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Cotas e Racismo:
o povo pede pão e circo


Danilo José Figueiredo
danilo@klepsidra.net
Mestrando - História Social/USP
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         Introdução:

 

         Na edição anterior de Klepsidra, Carlos Ignácio Pinto publicou, nesta mesma sessão, um texto chamado “A Política de Cotas nas Universidades Públicas Brasileiras”, em defesa das cotas para negros em Universidades Públicas.


        
Klepsidra sempre respeitou o direito de livre-expressão de seus membros e colaboradores, bem como o das pessoas que se manifestam através do Livro de Visitas, do Fórum e de E-Mails. Justamente por isso, mesmo não sendo consensual dentro da revista, a opinião de Carlos pôde ser publicada em forma de um texto. No entanto, justamente por não ser consensual, a opinião de Carlos despertou em mim o interesse de contrapô-la e, dessa forma, este texto acabou se tornando a realização de uma idéia que existe na revista desde sua primeira edição, ou seja, a de um texto-resposta (ou contraponto) a outro previamente publicado.


        
Para que fique claro a todos, gostaria de ressaltar que diferenças ideológicas não implicam em inimizades, pelo contrário, eu e Carlos somos e sempre fomos grandes amigos, inclusive, fui padrinho de seu casamento. O debate acadêmico, entretanto, é outra questão. Todos sabemos que a discordância é seu maior combustível, sem ela não haveria o porque de se desenvolverem pesquisas (especialmente nas áreas de Humanidades), nem mesmo o porque de se iniciarem discussões e, dessa maneira, o próprio debate seria inexistente.


        
Quero deixar a claro também que não sou nenhum tipo de racista apenas por não concordar com as cotas. Acho que tal afirmação deveria ser desnecessária, mas visando evitar uma desqualificação prematura de meu ponto de vista baseada na simplista alegação de racismo, gostaria de afirmar que tenho e já tive diversos amigos negros e que também já dei aula (ainda que não como professor efetivo, mas tão somente convidado (pelo próprio Carlos, diga-se de passagem)) no Cursinho do Núcleo de Consciência Negra da USP.


        
Como será possível ver em meu texto (ou assim eu espero), não é necessário ser racista para não se concordar com as cotas e, pelo contrário, implantá-las (ou mesmo pedi-las) pode sim caracterizar racismo.


 

         1 – Raças Diferentes ou Criações Culturais?

 

         Se você está lendo este texto, saiba que, assim como eu você pertence à seguinte raça: Homo sapiens sapiens. Todos os outros caracteres e estereótipos raciais que você possuir, ou que seus ancestrais tenham tentado lhe imputar não fazem parte do campo de estudo da biologia, mas sim das Ciências Humanas (dentre elas a História).


        
Vejamos o seguinte exemplo:


        
Dois indivíduos nascidos na Itália e de famílias nascidas há inúmeras gerações nesse mesmo país não se consideram igualmente Italianos, visto que um deles nasceu no sul da Itália (e, por conseguinte teria alguma descendência Grega, Mourisca, ou talvez Viking, ou até Espanhola) e o outro no norte (dessa forma, pretendendo-se descendente de Germânicos, Lombardos, Franceses...). Agora pensemos: o que é ser Italiano senão ter nascido numa região delimitada ao longo do tempo e através de processos Históricos como sendo a Itália? Se ser Italiano é meramente ter nascido na Itália, então, por que motivo os Judeus Italianos foram tão perseguidos durante o governo de Mussolini?


        
Obviamente não se consegue dizer se alguém nasceu no sul da Itália ou se é Judeu apenas por se olhar em seu rosto, visto que seus caracteres fenotípicos são idênticos. O mesmo, porém, não acontece com um negro que, por possuir uma cor de pele distinta daquela dos conquistadores Europeus, é imediatamente identificado como diferente.


        
Agora vejamos, depois da decodificação do Genoma Humano, praticamente completada recentemente, sabe-se ainda com mais certeza do que se sabia antes que, salvo por uma maior concentração de melanina na pele, não existe nenhuma diferença genética entre negros e brancos. Sendo assim, se os negros sofrem e sofreram discriminação, isso não se deve a nenhum tipo de causa genética, mas, tão somente, cultural.


        
Acho que até aqui não escrevi nenhuma novidade para nenhum leitor. No entanto são essas pequenas diferenças culturais que servem como ponto de partida para a criação e sustentação dos preconceitos que, tendo como único embasamento genético uma maior carga de melanina na pele (o que, inclusive, representa uma relativa superioridade dos negros em relação aos demais, visto que suas peles estão mais adaptadas ao sol e, sendo assim, menos sujeitas a males como o câncer de pele) acabam desembarcando em explicações irrefutáveis como as de que os negros são inferiores porque são comandados, ou os negros têm mais aptidões físicas do que os brancos porque se destacam mais nos esportes, ou os negros são mais capazes fisicamente e os brancos mentalmente...


