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O Estado de Deus: Pensamentos Sobre um País HipotéticoDanilo
José Figueiredo
danilo@klepsidra.net Bacharel em História / USP download - estadodedeus.rtf - 178KB |
12 – Do Fim do Éden:
Depois de passar por cima da
deliberação do Conselho Interno da OEU, Saxet e seus aliados partiram para
Tiawuk e, de lá, invadiram Qari. É verdade que nem tudo saiu com Egroeg
W. Hsub esperava, Yekrut, ao norte de Qari, não só não permitiu que tropas
Saxetanas atravessassem o país, o que impediu que o ataque fosse desferido
contra Maddas Niessuh em duas frentes, como também invadiu ela própria a
região norte de seu vizinho com o intuito de exterminar de uma vez por todas
os Sodruc.
Em todo o Éden as manifestações
pela paz e contra a guerra eram a voz do clamor popular, no entanto, mesmo
assim, alguns governos (como Dnalgne e Ailati, em Aporue, dentre outros no
Éden) manifestaram seu apoio à ofensiva, em detrimento da vontade de sua população.
Aproveitando a onda de ataques
preventivos e o clima de Guerra contra o Terror, vários Estados iniciaram
conflitos há muito embrionários contra seus vizinhos. Foi o caso de Aidni
e Natsikap, na Aisa ed Seocnom, de Anihc e Nawiat, no Oriente e da intensificação
dos conflitos entre Árabes e Judeus em Emanuel, além, é claro, da questão
dos Sodruc contra Yekrut.
Por essa mesma época, descobriu-se
que Aerok possuía a Bomba H e que, uma vez fazendo parte do Grupo do Mal
(assim intitulado pelo Cônsul de Saxet), passava a ameaçar o Éden, segundo
a visão Saxetana.
A Guerra em Qari, ao contrário
das expectativas iniciais, não foi curta e nem sequer fácil de se vencer.
Apesar da imensa superioridade tecnológica de Saxet e de seus aliados, por
desejarem os poços de petróleo de Qari, não podiam arrasar a região com Bombas
H, por isso, tiveram que conquistar Ainolibab rua-a-rua, tarefa que se provou
extremamente árdua.
Apenas no final de 1603, mais
de oito meses após o início do conflito, Saxet saiu vitoriosa. Porém, sua
indústria bélica e o clamor missionário de Egroeg W. Hsub havia transformado
aquela missão numa Guerra Santa e, sendo assim, ela não poderia ser parada;
não antes de Nari também sucumbir.
Nova frente foi aberta, agora,
rumo a Nari, país vizinho de Qari. Os poços de petróleo de Qari, que deveriam
ser o grande botim de Saxet, estavam em chamas e os custos para apagar os
incêndios acabaram não compensando a missão. A reconstrução do país arrasado,
que os membros do Conselho Interno da OEU ainda tentavam que ficasse à cargo
da entidade, foi entregue à empresa do Vice-Cônsul de Saxet, o que, mais ainda,
comprovava a intenção daquele país: recriar o período do Expansionismo.
Saxet, contudo, estava se enfraquecendo
financeiramente devido à Guerra prolongada e esperava que a exploração das
regiões conquistadas fosse reerguer sua economia. Porém, um outro fator de
complicação, surgido em meados de 1603, mas que adquiriu força no início de
1604, a epidemia de Pneumonia Oriental começou a se espalhar pelo Éden. A
princípio, pensou-se se tratar de apenas mais uma doença, contudo, depois
de diversas mortes, Anihc assumiu que a doença se tratava de uma tentativa
de criação de arma que fracassou, por isso, o Éden se tornou ainda mais alarmado.
Dentro de Saxet, era período
de eleições Consulares, no entanto, como o governo Hsub já vinha praticando
perseguições políticas, com milhares de prisões diárias e com entraves nas
carreiras daqueles que se posicionavam publicamente contra o governo, o
Cônsul aproveitou e, devido ao período de guerra, se fez outorgar Cônsul
por mais quatro anos.
