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A idealização da figura do Imperador
Romano: o debate Agripa-Mecenas na obra de Dion Cássio Ana
Teresa Marques Gonçalves
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Moeda
com a figura de
Séptimo Severo |
Dion Cássio pôde observar a vida política
de sua época a partir de duas posições privilegiadas. Além de participar ativamente
das discussões no Senado, ele integrou o consilium principis dos Imperadores
Septímio Severo, Caracala e Severo Alexandre, como amicus e comes destes
Príncipes (Millar, 1992:110-122 e Crook, 1955:91 e157). Enquanto Herodiano era apenas um funcionário
imperial, que produziu sua obra a partir de um mecenato senatorial, Dion
Cássio pôde custear a produção de seu livro às suas próprias expensas, pois
vinha de uma rica família senatorial, e o produziu possivelmente durante o
reinado de Severo Alexandre, quando se afastou dos negócios públicos para
viver inicialmente em sua propriedade de Cápua e, posteriormente, quando retornou
para sua cidade natal na Bitínia. |
| Atualmente, é senso comum na historiografia
que toda a obra de Dion Cássio está impregnada de reflexões a respeito do
período severiano. Mesmo quando o autor se refere a fatos ocorridos num período
mais afastado de seu tempo histórico, sua atenção está sempre voltada para
o contexto de produção de sua obra. Contudo, a data na qual Dion Cássio teria
produzido especificamente o livro LII ainda é bastante discutida. Por exemplo,
Cesare Letta defende que o debate foi escrito durante o governo de Severo
Alexandre e a ele se referia (Letta, 1979:168), enquanto a maior parte dos
outros autores, como Emilio Gabba (1955:317) e Fergus Millar (1964:104), prefere
crer que o debate foi escrito durante o governo de Caracala e a ele se dirigia.
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Fragmento de moeda do governo de Caracala |
Marco Vipsânio Agripa
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Marco Vipsânio Agripa foi amigo de infância
de Otávio e um dos principais líderes militares na batalha naval de Actium,
quando Otávio venceu Marco Antônio e a esquadra de Cleópatra. Foi um dos
primeiros colaboradores de Otávio no governo, ocupando importantes funções
públicas, como a Censura, o Tribunato e o Consulado por duas vezes, tendo
o próprio Otávio como seu colega. Exerceu muito a sua liberalitas, tendo
promovido várias construções e reconstruções públicas na cidade de Roma,
como, por exemplo, a construção do Panteão, que posteriormente foi reformado
pelos Imperadores Adriano e Septímio Severo. Foi casado com Júlia (em 21
a. C.), filha de Otávio, e indicado como seu sucessor, mas morreu em 12 a.
C., antes do Príncipe. Teve a honra de ter suas cinzas depositadas no Mausoléu
de Augusto. |
| Já Caio Mecenas se dizia descendente
dos reis etruscos e, portanto, um patrício de primeira geração. Pode-se dizer
que se equiparou a Agripa no âmbito civil, ao também ocupar vários cargos
públicos na administração de Roma e da Península Itálica, mas não tinha grandes
talentos militares. Utilizou boa parte de sua fortuna patrocinando inúmeros
poetas como Virgílio, Horácio, Propércio e Vário, que foram responsáveis por
fazerem verdadeiras odes ao novo governante e à nova forma de governo, que
aos poucos ia se delineando. Morreu em 8 a .C., deixando todas as suas propriedades
para Otávio. Sabe-se que pelo menos 1/3 da cidade de Roma pertencia a ele
no momento de sua morte. |
Caio Mecenas
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