        
Para todas essas afirmações racistas há uma plausível explicação cultural e como não existe qualquer justificativa genética para que se possa sustentar a afirmação racista, lamento racistas, mas vocês devem se curvar às explicações de ordem cultural. Vejamos, se os negros não comandam, mas são comandados é porque lhes foi negada a chance de comandar. Se os negros se destacam mais nos esportes (e devemos notar que eles realmente se destacam mais nos esportes, mas apenas naqueles que não são considerados esportes de elite, ou seja, naqueles em que a prática não implica num investimento de grandes recursos financeiros por parte do praticante) acho que podemos levar em consideração a afirmação do jogador de Basquete da NBA Kobe Briant: “Se os negros se destacam nos esportes é porque sabem que a única maneira de sair da miséria e se tornarem alguém na vida é sendo bem-sucedidos nos esportes, por isso, quando um branco pratica um esporte ele não se dedica tanto quanto um negro se dedicaria, visto que sabe que se não der certo como atleta, sempre poderá ter várias outras oportunidades” (tradução livre). Se há menos negros do que brancos exercendo funções que exigem competências mentais isto se deve ao fato de tais funções estarem, em geral, ligadas a um melhor preparo acadêmico, preparo este que foi muito dificultado para os negros devido a sua condição social, condição esta que, em muitas vezes se deve ao histórico de discriminação racial que os negros sofreram e ainda sofrem.


 

         2 – Imediatismo X Planejamento:

 

         Por tudo o que escrevi até agora, pode-se pensar que eu defendo a política de cotas para negros, uma vez que relatei os preconceitos (muitos dos quais decorrentes da escravidão que os ancestrais dos negros atuais sofreram) sofridos pelos negros de uma forma bem semelhante àquela utilizada pelos defensores das cotas. No entanto, sou contra tal política.


        
Sempre que podemos fazer uma coisa de duas maneiras, tendemos a optar pela mais fácil, porém, não é em todos os casos que a maneira mais fácil é a mais indicada. Muitas vezes, a maneira mais fácil de se resolver um problema é assim considerada por ser a mais rápida e, possivelmente, menos custosa. Contudo, geralmente por ser rápida ela é imediatista e, sendo assim, não resolve o problema, apenas agrava-o.


           Pensemos no final das avaliações nas escolas da rede pública do Estado de São Paulo. Até 1994, quando Mário Covas foi eleito, as reprovações eram um grave problema nas escolas da rede pública. Muitas crianças e adolescentes interrompiam seus estudos muito cedo por já terem sido reprovados duas, três, quatro vezes na mesma série.

FHC, Serra e Covas na campanha
eleitoral de 1994


        
O problema era estrutural, visto que tendo que trabalhar para ajudar no orçamento doméstico, tais crianças dispunham de pouco ou nenhum tempo para estudar. Além disso, em muitos casos um quadro de desnutrição crônica acompanhava o estudante (e a desnutrição comprovadamente reduz, ainda que temporariamente (mas também em caráter permanente, caso seja prolongada demais e/ou ocorra nos primeiros anos de vida), a capacidade intelectual do indivíduo).


        
Visando acabar com esse problema, o da repetência, Mário Covas instituiu uma medida que se fosse tomada por Getúlio Vargas na década de 1930 seria considerada populista, ou seja, acabou com as provas e instituiu um sistema de Progressão Continuada. Segundo as diretrizes desse sistema, o estudante não pode ser reprovado no final do ano caso tenha comparecido às aulas; no lugar de ser reprovado, caso seu desempenho seja considerado insuficiente, ele seguirá para a próxima série, mas terá um acompanhamento individual por parte dos professores das áreas em que apresentou baixo rendimento.


        
É, realmente, da forma como foi apresentada, a idéia parece coisa de países desenvolvidos. Porém, temos que pensar que não vivemos em um país desenvolvido. A realidade Brasileira é outra. Aqui os professores da rede pública ganham muito mal e, a fim de suprirem suas necessidades financeiras, são obrigados a realizarem jornadas duplas (ou até triplas) de trabalho, sendo assim, não lhes sobra tempo para acompanhar individualmente cada aluno com dificuldades. Outra questão é que com turma de até 50 (ou mais) alunos por classe, torna-se impossível para qualquer professor desenvolver uma relação pessoal suficientemente forte com seus alunos a ponto de perceber aqueles que estão com dificuldades.