No segundo mandato de Hsub,
Aerok finalmente, após tantas ameaças, atacou Otamay. Inicialmente, uma grande
divisão da infantaria daquele país desembarcou na península. Anihc, aproveitando
o embalo, anexou Nawiat a seu território e Saxet, por estar envolvida numa
ferrenha guerra contra Nari, nada pôde fazer para impedir os movimentos no
Oriente.
A esta altura, a OEU já era
apenas uma lembrança, ninguém consultava mais a entidade para obter permissão
para nada, sendo assim, o Éden se tornou outra vez uma terra sem leis.
Quando a divisão de infantaria
de Aerok foi derrotada pela guerrilha urbana de Otamay (que estava proibida
de ter forças armadas desde o fim da II GE), os vencidos, como castigo àqueles
que os venceram, lançaram duas Bombas H sobre a península.
É bom que se note que o poder
das Bombas H do início do século XVII não se comparava ao poderio daquelas
de meados do século XVI, ou seja, as mais modernas eram muito mais destrutivas
e, sendo assim, toda a superfície da península se tornou água e Otamay se
tornou apenas uma lembrança.
Diante desse acontecimento,
Saxet pensou ser necessário dividir suas frentes e atacar Aerok, no entanto,
quando o fez, sofreu uma derrota definitiva em Nari, por volta de 1611, no
terceiro governo de Hsub.
Com a marcha de Saxet visando
a invasão de Aerok, Anihc e Aissur uniram-se para proteger seu vizinho. Saxet,
temendo se envolver em outra guerra demorada e custosa e visando definir
logo a situação e mostrar a todos o seu verdadeiro poder, lançou quatro Bênçãos
Divinas (seu nome para as Bombas H) sobre Aerok. Resultado: não só este
país se tornou água, como também, partes do nordeste de Anihc e do sudeste
de Aissur.
Ambos, agora coligados aos países
Árabes, em 1625, lançaram uma chuva de Bombas H sobre Southland. Seu objetivo
era, destruindo a maior ilha do Éden, mostrar sua superioridade militar.
De fato, o fim de um dos principais
aliados de Saxet fez com que o Éden se assustasse. Por essa época, o poderio
de Saxet já era igual ao de Anihc e ao da União Aporuéia, formada pelos principais
países de Aporue.
Saxet, temendo não poder vencer
o conflito que estava em vias de começar, propôs a assinatura de um tratado
de destruição das armas d’água. Com efeito, sem tais armas os países do Oriente
não fariam frente ao poderio militar de Saxet.
Cientes das intenções obscuras
de Saxet, os países do Oriente, bem como a União Aporuéia recusaram o tratado.
Como justificativa, apresentaram a irrefutável afirmação de que a ex-OSSS
e Saxet haviam assinado tratados semelhantes, no entanto, a primeira cumpriu
sua parte, mas Saxet, não. Além disso, a desculpa do desarmamento total de
Qari ainda não havia sido engolida, afinal, se Saxet exigia que Qari depusesse
todas as suas armas, porque não deu o exemplo ela mesma?
Sem o acordo e diante da ameaça
do revigoramento da Revolução do Povo em Aissur, Saxet riscou do mapa Abuc,
único país da Saxetérica a adotar formalmente as doutrinas da Revolução do
Povo.
A resposta a esse ato veio
rapidamente: os Árabes de Emanuel se retiraram e, em questão de alguns dias,
uma chuva de Bombas H varreu aquela região do mapa.
Os Judeus de Saxet queriam vingança,
mas, como último ato de seu governo, Egroeg W. Hsub, em 1635, assinou a expulsão
daqueles que ele julgava como “Inimigos de Cristo” de seu país. Na verdade,
aquele Cônsul nunca tolerara os Judeus e só os aceitara enquanto seu Estado
lhe servia como escudo. Agora que Emanuel já não mais existia, os Judeus
já não mais interessavam.
Hsub morreu em 1636, de morte
natural e, foi sucedido por uma linhagem de Cônsules fracos e belicistas
que só fizeram destruir a sociedade de Saxet, exaurindo seus recursos para
a construção de armas d’água.
