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Entre a Ciência e a Tecnologia: a Fapesp e
seus novos padrões de prioridade e excelência
*
Luís
Filipe Silvério Lima
lfslima@usp.br Doutorando - História Social/USP download: fapesp.doc - 36KB |
Este texto
tem a intenção de propor uma perspectiva mais ou menos histórica para uma
série de dados sobre o desenvolvimento e os processos da Fapesp nos últimos
quatro anos. A idéia é trazer essa tentativa de organização e entendimento
para a discussão e debate.
Se 1988,
com a publicação da Lista dos Improdutivos, representou para muitos o início
do desmonte da USP e, talvez, da universidade pública brasileira, 1998 - exatos
dez anos depois - pode ser entendido como o seu correspondente para a política
de fomento à pesquisa em nível nacional.
No segundo
semestre de 98, ocorreu um corte no financiamento à pesquisa em todo o Brasil,
por meio da diminuição de bolsas e auxílios do CNPq, que congelou em outubro
todos os seus recursos, e da Capes, que segurou o repasse das verbas de Demanda
Social e reviu sua política de concessão e avaliação. O corte não foi linear.
Os estados do Sudeste, em especial São Paulo, que concentravam grande (senão
a maior) parte da pesquisa nacional, tiveram uma redução percentualmente maior.
| Resultado disso, a Fapesp que já vinha apresentando
um crescimento na concessões de bolsas, viu-se pressionada por uma demanda
cada vez maior de pedidos de bolsas e auxílios. |
Esse quadro,
em grande medida, era uma vertente de um projeto em nível nacional para Educação,
Ciência e Tecnologia, que tentava desonerar o Estado desses campos, buscava
resultados práticos nas pesquisas e abria possibilidades para o investimento
privado, sobretudo, na educação em nível superior. Dentro desse contexto,
a Fapesp também mudou seu perfil: sua expansão crescente no auxílio à pesquisa
paulista começou a ser repensada.
Havia
uma pressão, sobretudo dos orgãos governamentais, para que a Fapesp começasse
a investir em pesquisas com maior retorno social e, sobretudo, tecnológico.
Insistia-se que a fundação deveria começar a pensar em (e talvez privilegiar)
pesquisas que dessem retorno de capital. Todo esse interesse se justificava
pois a Fapesp, fundada em 1962, recebe anualmente 1% da arrecadação do estado
mais rico do país, além ter em seu orçamento rendimentos de cerca de 200 milhões
anuais devido a anos de investimentos bem feitos e construção cuidadosa do
seu patrimônio. Ao contrário das agências federais de fomento que viram seu
dinheiro comido pelos interesses sazonais dos governantes e por uma estrutura
burocrática imensa e ineficiente (em especial, o CNPq), a Fapesp conseguiu
gerenciar muito bem seu capital e, graças a essa boa administração, a Fapesp
foi um dos impulsos para São Paulo tornar-se o centro de produção científica
e acadêmica do país.
Do mesmo
modo que em 1988, porém, a comunidade acadêmica observou com complacência
e uma certa melancolia as mudanças que começaram a ocorrer na Fapesp a partir
de 1998.
A primeira
delas, sentida de modo isolado, individual e por comentários de corredores,
foi o aumento de denegações de pedidos. Depois, veio o aumento da burocracia
e papelada exigida, acompanhado das constantes mudanças dos formulários de
pedido e, principalmente, de apreciação de projetos. Os formulários tornavam-se
cada vez mais complexos e com mais campos e no caso dos de apreciação, com
novas questões, relativas não só ao projeto, mas também à instituição (no
caso de IC e Pos-Doc), ao orientador e ao orientando. Como exemplo, hoje,
um parecerista de um projeto de doutorado ou mestrado precisa preencher e
considerar 16 questões (7 para o projeto, 1 para o candidato, 3 para o orientador,
1 para reserva técnica e 4 para as deficiências notadas - estas de múltipla
escolha).