        
Um outro ponto de grande relevância que deve ser levado em consideração é o de que o aprendizado não deixa de ser uma violência, visto que somos forçados a quebrarmos noções estabelecidas para que novas nos sejam imputadas. Crianças ainda não dispõem da consciência de que tais aprendizados serão úteis para seus futuros, sendo assim, se não forem cobradas na escola (por meio de prova ou de alguma outra avaliação que as faça temer a reprovação (visto que métodos de aprendizagem infantil em massa mais úteis do que o medo ainda não foram muito bem desenvolvidos)), não estudarão e, se não estudarem, não aprenderão quase nada e, se não aprenderem e ainda assim não forem reprovadas, serão reforçadas a permanecer neste ciclo vicioso para todo o sempre até que o fantasma do vestibular surja em suas frentes e que elas acabem se dando conta (só então) de que não aprenderam as competências necessárias para derrota-lo e seguir em frente na vida. Nesta situação, só restará ao indivíduo uma das seguintes alternativas:


        
1 – Abandonar o sonho de um curso superior e a ilusão de melhorar de vida após sua conclusão.


      
2 – Encarar um Cursinho por vários e vários anos dedicando-se extremamente e atrasando seus planos em muito tempo para, quem sabe, cursar uma Universidade paga (com que dinheiro nem se cogita) de qualidade duvidosa que possivelmente não lhe dará uma boa formação.

 
     
3 – Revoltar-se contra o vestibular e contra a condição social daqueles que tiveram a sorte de nascer no seio de uma família que lhes proporcionou uma qualidade decente de estudo e que agora podem orgulhar-se de estar numa Universidade.


        
É claro que nas alternativas acima, estão excluídos os casos de pessoas fora do comum, pessoas que mesmo sem nunca terem tido oportunidades de bons estudos conseguiram passar no vestibular e agora estão em uma boa faculdade.


        
Agora vejamos, será mesmo que a distribuição de cotas para esta ou aquela parcela da população seria uma forma efetiva de contornar os problemas do acesso à educação superior no Brasil? 


Tendo realizado minha graduação na USP, uma Universidade pública, posso dizer por experiência própria que se ela se mantém ainda forte e no topo é apenas por uma combinação de dois fatores: a boa vontade de grandes professores que mesmo tendo a oportunidade de salários muito melhores em instituições particulares ainda se dispõem a lecionar na USP (quer seja pelo status que lecionar nesta instituição proporcione, quer seja por algum tipo de pagamento de dívida moral para com a instituição que o graduou e pós-graduou, não importa) e a presença de alunos com forte estrutura de base que se propõem a estudar na USP tanto por esta ser gratuita, quanto por sua qualidade de ensino. É uma grande verdade que os alunos, numa instituição de Ensino Superior têm cerca de 1/3 da responsabilidade pela qualidade daquela instituição. Especialmente em cursos de Humanidade, onde a discussão é a razão de ser da pesquisa e do próprio curso, um alto nível abstrativo e, por conseguinte, de preparo básico dos alunos se faz fundamental para o bom andamento e, porque não, para a qualidade do curso.


Não estou dizendo que pessoas de origem humilde não tenham direito de fazer faculdade; não é isso, apenas quero mostrar que não é arrombando a porta que se pode entrar em todos os lugares. As cotas são uma maneira simples para que tais pessoas alcancem a Universidade pública, porém, elas, ao contrário do que parecem, são mais úteis para o Estado do que para a própria população que seria beneficiada. Percebam: se no caso da Progressão Continuada, ao invés de baixar uma lei impedindo as reprovações e criando o sistema que, na prática, pode ser chamado de Aprovação Compulsória, Covas tivesse organizado uma reforma salarial e estrutural no Ensino Estadual nos níveis Fundamental e Médio, certamente, ainda teríamos crianças repetindo de ano, é verdade, mas as que conseguissem estuda teriam melhores condições, sendo assim, um grave problema teria sido eliminado. Teríamos agora que tratar do outro, ou seja, da fome e, conseqüentemente, da necessidade do trabalho infantil em diversas famílias.


Pensemos, Covas eliminou a fome? Não! Moralizou o Ensino Público de São Paulo? Também não! Então, o que ele fez? Apenas tomou uma medida que fez com que uma conseqüência nefasta (no caso a evasão ocasionada pelos altos índices de reprovação escolar) se encerra-se. Qual a função disto? De que adianta uma criança chegar à oitava série do Ensino Fundamental sem saber sequer ler com perfeição? De que adianta termos baixíssimos índices de evasão escolar e índice de repetência zero se somos o 37º país em capacidade de compreensão textual e o 40º nas áreas de Exatas e Biológicas (isso levando-se em consideração que a lista tinha 41 países)?


Eu digo de que adianta formarmos cidadãos que não sabem sequer ler corretamente, adianta para que, no futuro, as pessoas sejam ainda mais facilmente manobráveis do que hoje, visto que a compreensão de um texto é algo ligado diretamente à abstração que se faz sobre uma leitura e, caso esta seja inexistente ou quase inexistente, certamente o indivíduo não conseguirá compreender as armadilhas do discurso político e, dessa forma, será um cidadão sem consciência, ou seja, facilmente ludibriável por projetos como o das cotas.