A Guerra já se arrastava há
anos quando, em 1660, Saxet realizou um ato que visava defini-la: despejou
mais de 80% de suas Bênçãos Divinas sobre Aporue, Qari (sobre o qual já não
possuía nenhuma influência desde que o país fora libertado pelos Orientais,
em 1652), Nari, Natsinagefa e Yekrut. O objetivo desses bombardeios era de
dividir o Éden em duas ilhas e tal objetivo foi alcançado. Na verdade, Saxet
sabia que todos os rios do Oriente eram abastecidos pelo Lago do Oriente e,
com esses ataques, Saxet fez com que este lago se mesclasse ao oceano, acabando
com mais de 90% das reservas de água potável de seus inimigos, além de riscar
várias de seus países do mapa.
Percebendo que não dispunham
de nenhuma outra alternativa para vencer a Guerra, os Orientais detonaram
as Bombas H que haviam escondido na Zona Intermediária. Como o Grande Lago
Médio, devido à grande utilização de suas águas, tinha um nível bem abaixo
do nível do mar, a destruição das florestas que o cercavam fez com que o mar
entrasse abruptamente no lago, destruindo as reservas de água doce da região
e fazendo com que um grande maremoto atingisse a costa leste de Saxet, destruindo,
entre outras cidades, Kroywen e Notgnihsaw.
Antes que Saxet pudesse reagir,
tropas Orientais desembarcaram na Saxetérica Atlantina e começaram a avançar
rapidamente rumo ao norte.
Muitos Atlantinos, em especial
aqueles negros habitantes de Itiah, passaram a deixar a terra e rumar para
o mar em embarcações muito obsoletas, as melhores que conseguiam construir
devido aos séculos de isolamento político-econômico que sofreram devido à
discriminação.
Alguns desses navios foram parar
em águas da América Portuguesa e lá, identificados como navios negreiros onde
a “carga” havia se sublevado contra os captores. Nenhum Português conhecia
o idioma daqueles negros, então, em 1666, quando, mais de um ano depois, os
primeiros contatos orais puderam ser realizados, uma expedição ultra-secreta
da marinha Portuguesa foi enviada ao local onde supostamente deveria estar
o Éden. Porém, mesmo após três anos de buscas, nada foi encontrado e, até
os dias de hoje, não se sabe o que aconteceu com aquela ilha do tamanho de
um país onde se desenvolveram diversos Estados, mas, em especial: o Estado
de Deus.
13 – Conclusão:
Agora que o romance já terminou,
gostaria de esclarecer algumas coisas. Primeiramente, gostaria de pedir
desculpas aos meus leitores se acaso a leitura deste texto se lhes provou
enfadonha, confesso que não foi o meu objetivo, no entanto, como sendo uma
de minhas primeiras experiências no ramo da ficção, este texto pode não ter
tido todos os atrativos que a ele creditei. Em segundo lugar, gostaria de
reafirmar que nada tenho, como sempre afirmei, contra nenhum tipo de crença
ou religião, minhas posições sempre foram contra o espírito missionário
de algumas Igrejas e, especialmente, contra o fortalecimento de cleros que,
em adquirindo poder político às custas de seus fiéis, passam a influenciar
as leis e a ética do país em que estão radicados, dessa forma, controlando
as vidas até mesmo daqueles que não lhes são devotados, mas isso, não é
uma opinião minha, afinal, Martinho Lutero (um dos criadores do Protestantismo
que, aliás, é a doutrina religiosa vigente (em se considerando todas as
suas discrepâncias e discordâncias internas) nos EUA e, sendo assim, criticada
aqui) em sua obra “Sobre a Autoridade Secular”, já dizia que os sacerdotes
devem cuidar dos assuntos da religião e os governantes, dos assuntos políticos.
Outro ponto importante a se
levantar nessa conclusão é a discussão sobre a realidade histórica. Na verdade,
não pretendo me alongar muito nessa discussão, pois, por si só, ela já daria
um texto bem grande e denso. No entanto, é bom que se note que hoje a visão
mais aceita da História é a de que ela própria se trata de uma ficção.
A Fenomenologia, doutrina criada
por Husserl, no início do século XX, propõe que os fatos deixam de existir
assim que acabam de acontecer, ou seja, assim que um incêndio num prédio termina,
o fato se extinguiu. Tudo aquilo que se disser, relatar, escrever ou dissertar
sobre aquele incêndio será nada mais do que uma construção e, como tal, inevitavelmente
recheada de parcialidade, já que não somos capazes de sermos imparciais.
