|
USP, FFLCH e O ESTADO DE
S. PAULO
Gabriel
Passetti
passetti@klepsidra.net Quarto Ano - História/USP download - greve.doc - 150KB download - estadao.doc - 376KB (anexos) |
O jornal como fonte documental
Este
trabalho tem como fonte documental as matérias, editoriais e notas
publicadas no jornal O Estado de S. Paulo (OESP) durante 29
de abril e 21 de agosto de 2002, além do decreto de criação
da USP, de 1934. De todo o conteúdo publicado no jornal, foram selecionados
aqueles textos que se relacionavam à greve ou à Educação
Superior, e todos se encontram no anexo.
| Utilizar O Estado de S.
Paulo como fonte jornalística para a greve não é
o mesmo que usar qualquer outro jornal ou revista brasileiro. |
Este periódico tem uma relação especial com a Universidade de São Paulo e com a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, tema que será mais profundamente discutido no decorrer do presente trabalho.
O mesmo jornal é base de dois livros utilizados como fonte bibliográfica para este estudo, devido ao seu caráter diferenciado no período que vai até os anos 30 do Século passado, quando a imprensa burguesa paulista estava dividida entre jornais que apoiavam a um partido ou ao outro (PRP ou PD), e à sua atuação em movimentos como as Revoluções de 1930 e 1932.
Apesar dos estreitos vínculos pessoais e ideológicos
com o grupo do Partido Democrático (PD), OESP não
permitiu ser transformado em órgão oficial do partido, o que
oferecia ao jornal um status de independência política que escondia
seus interesses e projetos políticos para o Estado e para o Brasil.
Estes projetos estavam bem delimitados e regeram a atuação política
deste grupo em momentos como as Revoluções de 1930 e 1932 e
o movimento pela criação da USP em 1934, além de inúmeros
outros no decorrer da História Brasileira. A pergunta que levantamos,
é: a forma como o Estadão acompanhou a greve
estudantil na FFLCH-USP em 2002 reflete mais uma vez esta ideologia e influência
dos anos 20 e 30 já tão longamente trabalhada pela historiografia?
Os dois livros lidos a respeito da atuação de O Estado de S. Paulo na década de 30, que buscam em seus editoriais a origem do seu "Projeto" são do final da década de 1970 e começo dos anos 80, época em que o estudo da História a partir dos jornais ganhou força no Brasil.
A leitura destes trabalhos evidencia o papel subjetivo da fonte de imprensa, com sua ideologia implícita: "Os jornais não são vistos como fontes objetivas de verdade histórica, mas como esclarecedores de parte dessa verdade, exatamente através da subjetividade implícita num órgão de imprensa não meramente informativa e sim formativa de opinião" [2].
A grande imprensa tem um papel fundamental na formação de opiniões, expressando os projetos político-ideológicos da elite para o país. Procurando sedimentar tais idéias dentro da sociedade, transformando seus interesses em interesses gerais, criando uma ideologia própria, a oligarquia e a grande imprensa acabam utilizando dos mais diversos meios para isso, dos diretos aos indiretos.
Maria Helena Capelato e Maria Lígia Prado, em "O Bravo Matutino", afirmam que: "Os representantes do jornal [OESP] faziam-no apenas com o intuito de reforçar e justificar sua posição frente à política vigente, pois, a rigor, compreendiam-na como algo que 'prepara-se, manipula-se, seduz-se, atrai-se, cria-se', e acreditavam ainda que o instrumento mais aperfeiçoado para formá-la [a opinião pública] é a imprensa (28-4-1929). Essa afirmativa evidencia claramente a posição de doutrinadores, de formadores e modeladores da 'opinião pública' em que se colocavam esses liberais" [3]. Desta forma, "a leitura dos discursos expressos nos jornais permite acompanhar o movimento das idéias que circulam na época. A análise do ideário e da prática política dos representantes da imprensa revela a complexidade da luta social" [4].
Ou seja, a bibliografia pesquisada evidenciou que a grande imprensa, e mais especificamente OESP explicita sua ideologia e seu projeto a partir do que publica. Tanto os editoriais, quanto as matérias e as disposições destas no jornal são fundamentais para a compreensão de o que aquele jornal e seu grupo social pensam a respeito de um determinado assunto. A análise de OESP na greve de 2002 recorrerá, então, tanto aos editoriais quanto às matérias publicadas, assim como a algumas "coincidências" na editoração sobre o tema da educação e da greve no diário dentro de uma mesma edição.
[1]
CAPELATO, Maria Helena - Imprensa e História do Brasil, p. 13.
[2] BORGES, Vavy Pacheco - Getúlio Vargas e a oligarquia paulista, p. 14.
[3] CAPELATO, Maria Helena & PRADO, Maria Lígia - O Bravo Matutino, p. 94.
[4] CAPELATO, Maria Helena - Imprensa e História do Brasil, p. 34