Pensemos em outro aspecto: como já disse, a qualidade dos alunos que chegam à USP é responsável por cerca de 1/3 de sua qualidade, sendo assim, se começarem a chegar a seus bancos indivíduos que não têm as competências necessárias para tanto, mas que foram privilegiados por uma maior concentração de melanina na pele, certamente esta parte dos alicerces da USP (e, de um modo geral, de todas as Universidades Públicas que, como um todo, detém um certo status de qualidade a despeito dos baixos salários que pagam) irá ruir. Sem condições mínimas de trabalho (há que se pensar que os professores que se dispõem a dar aulas nas boas Universidades Públicas do Brasil o fazem também porque esperam encontrar alunos gabaritados para que suas aulas rendam e para que, dessa forma, eles se sintam valorizados profissionalmente; visto que em todo o resto eles já são desvalorizados, ou seja, ganham mal, têm dificuldades para publicar seus trabalhos e recebem cada vez menos bolsas de Iniciação Científica para distribuir a seus alunos, incentivando assim a pesquisa), muitos professores podem começar a considerar a hipótese de não mais lecionar na USP e, dessa forma, o último baluarte de sua qualidade teria caído por terra. As Universidades Públicas já não possuem muita infraestrutura (exceto por aquela que ainda é herança de seus áureos tempos, ou seja, suas vastas bibliotecas (que, por sinal, são muito mal cuidadas)) se comparadas com Universidades Particulares, mas se sustentam por aqueles dois fatores que foram frisados, fatores estes que as cotas colocariam em risco.


Uma vez esvaziadas de sua maior função social, ou seja, sua alta produção acadêmica de qualidade, as Universidades Públicas não disporiam de mais nenhum apelo ante a sociedade para que continuassem gratuitas, sendo assim, certamente uma cobrança de mensalidade se iniciaria. Por fim, com sua total desvalorização, muitas seriam fechadas e as que permanecessem seriam semelhantes ao que é hoje o Ensino Público nos níveis Fundamental e Médio, ou seja, apenas um dever do Estado que este faz questão de fingir que cumpre para que o povo finja acreditar que recebe tal serviço.


Propostas como as de instalações de aulas de reforço (com matérias do Ensino Médio) nas instituições públicas de Ensino Superior para aqueles alunos oriundos do programa de cotas são, no mínimo, risíveis. As Universidades Públicas já enfrentam uma grave crise financeira (tendo problemas até mesmo para pagar professores e funcionários, ou mesmo para financiar a pesquisa (sem a qual a Universidade não existe) e comprar livros novos para suas bibliotecas ou computadores para suas salas de informática), sendo assim, gostaria de saber com que dinheiro tais aulas seriam ministradas? Quem as ministraria? Onde? Por quanto tempo? Além disso, se é um pressuposto de que a aprendizagem é um ciclo, ou seja, que se deve possuir determinadas competências para que se possa desenvolver outras (caso contrário, por que as aulas de reforço?), como um estudante que não dispõe das competências desejadas e necessárias iria poder se sentar nas mesmas salas de aula que estudantes que dispõem? Acaso a qualidade dos cursos deveria ser reduzida?


Esta última proposta parece absurda demais para ser levada em consideração, mas já foi levantada por alguns. Para eles, poderia haver turmas para cotistas e turmas para não-cotistas (numa espécie de Apartheid Universitário), ou simplesmente uma redução das cobranças por parte dos professores a fim de adequar seus cursos a seus alunos. Aulas em outras línguas? Nunca! Textos que não sejam em Português? Jamais! E pensar que aqueles que estudaram na USP há cerca de 30 anos tinham que saber Inglês, Francês e Latim obrigatoriamente...


Mas, por que as cotas são melhores para o Estado do que para os próprios Negros? Simplesmente porque o Estado não teria que se empenhar em resolver um problema muito mais grave e difícil de resolver, ou seja, o do sucateamento do Ensino Público Fundamental e Médio. A solução ideal, como eu disse não é arrombar a porta, mas sim, dar a chave a todos. Se todos dispuserem de boa qualidade de ensino, chegarão ao vestibular em condições iguais e aí apenas a dedicação de cada um será o critério de desempate. Essa situação seria melhor para o Brasil todo, visto que as próprias escolas particulares, vendo-se ameaçadas pela melhora da qualidade das escolas públicas seriam forçadas a oferecer um ensino cada vez melhor e isto só seria possível com uma melhora das condições profissionais dos professores, os profissionais mais importantes de todas as nações, visto que são os responsáveis pela formação dos cidadãos.

 


        
3 – Conseqüências de uma difusão em larga escala das Cotas:

 

         Acho que qualquer um com bom-senso pode imaginar as conseqüências da implantação da política de cotas para negros em Universidades públicas, no entanto, como estou escrevendo este texto, vou dividir estas conseqüências em dois blocos, ou seja, o das conseqüências positivas e o das conseqüências negativas.