Acompanhando-se esse pensamento,
podemos perceber que a História, mesmo a História do Tempo Presente (que
alguns chegam a criticar, dizendo que não seria papel dos Historiadores discutir
os acontecimentos ainda em andamento, ou seja, que ainda não se definiram
com a passagem do tempo), não é muito diferente em essência de uma ficção.
A principal diferença entre a História e a ficção seria que a História, ao
se pretender real, falaria apenas de coisas que realmente aconteceram e com
um compromisso com a verdade (mesmo que essa seja discutível, na medida em
que depende dos vários pontos de vista daqueles que interpretam os fatos já
transcorridos (ou em andamento)); enquanto a ficção, por ser livre, poderia
criar histórias que não se pautam no real.
Agora vejamos, se tanto a ficção
quanto a História criam (ou constroem) suas narrativas, e se tais narrativas
não se constroem sozinhas, mas com a inevitável intervenção de um indivíduo
(o dramaturgo ou o Historiador), então, nada poderia impedir uma ficção de
ter tanto ou até mais valor histórico do que um texto acadêmico.
Acredito que dois textos publicados
recentemente por mim em Klepsidra me sejam de grande auxílio para ilustrar
o que venho a dizer. Em “Darth Vader: Fé e Realidade em Star Wars” e em “A
Revolução, os Lobos e o Besteirol”, o que fiz foi meramente mostrar ao leitor
alguns dos pontos em que aquelas duas ficções absurdas se encaixam no mundo
real e, sendo assim, deixam de ser ficções absurdas para se tornarem História.
É certo que muitos não concordam
com a Fenomenologia, muitos Historiadores, inclusive, continuam presos às
visões cientificistas, empiristas e deterministas que unem a História aos
fatos da mesma forma como a Matemática é unida aos números. Estes indivíduos,
contudo, não colaboram para o avanço da História enquanto ciência, pois para
eles, a História nunca será uma ciência, na medida em que seus dados e teorias
não podem ser comprovados num laboratório e nem sequer são ou serão incontestes.
Ainda bem!
É inserido no padrão da Fenomenologia
que este meu pode ser compreendido, é claro que não observei todos os períodos
Históricos que constam dele, no entanto, com Historiador que sou, li vários
livros, vi vários filmes, ouvi várias Histórias (e estórias) e, sobretudo,
refleti bastante sobre o que li, vi e ouvi. O reflexo disso (e talvez de minha
loucura crescente e galopante) pode ser visto nas páginas que conduziram o
leitor até aqui. Com certeza, os leitores de Tolkien encontraram algo de seu
método narrativo neste texto, sobretudo aquele utilizado em “O Silmarillion”,
livro que conta parte da mitologia da Terra Média, anterior a “O Senhor
dos Anéis”.
Devo confessar a esses leitores
que não li “O Senhor dos Anéis”, não porque não me interessasse, mas
sim, porque devido a meus afazeres diversos e ao tamanho da obra (mais de
1500 páginas), não pude dispor de tempo. No entanto, li “O Hobbit”
e “O Silmarillion”. Apreciei o estilo literário de Tolkien e também
percebi nele, como muitos já tiveram a oportunidade de mencionar, diversos
posicionamentos xenofóbicos, eugênicos e mesmo racistas-sexistas, no entanto,
a criatividade daquele indivíduo me serviu de inspiração para criar o modelo
do mundo do Éden que, a meu ver, em nada se assemelha à Terra Média, a não
ser, talvez, por ser um mundo fictício.
Outra grande fonte de inspiração
para este romance foram os livros de RPG, em especial o cenário do famoso
“Dungeons & Dragons”, “Forgotten Realms”. Neste livro, que
há menos de seis meses foi traduzido para o Português, um mundo semelhante
(e obviamente inspirado nele) à Terra Média de Tolkien nos é descrito. Porém,
por não ser um romance, mas sim um cenário de jogo, “Forgotten Realms”
nos traz uma descrição da História de seu mundo, denominado Abeir-Toril
e, em especial de um de seus continentes: Faerûn. Neste mundo, também
há um mago semi-divino, como Gandalf, o Elminster, que aparece
nos momentos cruciais para salvar a todos, mas que normalmente prefere a não
intervenção, também há raças de pele negra (como os Orcs de Tolkien) que
têm tendências malignas e que são excluídas pela sociedade, também há elfos,
entes, anões, hobbits, deuses...