Em resposta
aos cortes do CNPq e Capes, a Fapesp também parou de conceder, em finais de
1998, bolsas para pós-graduandos que tivessem mais de um ano de bolsa de
outra agência (a partir de 2000, esse prazo foi reduzido mais ainda: 3 meses
no caso do mestrado e 6, no doutorado). Além disso, devido ao aumento da
demanda, os tempos Fapesp de resposta aos pedidos - um dos orgulhos e marcas
da agilidade e eficiência da instituição - deixaram de ter como teto os
75 dias e começaram a ter como mínimo esse período de espera de quase três
meses.
Essas
mudanças foram ocorrendo de modo não coordenado até fins de 2000[1].
No início
de 2001, a Fapesp lançava um documento intitulado “O apoio da FAPESP à Pós-Graduação:
Evolução e Perspectivas” que analisava as mudanças no cenário da pesquisa
brasileira e apontava a diminuição das bolsas para São Paulo em nível federal
e o aumento da demanda e da concessão por parte da Fapesp. Ela anunciava que
estava chegando ao seu limite previsto para bolsas, não poderia acompanhar
o crescimento da demanda qualificada e concluía que seria mais criteriosa
na concessão de bolsas.
Resultados
práticos: o fim das prorrogações de bolsas de mestrado e doutorado; seriam
privilegiados candidatos que fossem recém graduados ou mestres e orientadores
especialistas; e iniciava-se, ainda que não anunciada, a análise comparativa
- que viria a se tornar regra e ser explicitada no segundo semestre de 2001.
Em agosto
de 2001, a Fapesp lançou um pacote de mudanças sob o título de “Algumas Normas
e Diretrizes do Programa de Bolsas de Pós-Graduação”, que alterava radicalmente
- e agora abertamente - a forma de concessão de bolsas de pós-graduação.
Não mais
bastavam: o longo questionário e formulário preenchido pelo assessor externo;
a avaliação rigorosíssima da produção do orientador (medida pela curta e pontual
súmula curricular); e a avaliação das qualificações e potencial do candidato
(visto somente pelo seu histórico escolar). A seleção deveria ser ainda mais
perfunctória e os gastos melhor alocados.
Em termos
de orçamento e administrativo-burocráticos, essa reforma de 2001 acabou com
os pedidos em fluxo contínuo para o mestrado; cortou a reserva técnica do
mestrado para 10% da anuidade; diminuiu o doutorado de quatro para três anos;
instituiu um doutorado direto de quatro anos, sendo que durante dois anos
o pós-graduando receberia bolsas de mestrado.
Em termos
de formação dos pesquisadores, anunciava-se que o mestrado não era etapa tão
importante assim e se incentivaria o doutorado direto, além de se propor que
o pesquisador se formasse (ou seja, se doutorasse) em no máximo cinco anos.
Paradoxalmente e ao mesmo tempo, aumentou-se a duração das bolsas de pós-doutorado
de dois para até seis anos. Indicava-se que se optava por um funil de seleção
e a constituição de mão-de-obra super qualificada flutuante (pois sem emprego)
mas ligada (pela bolsa) a instituições de pesquisa que não teriam que arcar
com os encargos trabalhistas.
Em termos
acadêmicos “de excelência”, o novo critério seria o da prioridade. Depois
de aprovados incondicionalmente e sem restrições pelo parecerista, os pedidos
seriam submetidos a uma avaliação comparativa entre os projetos da área, feitas
pelas respectivas comissões, para se decidir qual projeto era o mais excelente
e prioritário. Cabe aqui uma explicação de dois aspectos: o dos critérios
de excelência e o que se entende por área.
Os critérios
de excelência, que vieram depois elencados nos pareceres, eram:
1) “o
grau de originalidade, definição dos objetivos, fundamentação teórica e adequação
metodológica do projeto;”
2) “o
grau de competência do orientador na área específica do projeto, medido por
sua produtividade recente nessa área;”
3) “e
o potencial de pesquisa do candidato, medido por seu histórico escolar e acadêmico.”
Esses
critérios já estavam dados no documento “O apoio da FAPESP à Pós-Graduação:
Evolução e Perspectivas”, de início de 2001. Mas agora foram colocados como
vetores decisivos na seleção dos projetos no “processo altamente competitivo
de avaliação comparativa” que definia “a posição relativa de cada solicitação
numa escala de prioridades, conforme seu grau de excelência.”