 

         3.1 – Conseqüências Positivas:

 

         Infelizmente, consigo ver muito poucas conseqüências positivas para a implantação do sistema de cotas para negros em Universidades Públicas. Acredito que a melhor de todas elas seria saber que os negros se sentem orgulhosos por outra coisa além de serem negros e que finalmente vão poder vestir camisetas com os dizeres “USP”, “UNESP”, “UNICAMP”, “UEL”, “UFRJ”, “UERJ”... ao invés do “100% Negro” (sobre camisetas, favor ler o final do item 3.2 antes de emitir qualquer opinião que me condene). Nem mesmo a inclusão do negro na sociedade aconteceria, visto que o preconceito se intensificaria de tal maneira que o efeito reverso seria obtido.


 

         3.2 – Conseqüências Negativas:

 

         Notoriamente, além das várias conseqüências que já relatei no item 2, como a possível derradeira quebra do sistema Universitário Público, existem inúmeras outras, entre elas, um surgimento de um racismo declarado no país.


        
É hipocrisia dizer que não há preconceito no Brasil, assim como é ingenuidade falar em Democracia Racial. Sejamos honestos, o preconceito é algo que existe e só sendo encarado dessa forma é que ele pode ser combatido, visto que se fazemos de conta que um problema não existe, naturalmente não veremos motivos para sana-lo.


        
O Brasileiro aprendeu a lidar com seu preconceito ao longo dos anos. Hoje é crime discriminar alguém e várias pessoas já foram processadas e até presas por serem pegas em flagrante. Isso, o medo, tem inserido gradualmente uma noção de respeito pelo semelhante cada vez maior. O preconceito, contudo, ainda está lá. É como um vulcão adormecido, pode dormir por séculos (ou até para sempre), mas sempre há o risco de um abalo o acordar...


        
Quer maior motivo de abalo social do que você se preparar para um vestibular, estudar, fazer uma boa prova e, no final das contas, apesar de ter obtido uma colocação para ingressar em seu curso, se ver fora dele porque alguém que ficou 50, 70 posições atrás de você foi preferido por causa da cor de sua pele. Se tal atitude fosse feita em prol dos brancos, todos diriam que é típica de um regime racista como o da África do Sul de 10 anos atrás. Não há nenhuma justificativa para que o indivíduo tenha sido escolhido em seu lugar, exceto pela cor de sua pele. Pior ainda é se esse indivíduo tiver uma condição sócio-econômica melhor do que a sua; aí sim você sentirá que foi totalmente injustiçado.


        
Dentro de um contexto como este todo o tipo de reação é tida como provável, desde um boicote generalizado a profissionais negros (quer tenham ou não entrado na Universidade através da cotas), visto que seriam automaticamente associados a um nível inferior de profissional, até atentados de grupos racistas (que mesmo a mídia omitindo, existem e que em condições como estas se proliferariam) contra indivíduos de pele negra que cursassem Universidades Públicas.


        
Falemos um pouco da questão do precedente, juridicamente falando, isso é muito importante, visto que se alguém já conseguiu algo semelhante ao que você está pleiteando, suas chances se tornam drasticamente maiores. Nesse contexto, se as cotas para negros forem aprovadas, é muito possível vários outros grupos minoritários obtenham o mesmo direito, sendo assim, teríamos cotas para homossexuais masculinos, para homossexuais femininos, para índios e seus descendentes, para descendentes de orientais, para imigrantes, para deficientes físicos (e até, porque não, para deficiente mentais)... Tudo é uma questão de precedente!


        
Outro ponto de suma importância ainda está ligado ao racismo e este deve ser analisado com ainda mais cuidado do que os demais. Como classificar alguém como negro?



Lula e Ciro na campanha 2002
         No último debate televisivo entre os presidenciáveis no Primeiro Turno das Eleições 2002, esta questão foi levantada entre Ciro Gomes e Lula. O candidato vencedor defendeu exames de sangue para aqueles que se declarassem negros e que fossem escolhidos dentro do programa de cotas. Ciro Gomes replicou dizendo que isso era um absurdo e que a palavra do indivíduo deveria ser o suficiente. Se ele se declarasse negro mesmo sem sê-lo, o problema seria só seu. Lula argumentou que isso não deveria acontecer, visto que não haveria nada para impedir alguém de se declarar negro apenas para se beneficiar do sistema de cotas.


        
Debates à parte, em minha cidade, Piracicaba, interior de São Paulo, em fevereiro deste ano de 2003, houve o primeiro concurso público com cotas (30%) para negros. Era um concurso para ser funcionário da Prefeitura e da Câmara Municipal, além de algumas outras repartições públicas da cidade. A divulgação do concurso era categórica ao afirmar que o candidato que se declarasse negro e não pudesse comprovar sua origem (como se ser negro fosse o mesmo que nascer num determinado lugar, como a Itália, por exemplo) seria indiciado e poderia pegar até 4 anos de prisão.


