas, as madeireiras, as siderúrgicas e as tabagistas. Esse ponto pode ser um começo para entendermos ao menos superficialmente o que Bush fez a partir do momento em que entrou na Casa Branca. |
Bombeiros, policiais, voluntários e vítimas: personagens da justificativa da guerra |
A frota americana que "cuida" do Pacífico e do Japão logo foi mobilizada e enviada em peso para o Oceano Índico, nas proximidades do Paquistão
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Assim que assumiu o cargo, o novo presidente
norte-americano passou a lutar pela implementação de uma
de suas propostas mais polêmicas: o escudo anti-mísseis denominado
"Guerra nas Estrelas".
Tal escudo contraria os tratados internacionais assinados por EUA e URSS durante a Guerra Fria com a intenção de combater a corrida armamentista. Com o fim da "ameaça comunista", a indústria bélica americana perdeu milhões (ou bilhões) de dólares, e agora inventou uma nova ameaça: os países recentemente identificados como "Eixo do Mal" (Irã, Iraque, Coréia do Norte, China, etc). Depois dos atentados de 11 de setembro esta proposta ganhou ainda mais força no Congresso Americano. Com o rompimento deste acordo, Bush carrega junto uma nova visão sobre as armas nucleares ou de destruição em massa. Durante o pós-guerra e a Guerra Fria, as duas super-potências criaram arsenais nucleares capazes de destruir inúmeras vezes a Terra. Assim, tais armas passaram a ser utilizadas não para o ataque, mas sim para a defesa. É exatamente o que significa o termo "Guerra Fria": corrida armamentista que impede uma guerra direta, que exterminaria em instantes os dois lados e também a vida do planeta. Então, com o final da URSS e consequentemente da Guerra Fria, os EUA ficaram com um enorme arsenal sem grandes utilidades em mãos. Começaram um programa de eliminação destas armas em conjunto com a falida Rússia e ex-repúblicas soviéticas. Mas, agora Bush mostra sua nova utilidade para as armas: o ataque. Eliminação em massa de adversários "do mal". Hiroshima e Nagasaki elevadas à milésima potência Quem ganharia com isso? Ou melhor, alguém ganharia com isso? Vamos continuar com a retrospectiva Bush... Então, além de ajudar à indústria armamentista, ele resolveu colaborar com aquelas grandes destruidoras do meio ambiente (entre elas as madeireiras, as siderúrgicas, as petroquímicas, a automobilística, e por ai vai) negando-se a assinar o Protocolo de Kyoto. Com este projeto, busca-se igualar ainda na primeira década do século XXI os níveis de emissão de poluentes de 1991, sendo que os países mais industrializados deveriam diminuir mais do que aqueles "em desenvolvimento". Enquanto a Europa fez sua lição de casa, Clinton esteve mais preocupado com Monica Lewinsky e agora Bush descartou de vez sua assinatura. |
O leitor deve estar se perguntando o que
todo este blá-blá-blá tem a ver com a tal "visão
far west de Bin Laden" que coloquei no título. Aqueles que leram
o texto com atenção perceberam três pontos fundamentais
a serem utilizados para a construção deste "mito" Laden:
a mentalidade do interior americano (governador do Texas...), o financiamento
da indústria bélica e a mentalidade de resolver tudo "em
duelos".
Osama Bin Laden, procurado vivo ou morto
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Juntando os três elementos, temos
a visão que Bush criou de Bin Laden depois dos atentados. Faltou
somente o cartaz com a inscrição de "PROCURADO, VIVO OU MORTO",
porque a recompensa de US$50mi já foi estipulada e divulgada em
todo o mundo muçulmano.
A partir desta visão, foi necessária a adaptação de Bin Laden, Afeganistão, Al Qaeda e muçulmanos em geral ao mito norte-americano do "Far West" ou do "Wilderness". É neste momento em que entra a mídia mostrando hora a hora a cultura estranha e selvagem daqueles assassinos, seus costumes "medievais" e seus líderes "doidos". Mostrando os homens que não podem fazer a barba, as mulheres que não podem sair à rua sem a "burca", os "julgamentos", está todo o pano de fundo criado para a opinião pública americana reconhecer naqueles estranhos o que já viram antes em índios, russos, coreanos, vietcongues, iraquianos, colombianos, cubanos, etc: o bárbaro invasor. E diante do bárbaro, qual é a saída "racional" para a civilização? Usar a cavalaria, é óbvio. Foi assim que sempre (sempre?) venceram o selvagem, o bárbaro e o estranho. Então, juntam milhares de soldados, centenas de aviões e de mísseis Tomahawk, dezenas de navios, e o cenários está feito. |
| Vencida a barbárie, basta mostrarmos
como a civilização, tão castigada naquele local, pode
finalmente se acomodar (seja em um tumulto na fila do cinema, um homem
cortando a barba ou uma mulher com o rosto à mostra).
Todas as atrocidades cometidas pelos talebãs frente aos afegãos, foram então juntadas e transformadas em um evento único de uma ditadura sem apoio popular, que se não fosse a cavalaria americana continuaria lá, impedindo a civilização. É esta a transposição de um mito para o presente, com as mais variadas finalidades. Não consigo dizer se Bush é muito esperto ou muito burro. Ou ele sabe muito bem o que está fazendo, tem consciência de suas conseqüências e acha tudo isso certo, ou então ele é um tremendo de um banana que joga bilhões de dólares nas mãos de seus financiadores. Como não poderia deixar de ser,
já surgiu o primeiro escândalo, envolvendo os maiores escalões
(vice-presidência) do governo e o rombo e roubo dos fundos da maior
empresa de energia dos EUA, a Enron, que tinha intensos vínculos
com o governo e a política energética daquele país.
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Centenas de afegãos aglomeram-se na frente do cinema no dia em que este foi reaberto, depois de anos fechado pela censura talebã
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| Geoge "Nero" W. Bush vêm se mostrando Governador do Texas. Lida com a questão ecológica tão bem quanto um incendiário em um palheiro, trata a política internacional como duelos de bang-bang e ainda espalha cartazes de "procura-se vivo ou morto". Agora, ele começa a jogar o querosene em Roma, ao questionar o livre-comércio, a relação com Israel e ao negar-se a comentar o caso Enron. Onde dará isso? Espero que não inventem uma nova guerra, além da atual. Ou melhor, espero que não ampliem a atual guerra ao Iraque... Afinal, isso é exatamente o que muita gente está querendo. |
recentes "aliados" dos EUA, entra em Cabul em clima de festa. É o fim dos talebãs. E o começo da era da "Aliança". Até quando? |
Gabriel Passetti
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| 11 de Setembro, de Noam Chomsky |
11 de Setembro, uma terrível farsa, de Thierry Meyssan |
The lies of George W. Bush, de David Corn |
Stupid white men - uma nação de idiotas, de Michael Moore |