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Uma dama nos trópicos Gilmar
Moreira Gonçalves
gilmarmg@uai.com.br Professor e pesquisador da FAFIC, Cataguases-MG download - leopoldina.doc - 58KB |
| Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro,
11 de dezembro de 1826, uma jovem senhora de 29 anos, em meio a febre e delírios
se despede da vida. Morria chorando o amor que outra mulher lhe roubara.
“O meu Pedro, o meu querido Pedro”. Eram os últimos momentos de D. Leopoldina,
primeira imperatriz do Brasil. Figura sempre esquecida pela maior parte dos
historiadores que quase não fazem menção a sua participação no momento de
emancipação política brasileiro. Mulher de educação esmerada, à frente de
seu tempo. Interessava-se especialmente por botânica e mineralogia. Sua delicadeza
e o fino trato com as pessoas fizeram dessa mulher uma das personagens mais
queridas do Brasil no início do século XIX. |
Leopoldina e seu filho Pedro II
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D. João e Carlota
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Embora ainda permanecesse solteira e
fosse a filha predileta de Francisco I, Leopoldina tinha a noção de que um
dia cumpriria o dever de qualquer princesa da época, fazer um casamento dinástico,
conforme o interesse do Estado. No final de 1816, começaram as negociações
de seu casamento com o príncipe herdeiro do trono português Pedro de Alcântara
Francisco Antônio João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José
Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Filho de D. João
VI (1767-1826) e Carlota Joaquina de Bourbon(1775-1830). Pedro nasceu em
Portugal no dia 12 de outubro de 1798, mudou-se com a família real para o
Brasil, em 1808, aos 9 anos de idade. |
| Mas o embaixador português Marquês de
Marialva, que era encarregado de fazer as negociações do casamento, abafou
os boatos junto ao imperador da Áustria e, numa grande cartada, presenteou
a princesa com um medalhão contendo uma imagem de D. Pedro preso a um colar
de diamantes. Encantada
com a imagem, a princesa o comparou a Adonis, um deus grego; em carta à irmã
Maria Luísa, confessou que já tinha olhado para a imagem mais de mil vezes.
“Era D. Pedro, com seus 19 anos, uma figura impressionante e um homem se
não bonito pelo menos atraente. (...) as feições eram enérgicas, e o bigode
à mosquiteira dava-lhe um ar de incisivo atrevimento, que, de resto, o olhar
vivo mais acentuava”. (LAMEGO, 1939 : 51). |
D. Pedro I
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| Já em relação ao sogro, D. João, apreciavam-se
reciprocamente, por parentesco de alma e de inclinações. Brincando, teria
dito certa vez que, se tivesse tido a escolha entre o rei e seu filho, não
teria vacilado. Em carta a seu pai elogiou a D. João: “Amo e estimo o meu
sogro como a um segundo pai, e acho que ele se parece muito com o Senhor,
caríssimo papai, no que toca à bondade de coração e ao amor ao seu povo” (OBERACKER,
1973 : 132). Os elogios também iam para sua cunhada Maria Teresa de Bragança, filha predileta de D. João. Esta princesa era a pessoa mais simpática e ilustrada da família real; levava uma vida moralmente impecável e tinha pendores que aproximavam de D. Leopoldina. “ Minha cunhada Maria Teresa é uma verdadeira amiga e eu gosto muito dela. Sua amizade e confiança para comigo me lembram a minha situação feliz na minha cara pátria”( IBIDEM). |
D. Joao VI
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| Emancipação Política Após a Revolução do Porto de 1820, o Parlamento Lusitano exige o regresso de D. João VI a Portugal. O Rei regressa em abril de 1821, mas deixa no Brasil seu filho, D. Pedro, como regente. Ao fazê-lo, disse ao filho: “Pedro, se o Brasil se separa, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros"(FRANCO, 1974 : 40). Manifestam-se as intenções de retomada do domínio colonial no Brasil. |
Lisboa exigia o retorno de D. João VI
a Portugal
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José Bonifácio
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Neste ínterim, a Princesa Regente recebeu
notícias que Portugal estava preparando uma ação contra o Brasil e, sem tempo
para aguardar a chegada de D. Pedro, D. Leopoldina, aconselhada pelo Ministro
das Relações Exteriores José Bonifácio e usando de seus atributos de chefe
interina do governo, reuniu-se na manhã de 2 de Setembro de 1822 com o Conselho
de Estado, assinando o decreto da Independência, declarando o Brasil separado
de Portugal. Bonifácio convocou o oficial de sua confiança, Paulo Bregaro,
para levar a sua carta e a de Leopoldina para D. Pedro em São Paulo. A história,
a partir do momento em que Dom Pedro recebe as cartas, é bastante conhecida.
Não teve a gargalhada do quadro de Pedro Américo, pintado em 1888, uma das
imagens da Independência mais divulgadas nos livros escolares. Nem aconteceu
literalmente às margens do riacho Ipiranga, como está no Hino Nacional. O
príncipe bradou o seu célebre grito de Independência ou Morte! no alto da
colina próxima ao riacho, onde sua tropa esperava que ele se aliviasse de
um súbito mal-estar intestinal (LOPES, 1998 : 91). |
| Enquanto se aguardava o retorno de
D. Pedro ao Rio, a Princesa Leopoldina, já como a primeira governante interina
do Brasil Independente, idealizou a bandeira do Brasil. O verde, cor heráldica
da Casa Real Portuguesa de Bragança; o amarelo, cor da Casa Imperial Austríaca
de Habsburgo, com um losango contendo o brasão monárquico, com as armas imperiais
aplicadas representando uma homenagem de D. Pedro I a Napoleão Bonaparte
(SCWARCZ, 1998 : 19) A atitude de D. Leopoldina, defendendo os interesses brasileiros, acha-se eloqüentemente estampada na carta que escreveu a D. Pedro, por ocasião da independência do Brasil. “É preciso que volte com a maior brevidade. Esteja persuadido de que não é só o amor que me faz desejar mais que nunca sua pronta presença, mas sim as circunstâncias em que se acha o amado Brasil. Só a sua presença, muita energia e rigor podem salvá-lo da ruína”(XAVIER, 1991 : 98). |
Brasão do Império do Brasil
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| Muito querida
por seus súditos, Leopoldina ganhou logo a solidariedade das camadas populares.
Ela começava a sofrer as mais insultantes humilhações. Uma delas foi a descarada
nomeação de Domitila para a função de primeira dama da imperatriz, obrigando-a
a conviver com sua rival sob o mesmo teto do Palácio de São Cristóvão (LOPES,
1998 : 88). Cada vez mais deprimida, angustiada e grávida pela nona vez,
Leopoldina acabou abortando. Se o aborto foi provocado por uma agressão verbal
do imperador, se por agressão física, como circulou na cidade, não se sabe.
O fato ocorreu após uma violenta discussão provocada pela recusa da esposa
em comparecer a uma cerimônia de beija-mão, acompanhada apenas pela amante
do imperador, o que eqüivalia a uma aceitação pública do relacionamento escuso. |
A Marquesa de Santos |
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