        
Agora eu lhes pergunto: como é que eles queriam que o indivíduo comprovasse que era negro? Será que bastaria olhar em sua pele? Será que ele teria que levar os pais lá (e se ele fosse adotado)? E se ele fosse pobre, mas branco? E se ele fosse índio?


        
Um último ponto diz respeito às camisetas no estilo 100% Negro. A mim este tipo de camiseta sempre me soou com um quê Fascista. Gosto de camisetas com slogans. Como Carlos criticou, quando entrei na faculdade (e mesmo ainda hoje, se bem que com menos freqüência) utilizava camisetas onde se podia ler coisas como “USP”, ou “História-USP”, ou coisas do gênero. No entanto, quando comprei tais camisetas nunca me passou pela cabeça que eu estaria mostrando a alguém que não está na USP que eu sou superior a ele. Depois de ler o texto de Carlos, me dei conta que algumas pessoas talvez pesassem isso de mim, ou seja, que eu me considerava superior a elas, mas, na verdade, tudo o que eu queria era demonstrar o orgulho que eu sentia em estar na USP, em ter passado no vestibular (o que para mim foi especialmente difícil dadas as condições que se apresentaram em minha vida naquela época). Era uma espécie de desabafo de mim para comigo mesmo no sentido de dizer “Está vendo, você não lutou à toa, você não desistiu, você não se entregou e olha aí a recompensa!”. Não pensei em ninguém mais do que em mim mesmo quando comprei tais camisetas, mas talvez tenha sido mal compreendido.


        
Nunca, porém, passaria pela minha cabeça comprar uma camiseta que indicasse algo que me foi imputado, algo como “100% Branco”, ou mesmo “100% Descendente de Europeu”, ou mesmo algo que tomei como opção, como “100% Ateu”. Acredito que você divulga suas conquistas, aquilo de que sente orgulho por tornar-lhe individual, ou seja, o nome de sua Universidade, de seu curso, da cidade para onde você realizou uma viagem inesquecível, talvez o nome do esporte que você pratique e no qual tenha obtido algum destaque...


        
Parece-me que se alguém visse um indivíduo andando por aí com uma camiseta onde estivesse escrito “100% Branco” e este indivíduo fosse loiro e branco (um típico caucasiano), certamente seu observador depreenderia de sua imagem que ele é racista, que se considera superior, que não gosta de negros, latinos, índios, orientais... Porém, vestir uma com os dizeres “100% Negro” é considerado cult, um sinal de consciência crítica, de engajamento... E ouse dizer que o indivíduo se veste assim porque é racista, porque se considera superior a você! Não sei... É minha opinião!


 

4 – Um Paradoxo Capitalista:

 

Tudo bem! Temos que arrumar o sistema, que reduzir o número de excluído, que dar comida a quem tem fome, que dar emprego a quem está desempregado, que ajudar os necessitados. Tudo isso está escrito na Bíblia que é o livro que rege (de forma direta e indireta) o mundo de hoje, fazendo as leis e regras até mesmo daqueles que não seguem o Cristianismo.


Não discordo plenamente dos ensinamentos Cristãos, mas acho que muitos deles não se encaixam no mundo Capitalista em que vivemos e é aí que entra o paradoxo.


Antes de começar a explicar este ponto, gostaria de dizer que não sou adepto do Neo-Liberalismo e nem sequer simpatizo com a Direita, apenas estou constatando uma dura realidade que, ou bem ou mal, é maior do que nós podemos imaginar e contra a qual, se não lutarmos, nunca obteremos conquistas sociais verdadeiras. Considero-me um indivíduo de esquerda, ainda que não seja membro de nenhum partido político, sempre tive uma inclinação para a Esquerda moderada (não a Pseudo-Esquerda de FHC, mas a Esquerda Moderada de Lula de companhia).


Percebamos, todos aprendemos, quando estudamos os rudimentos da lógica capitalista, ainda na escola, que para que o Capitalismo funcione é necessária a Mais Valia (em outras palavras, o Lucro obtido a partir da exploração da força de trabalho alheia). A Mais Valia necessariamente enriquece uns poucos em detrimento da exploração da massa. Essa massa explorada só interessa por causa de seu poder de consumo e sua força de trabalho que é o que, em última instância, alimenta o Capitalismo.


Sendo assim, para que o sistema funcione adequadamente não é interessante que hajam muitos desempregados, visto que com uma alta taxa de desemprego, o poder aquisitivo da população cai e a economia se desaquece provocando a crise.


Porém, como já foi mencionado, o sistema Capitalista vive da existência de uma incomensurável massa explorada que sustenta os benefícios de uma pequena elite, os únicos reais ganhadores do sistema (são pessoas como Antônio Ermírio de Moraes, Silvio Santos, Roberto Marinho (que já foi tarde!), Antonio Carlos Magalhães, Abílio Diniz... para citar apenas Brasileiros). Há, é verdade, uma Classe Média, que é o sonho de idealização do sistema Capitalista, visto que são pessoas que, se não podem se considerar as campeãs do sistema, ainda conseguem ocupar as posições intermediárias.