Fica a
pergunta: ao aprovar o projeto, o parecerista já não leva em conta essas questões,
especialmente a primeira? Qual a especificidade do trabalho da Comissão em
relação ao trabalho do assessor?
Em caso
de empate, mais dois quesitos eram adicionados: se privilegiaria “solicitações
diretamente vinculadas a projetos já apoiados pela FAPESP em suas linhas de
auxílio à pesquisa, assim como solicitações fundamentadas em projetos que
tenham [sido] resultado de pesquisas realizadas pelos candidatos com bolsas
de iniciação científica da FAPESP.”
Com esses
critérios, se pressupõe que o candidato ideal Fapesp precisaria:
Critérios
esses objetivos (e, de certo modo, até válidos quando se tem grande demanda),
mas que não levam em conta as especificidades das trajetórias pessoais, das
diferenças entre instituições, e que, se levados a ferro e fogo, podem condenar
carreiras talvez promissoras e promover um bom número de medíocres (no sentido
original da palavra, de meio, de médio).
A proposta
de formação de pesquisadores da Fapesp, anunciada em 2001, privilegiava portanto
uma formação rápida (no máximo 9 anos, idealmente 8) de especialistas-técnicos
na área e que serão formados para um determinada especialidade desde a graduação.
Isso também se reflete do lado do “orientador ideal” Fapesp:
um pesquisador competente “na área específica do projeto, medido por sua produtividade
recente [últimos cinco anos] na área”. Assim se supõe que o pesquisador em
formação teria emendado graduação e pós com o mesmo tema de pesquisa e que
seu orientador seria alguém que produz ou publica naquela área. Estaria determinado
assim que o pesquisador (seja orientando, seja orientador) busque sempre
pesquisar o mesmo assunto de modo eficiente a publicar resultados (“publish
or perish”). Nesse ciclo vicioso, uma formação mais ampla, interesses vários,
heterogeneidade, ou mesmo propensões multi ou interdisciplinares, que demandam
tempo e maturidade e que são tão cobradas nos dias de hoje, não têm muito
espaço.
Agora
alguns pontos quanto às comissões por área de conhecimento, que realizam essa
avaliação comparativa entre os projetos. Elas analisam, encaminham e julgam
comparativamente os projetos, bem como decidem alguns critérios específicos
por área, além de buscar alocar os recursos que lhes são destinados. Ao contrário
do que se pensa, porém, a abrangência dessas áreas muitas vezes é grande.
Por exemplo, há uma área de Ciências Humanas, que engloba de Psicologia Cognitiva
a Política Internacional, ou uma área de Ciências Biológicas, que engloba
de Biofísica a Protozoologia. Como os pedidos são cotejados e analisados em
conjunto por sua grande área (Ciências Humanas e Sociais, Ciências Biológicas,
Saúde etc.), os projetos ao passarem por essa análise comparativa podem compor
pares interessantes: um projeto de História Antiga pode ser comparado com
um de Filosofia Brasileira ou com um de Administração Educacional; um de Teoria
da Comunicação com um de Economia Doméstica ou de Paisagismo, e assim por
diante.
Nesse
quadro, fica difícil medir a qualidade perfunctória do discernimento da comissão
- composta, por sinal - e é sempre bom frisar -, por bons pesquisadores e
especialistas nas suas áreas e disciplinas específicas. Friso isso, porque
não se está aqui duvidando da excelência e competência dos membros da comissão
em suas especialidades, pelo contrário, por causa dessa mesma competência
e, por outro lado, devido à complexidade e vastidão do conhecimento e do saber
atualmente, é estranho pensar como se dão esses cotejamentos entre projetos
de especialidades e especificidades tão distintas e, para ser redundante,
tão específicas.
Projetos
esses que devem, pelas próprias exigências da Fapesp, serem originais e de
ponta no seu campo, usar toda uma fundamentação e uma linguagem particular
da área, e dar conta de uma literatura e produção, às vezes, de circulação
muito restrita, que quase só circula entre especialistas naquela área.
