ANO IV

Abril - Maio 2003
ISSN 1677-8944
Nº 16

Editorial

  Klepsidra chega a seu 3º aniversário. Hoje podemos dizer que a revista amadureceu muito, já não é mais aquela mesma revista de estudantes do segundo ano de História que era quando começou. Seus membros leram muito, escreveram outro tanto, todos fizeram Iniciações Científicas, dois deles estão em seus Mestrados, quase todos são Bacharéis...

    O mundo profissional se faz diante daqueles jovens que um dia iniciaram por puro espírito científico e vontade de aprender e, porque não, ensinar, esta Revista. A constatação empírica da crise do desemprego que outrora fora objeto de estudo e que, depois da formatura se torna realidade diária nos leva a uma nova realidade dentro de Klepsidra: a necessidade da crítica ao desleixo para com a educação no Brasil.

    Alguns dos membros da Revista podem se dizer felizardos por estarem empregados, entretanto, para a maioria o desemprego é, mais do que um fantasma ou um medo; é uma realidade imediata. Dentro de um contexto como esse não podemos nos esquecer de que Editoriais de Revistas não são apenas textos de abertura e apresentação de uma nova edição, mas sim e, sobretudo, textos que afirmam sua opinião diante do mundo, ou ainda, de um tema específico. É justamente recorrendo a esse aspecto de um Editorial que Klepsidra vem lançar oficialmente uma idéia a ser pensada pelo público usuário (seja por pesquisas casuais, seja, por pesquisas freqüentes) e leitor assíduo, uma idéia que não é absoluta, mas, especialmente, reflexiva. Uma idéia ligada ao ensino no Brasil em especial ao Ensino Médio e Fundamental, bases da educação de qualquer um e principal área de ocupação remunerada dos Educadores.

    Recentemente os Estudantes Brasileiros foram considerados analfabetos funcionais por uma pesquisa conjunta realizada pela Unesco e pela OCDE. A pesquisa comparou a capacidade compreensão de leitura dos estudantes de 41 países na faixa de 15 anos de idade. O Brasil ficou na 37ª posição (na frente apenas de Macedônia, Indonésia, Albânia e Peru). Por que isso acontece? Quem é o culpado?

    É realmente difícil apontar um culpado, mas a organização profissional e salarial do professor no Brasil tem grandes chances de ser a vilã dessa história. Se você for a um dentista e ele insistir que é capaz de fazer uma cirurgia no seu coração porque teve fundamentos básicos de cirurgia na faculdade, com certeza você irá embora correndo e, possivelmente ainda processará aquele indivíduo pelo exercício ilegal da Medicina. Bem, mas se você for a uma sala de aula ter uma aula, por exemplo, de História (que é a parte que toca a Klepsidra e a seus membros) e entrar um Administrador de Empresas, ou um Geógrafo, ou um Advogado, ou um Arquiteto... dizendo que é capaz de ensinar História porque teve os fundamentos básicos daquela matéria na faculdade, você acreditará e, o que é pior, talvez até pagará para que ele realmente te ensine História.

    Agora vejamos, é claro que ninguém irá morrer por aprender conceitos torpes e mal ensinados de História (coisa que talvez acontecesse com alguém que tivesse o coração operado por um Dentista), mas é também provável que o Advogado fosse tão capaz de ensinar História a alguém quanto um dos membros Historiadores de Klepsidra seria de representar alguém perante um tribunal. Será então que é nessa mágica chamada vulgarmente de “acochambração do ensino” que reside a culpa pelo analfabetismo instrumental de nossos jovens? Será que você, leitor de Klepsidra que, apesar de não ser formado em História, acredita que sua faculdade o preparou adequadamente para encarar uma classe nos olhos e se dizer professor de História, não sente ao menos um pouco de culpa pelo nosso 37º lugar num ranking composto por 41 países? Essas são as perguntas...

                        
Danilo José Figueiredo
 
 

Reportagem de Capa
História Antiga

 Em Egito: o Berço do Ideal Imperial, Danilo José Figueiredo, narra praticamente 3000 anos de História dos egípcios, desde a formação populacional na região do Nilo até a decadência após o Império Romano. O texto busca mostrar a partir das relações políticas e da religião como se deu a construção da idéia de Império, passando por todas as grandes figuras do período, que vão desde os Grandes Faraós das Pirâmides, até Cleópatra e Tutankhamon.


História do Brasil

 Rodrigo Elias Caetano Gomes, Mestrando em História pela UFF, analisa a formação da sociedade colonial brasileira a partir dos seus mais diferentes viéses. Desde a formação religiosa com os jesuítas e a Inquisição, até à importância conquistada pela escravidão e pelo tráfico negreiro, e a perseguição aos indígenas.



História do Brasil

 Em "Um ensaio sobre a consolidação do Estado Nacional e o papel da imprensa", Maurício José da Silva e Alex Guerson Gonçalves, Bacharéis em História pela UERJ,analisam a importância do "Jornal do Comércio", do Rio de Janeiro, dentro do processo de consolidação e fortalecimento do Estado Imperial Brasileiro.

 

Teoria da História

 "Os Annales e suas influências com as Ciências Sociais" discute as zonas de contato e influência entre as teorias das Ciências Sociais - de Durkheim aos estruturalistas - e a "Escola dos Annales", principalmente a partir dos escritos de Marc Bloch e Fernand Braudel.
 
Teoria da História

 A Pós-Modernidade e suas influências para a Teoria da História são discutidas neste texto. A partir das mudanças iniciadas por Ronald Reagan nos EUA e Margareth Tatcher no Reino Unido, a globalização e o sistema democrático ampliaram gradativamente sua área de influência no mundo. Após a queda da URSS, o historiador Francis Fukuyama decretou o fim da História. Portanto, são diversos os novos problemas e teorias a serem enfrentados pela História neste Século XXI.
 
 

História do Tempo Presente - Com Fórum de Discussões

 Carlos Ignácio Pinto discute a questão racial nas Universidades Brasileiras e a polêmica em torno da proposta de cotas para negros nestas instituições, um tema central na discussão educacional brasileira atual e bastante polêmico.

 

Cinema e História

 A partir de dois filmes recentes ("Kamchatka" e "Botín de Guerra") e um clássico ("A História Oficial"), este texto procura resgatar a memória sobre a ditadura argentina e suas diferentes representações e significados no cinema daquele país e suas marcas naquela sociedade até o presente.

 

Resenha

 "Na casa de meu pai", de Kwame Anthopy Appiah, é um importante livro para que se conheça mais da tão raramente falada História da África. O autor discute a "invenção" da África, do conceito de raça, do panafricanismo, a formação dos Estados e as perspectivas para o futuro daquele continente.





Leia e Assine nosso

Livro de Visitas



Seja informado(a) assim que
uma nova edição estiver no ar. Grátis.
Insira seu e-mail no campo abaixo:


Procure textos a partir da nossa
Busca por Palavras-Chave