Os grandes vencedores precisam de alguns empregados de confiança e bem-qualificados academicamente falando para exerceram as funções administrativas, de chefia, de capacitação de mão-de-obra, de contabilidade... e de muitos peões, cuja formação técnica é a mais desejável, para serem os braços das empresas, são os pedreiros, mecânicos, todos os tipos de técnicos, operários, metalúrgicos, faxineiros, padeiros, trabalhadores do campo...


Foi seguindo essa lógica que, na Idade Média, as primeiras Universidades nasceram no Velho Mundo. Elas tinham o intuito de preparar as elites governantes e, posteriormente também seus asseclas mais diretos (a Classe Média) para suas funções de responsabilidade, entre elas a manutenção do status quo e a descoberta de novas tecnologias a serem empregadas pela força de trabalho que deveria apenas obedecer numa ordem transplantada da Idade Média para o Mundo Moderno: os laboratores, ou seja, aqueles que trabalham.


Até bem pouco tempo atrás, essa ordem funcionou no Brasil. Com poucas Universidades, quando concluíam o Segundo Grau, muitas pessoas se engajavam no mercado de trabalho (tornavam-se empregados com uma qualificação um pouco maior que a daqueles que sequer tinham concluído a escola, ou que eram analfabetos), outros, muito poucos, diga-se de passagem, ingressavam nas Universidades, a maioria das quais era pública. Era muito custoso manter um filho na Universidade, mesmo porque, para que ele pudesse chegar até lá ele deveria ter conhecimento de algumas línguas estrangeiras, além de possuir uma boa bagagem de leitura, mas, o que era fundamental, dispor de muito tempo livre para a pesquisa, afinal, ele agora estava no mundo do saber. Sua carreira estaria ligada a isso.


Com um diploma universitário, a maioria se empregava como altos funcionários em alguma empresa e apenas uma pequeníssima minoria realizava Pós-Graduação, estes, sem exceção, tornavam-se professores universitários, visto que a pesquisa em níveis de Pós-Graduação é direcionada exclusivamente para isso.


Fazer faculdade, portanto, sempre foi o sonho de todo indivíduo da Classe Baixa, pois representava uma perspectiva real de ascensão para a Classe Média. Em busca da fatia do mercado composta pelos filhos da Classe Média que não haviam conseguido ingressar no sistema público de Ensino Superior, começaram a se proliferar cursos universitários particulares, a maioria de baixíssima qualidade porque, na prática, o que eles vendiam não era o preparo acadêmico, mas sim um passaporte para a Classe Média.


Direitos foram sendo concedidos, o mercado foi se aquecendo e aumentando sua demanda por empregados qualificados e, sendo assim, o acesso às Universidades foi se tornando cada vez mais comum.


Hoje, fazer faculdade já não é mais a garantia de um passaporte para a Classe Média, visto que o maior grupo de pessoas desempregadas é justamente aquele composto por indivíduos com Nível Superior. Isso se deve ao fato de que aquele que fez faculdade e que, portanto investiu anos de seu tempo e dinheiro (às vezes muiiiiito dinheiro) não aceita trabalhar em muitos empregos que se destinam a pessoas sem Nível Universitário, daí o desemprego.


Qual se tornou então o passaporte para a Classe Média? A Pós-Graduação. No entanto, ocorre uma descaracterização desse tipo de formação, visto que ela se destina a formar professores universitários, mas têm recebido cada vez mais pessoas visando uma boa colocação no mercado de trabalho, colocação esta que deveria ser garantida a ela por sua Graduação, mas que só irá se abrir após a conclusão de sua Pós-Graduação.


Para o mercado é ruim, visto que começa a ocorrer uma grande retração econômica, ocasionada por pessoas que deveriam estar trabalhando em vagas menos qualificadas, mas que tentam vagas mais qualificadas por causa de seus anos de estudo. Com essas pessoas fora do mercado, a economia começa a se desaquecer e, sendo assim, mais empregos começam a ser cortados e a situação entre em um ciclo vicioso.


Em suma, o que eu quis dizer é que o Sistema Capitalista não comporta um número de Bacharéis muito grande, visto que não possui tantos cargos de status elevado (não pode haver mais caciques do que índios), sendo assim, ele se molda para tentar selecionar as pessoas de outra forma, em outras palavras: a Pós-Graduação.


Hoje luta-se por uma ampliação das vagas e por uma democratização do Ensino Superior, isso custará mais caro às pessoas (visto que, sem nenhuma reprovação ao longo da vida e realizando um curso universitário de duração comum (8 semestres), uma pessoa perderia 15 anos. Anos estes que, se somados com os 7 que a pessoa leva para ingressar na 1ª Série do Ensino Fundamental perfazem um total de 22 anos. Como esperar 22 anos (no mínimo) para ingressar no mercado de trabalho e sem perspectivas melhores do que as que nossos pais tinham quando estavam apenas com 17 anos de idade? Este é um desafio.