Não pretendo e nem pretendi
ser um plagiador; como aqueles que conhecem as referidas obras poderão constatar
se lerem meu texto. Além disso, também não me tentam as doutrinas sexistas,
racistas e eugênicas de Tolkien ou de D&D. No entanto, o que me tenta
(talvez por ser um resquício de meus últimos anos de adolescência, talvez
por ser uma tendência pessoal) é o realismo com a qual os autores de ambos
os livros conseguiram descrever seus mundos, afinal, num filme não é necessária
muita genialidade para se dar vida a um mundo inexistente, na medida em
que as imagens estão lá para quem as quiser ver, mas num livro, sim.
Por fim, algumas últimas justificativas
a meus leitores devem ser dadas em consideração:
À presença dos Negros: É evidentemente escassa a presença
dos negros neste texto, no entanto, isso não se deve a uma posição contrária
às etnias oriundas da África, mas sim, há dois fatores: primeiramente, o
cronológico, afinal, no período no qual se passa o texto, a possibilidade
de levas migratórias negras além da África é muito restrita e os contingentes
descritos já são exageradamente numerosos; em segundo lugar, sua exclusão
foi proposital tanto para reforçar a característica que estes indivíduos sempre
tiveram em nossa sociedade, ou seja, o de força de trabalho excluída das
decisões e das vitórias por meio da coerção, quanto para que se tornassem
o legado do Éden. Os últimos filhos do paraíso cuja História morreria justamente
pela falta de credibilidade dos brancos às tradições negras.
À citação de Atlântida: É óbvio que minha seriedade
profissional não me permite acreditar em Atlântida, nem mesmo num continente
tardio que teria passado incólume aos descobrimentos e mesmo à circunavegação
do mundo realizado por Fernão de Magalhães. No entanto, achei por bem colocar
este continente no mapa para não ter que me dar ao trabalho de criá-lo totalmente,
expropriei-me, dessa maneira, da obra de Platão.
Às inexplicáveis flutuações
temporais dos paralelos com a História do Mundo: Como este texto é uma obra
de ficção, não me senti muito obrigado a prender-me aos parâmetros temporais
de nossa civilização ocidental, afinal, toda a duração da História que conta
a evolução humana de vinte e um séculos, perdura apenas por apenas quatorze,
o que, inevitavelmente, me restringiria quanto ao tempo. Alguns fatos históricos
foram colocados de maneira a ocorrerem antes de outros que na História do
Mundo ocorreram às vezes dois, três séculos antes porque isso satisfaria uma
cronologia aceitável para o Éden, não para o mundo.
À correria final: Fatos da História recente do
mundo, em especial guerras e políticas que levaram a elas foram descritos
de forma quase seqüencial, sem intervalos, para suscitar a impressão (real
no meu ponto de vista) de um período de guerras quase constantes, o que culminou
com o fim do Éden.
À previsão pessimista final: Não que eu acredite realmente
que o mundo esteja em vias de terminar, mas que o colapso da ONU preocupa
a todos nós, isso preocupa, afinal, sem uma entidade reguladora e legitimadora
da “paz” e da “justiça” no mundo (ainda que tal entidade seja parcial ou totalmente
controlada pelos EUA), não se sabe que catástrofes podem ocorrer. Desde a
dissolução da União Européia até um ataque nuclear da Coréia do Norte ao
Japão (como sugerido no texto), passando pela criação de novas alianças militares,
como a proposta pela França (que englobaria França, Alemanha e Bélgica).
O futuro é incerto.
À fusão de países em blocos
ou em outros: Como o Éden se trata de uma
ilha do tamanho da Argentina e como este texto é uma ficção, achei por bem
que apenas os países mais relevantes fossem citados, de modo que os países
em condições coadjuvantes e/ou que não fossem sequer ser citados, não deveriam
aparecer. Peço a compreensão dos leitores que, porventura, venham a se sentir
ofendidos quanto a isso.