Por causa
disso, inclusive, é que existe a figura do assessor ad hoc que
é o especialista que lê, analisa e dá o parecer - escolhido e referendado
por essa própria comissão. O parecerista é aquele que se supõe tem competência
e autoridade no campo específico do projeto. Supor uma avaliação comparativa
é, de certo modo, desautorizar o trabalho minucioso, detalhado e especializado
do parecerista (obrigatório inclusive devido ao formulário) em detrimento
de um momento posterior no qual se coteja textos de campos muitas vezes absolutamente
não comparáveis. Mais do que isso, devido ao tão divulgado aumento da demanda
e do número de pedidos, fica também difícil supor que a comissão tenha tempo
de ler e analisar cuidadosamente cada processo, para a partir daí, definir
qual o mais prioritário.
Como fica
claro nas próprias instruções dadas pela Fapesp aos assessores, a comissão
compara os pedidos a partir somente dos pareceres preenchidos exaustivamente
pelos pareceristas ad hoc que são especialistas escolhidos
- razão essa inclusive que fez com que se inflassem os formulários.
Em resumo,
o próprio sistema de avaliação por pares baseado na análise por especialistas
e que respondia à demanda qualificada (outro motivo de orgulho e exemplo da
excelência da Fapesp) foi, nesse processo, colocado em contradição e, de
certo modo, - e espero não ser radical demais - até invalidado.
Além dessas
contradições internas e modelos a serem discutidos de formação de pesquisador,
vale a pena se pensar a alocação no aumento das concessões e de investimento
da Fapesp. A Fapesp, como dito, em parte devido ao crescimento da parque
científico em São Paulo, em parte pelos cortes federais, aumentou consideravelmente
o apoio à pesquisa no estado. Isso, sem dúvida, foi muito bom e necessário.
São Paulo e a USP agradecem. A USP representa em muitas áreas mais de 50%
da produção científica no Brasil em grande parte devido à Fapesp.
Mas se
deve ver como se deu esse crescimento.
Se forem
analisados os dados de 1996 até 2001, referentes a agosto (mês da mudança
radical em 2001), se perceberá que o crescimento de bolsas (de IC até Pós-doc)
foi desigual pelos diferentes saberes.
As Humanidades
cresceram 2,1 vezes; as Exatas, 2,8 vezes; as Biológicas, 3,3 vezes; frente
a um aumento médio de 2,9 vezes na concessão de bolsas. Se pegarmos por algumas
áreas, o quadro fica mais complexo:
Como não
há dados acessíveis sobre essa distribuição por disciplinas ou áreas menores,
resta optar por um caminho alternativo e analisar a revista Pesquisa
Fapesp.
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A revista
é, de certo modo, o orgão de divulgação das políticas e vitrine da fundação
e pretende informar “a quantas anda realmente, neste país, o par Ciência e
Tecnologia, componente estrutural das sociedades contemporâneas” (“Um passo
próprio da maturidade”, Pesquisa Fapesp, 73, 03/2002). |
Se for
folheada a Pesquisa Fapesp desde 1998 (quando ainda se chamava
Notícias Fapesp) até meados desse ano, se verá que possivelmente
o crescimento na área de Biologia não foi homogêneo. Se poderia supor pelo
espaço dado a pesquisas envolvendo genética ou biotecnologia que pesquisas
de paleozoologia ou histologia não devem ser disciplinas que tenham apelo
editorial. Isso pode ser significativo se essas escolhas de pauta forem pensadas
como decisões editoriais de uma revista que divulga o que é considerado pela
Fapesp como as pesquisas mais importantes financiadas por ela. Na verdade,
e cada vez mais, a pauta da revista é dominada por matérias que destacam a
produção de tecnologias e a interação com o mercado.