A mercantilização da Pós-Graduação é também questão de tempo, visto que, se hoje ela conta com um bom esquema de seleção para impedir àqueles que não lhe são bem-vindos de ingressarem em seu programa (ou mesmo para impedir que aqueles que, mesmo não sendo bem-vindos acabaram conseguindo ingressar, se formem), logo ela não mais contará com isso e, sendo assim, o mercado passará a selecionar as pessoas por seus Doutorados (a rigor, o Doutorado também faz parte da Pós-Graduação, mas aqui, quando fiz referência a ela estava me referindo mais especificamente os Mestrado).


 

5 – Minhas Sugestões:

 

Acho que os debates sobre as cotas podem ser úteis para que se discuta a questão do racismo, no entanto, a crise que se aproxima (no máximo 50 anos se as coisas continuarem nesse passo) é ainda mais importante. Para evita-la (ou não), eu tenho duas sugestões bem distintas:


1 – Deixemos tudo como está, concedamos cotas a todas as minorias, não somente para os negros, pois seria injusto e nem façamos nada para moralizar o Ensino Superior (o Provão e nada são exatamente a mesma coisa, uma prova com 40 teste e 5 questões discursivas não mede o aprendizado de um curso Superior inteiro, muito menos a capacidade de pesquisa do indivíduo)! Acabemos com o vestibular! Em pouco tempo as mesmas requisições serão feitas para a Pós-Graduação (afinal, os formados se depararão com a realidade do desemprego e de que estudaram até ali para nada). Concedamos então os mesmos direitos para a Pós-Graduação e, dentro em pouco teremos um exército de pessoas críticas (porque, ou bem ou mal é impossível passar por tanto anos de estudo sem se tornar crítico) e indignadas com o sistema e aí talvez este caia por terra. Parece um bom plano... hehehehehehe.


2 – Falando sério agora, o que pessoas realmente conscientes deveriam cobrar do governo (levando-se em consideração que não desejem o fim do sistema e, por conseguinte, abrir mão das regalias que uma boa vida Capitalista pode oferecer, como o próprio computador que você está utilizando para ler este trabalho, ou um chuveiro quente e privativo para um banho depois de um dia cansativo) era uma política mais justa em relação aos Ensinos Fundamental e Médio Públicos. Eles deveriam ser moralizados, com professores bem pagos, alunos bem-alimentados (e para isso políticas como o Fome Zero podem ser a solução), segurança nas salas de aula (para alunos e professores), bibliotecas públicas com bons acervos e bem organizadas... Com essas condições os ensinos público e particular se colocariam praticamente em pé de igualdade e, sendo assim, poderia ser cobrada uma política consciente de redução das vagas universitárias para que apenas aqueles com méritos conseguissem entrar no Ensino Superior e para que ninguém que não desejasse seguir a carreira acadêmica fosse obrigado a perder tempo e dinheiro realizando uma Pós-Graduação. Além disso, uma política séria de redução das vagas (e eu falo em se fechar muitas das faculdades particulares que existem Brasil a fora), que só viria a se concretizar definitivamente daqui há 20 ou 30 anos traria de volta a confiança na formação profissional que se tinha há 20 ou 30 anos atrás. Esta proposta pode parecer revoltante à primeira vista, mas eu asseguro que ela contém elementos socialistas, visto que o número de vagas nas universidades seria exatamente igual à demanda do mercado, sendo assim não haveria desemprego entre aqueles que concluíssem o nível universitário e todos disputaria em pé de igualdade por uma vaga nesse sistema privilegiado, é verdade, mas que se encaixa perfeitamente no mundo Capitalista em que vivemos e que, inclusive, torna-o mais humano.


Soluções a curto prazo podem parecer atraentes, especialmente para o jovem que está às portas do vestibular, mas que tem certeza de que não será bem-sucedido. No entanto, para estes eu tenho apenas uma palavra de consolo: saibam que o desemprego é maior entre os Graduados (aliás, é a maior faixa de desempregados no Brasil) do que entre os indivíduos que apenas possuem o Ensino Médio.


Como última consideração neste texto eu apenas tenho a dizer a você leitor que está às vésperas do Vestibular que, caso as cotas sejam realmente aprovadas, tudo o que você poderá fazer é inscrever-se como negro no Vestibular. Depois, caso alguém tente condená-lo a até 4 anos de prisão, você terá apenas que processar o Estado por discriminação racial. Tenho certeza que, por precedêndia, você será vitorioso e terá sua vaga na faculdade, afinal, quem pode negar que você apesar de parecer ser um branco, um índio, um oriental... não se considera "99% Negro"?





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