A começar
pela própria divisão da revista em quatro partes desiguais (sem contar as
colunas e seções fixas):
As seções
Política e Tecnologia, em geral, as maiores, deram muitas vezes a capa e o
tom da revista - desde de Maio de 98 até Agosto de 2002 foram 31 capas ou
chamadas em 48 revistas, com 23 capas ligadas à inovação tecnológica. A interação
pesquisa-empresa foi tema de várias matérias e capa de quatro números (além
de mais algumas chamadas de capa) desde 98. Foi dado também grande o destaque
para programas de incubação de empresas e inovação ligadas (ou não) a centros
de pesquisa ou universidades.
Talvez
essa distribuição das capas e das matérias seja reflexo da nova taxonomia
adotada para as ciências e saberes pela Fapesp. Nessa nova taxonomia, baseada
em recentes revisões sobre as ciências, a divisão entre ciência pura ou básica
vs. ciência aplicada não cabe mais. Segundo essa nova língua científica,
haveria quadrantes que relacionados indicariam o caráter da pesquisa (“Os
quadrante da Fapesp”, Pesquisa Fapesp, 65, 06/2001)[2].
Os quadrantes seriam os seguintes:
“Quadrante
de Bohr: pesquisa básica sem nenhuma identificação de aplicação imediata;
Quadrante
de Edison: pesquisa aplicada visando ao desenvolvimento tecnológico;
ou Quadrante
de Pasteur: pesquisa básica com perspectivas definidas de aplicação”.
Para o
ano de 2000, segundo essa divisão, as pesquisas básicas (Quadrante de Bohr
mais Pasteur) representavam 74% do financiamento da Fapesp. Porém se fosse
calculado somente a pesquisa básica para o avanço do conhecimento sem aplicação
(Quadrante de Bohr) esse percentual cairia para 24%. Ou seja, a nova taxonomia
esgarçava as fronteiras da ciência antes dita pura e englobava nela o que
antes era chamada de ciência aplicada, área que devia, segundo declaração
de dezembro de 2000 do ex-presidente da Fapesp, Brito Cruz, ser incentivada
e privilegiada pela Fapesp (“Em busca do equilíbrio no quadrante de Pasteur”,
Pesquisa Fapesp, 60, 12/2000).
Somados
a burocratização da Fapesp e a política mais restritiva de concessões, esses
dados e indicadores de distribuição de investimentos podem indicar que a Fapesp,
que completou 40 anos, está dialogando diretamente com as diretrizes nacionais
de restrição de investimentos em C&T, cada vez mais, substituídos por
parcerias ou pesquisas voltadas para o mercado e indústria. Algo que se concilia
com as tendências internacionais do mundo globalizado. A redução de prazos,
o incentivo ao doutorado direto, a sinalização do fim do mestrado acompanham
o que ocorreu na última década no cenário acadêmico e de pesquisa no mundo.
Como a
Fapesp têm e teve um papel essencial para o desenvolvimento científico desse
estado e do país, e por conseqüência, do desenvolvimento em geral, há, a
meu ver, duas perspectivas para se entender o que vão representar essas mudanças.
Em uma
perspectiva catastrofista, pode-se temer que com essas opções a Fapesp pare
de apoiar o desenvolvimento intelectual e científico essenciais a um país
como o Brasil e torne-se mero veículo repetidor das desigualdades sociais
e culturais.
Numa perspectiva
menos sombria, implica entender que a Fapesp penderá cada vez mais a balança
para a Tecnologia e, sobretudo, o desenvolvimento técnico-industrial ligado
ao mercado, em detrimento da Ciência, chamada - ainda que erroneamente -
de PURA.
* Texto apresentado na mesa "Bolsas e Fomento: FAPESP" no II Seminário de Pós-Graduação, São Paulo, 29 de agosto de 2002, IME-USP.
[1] Isso era visto pelas inúmeras atualizações nas instruções do site da Fapesp, que algumas vezes, em par de meses, tiveram três versões.
[2] Não deixa de ser interessante lembrar que no mesmo número da Pesquisa Fapesp saia um artigo intitulado “Aposta na pesquisa de resultados”, relatando as atividades do Nuplitec, um setor da Fapesp criado exclusivamente para patentear, gerenciar e, possivelmente, encaminhar para comercialização resultados de pesquisas financiados pela Fapesp (recordando que parte dos rendimentos ficava com a Fapesp na condição de investidora).