ANO IV

Novembro - Dezembro 2003
ISSN 1677-8944
Nº 18

Editorial

Certa vez Eduardo Galeano em seu militante “As Veias Abertas da América Latina” citou que “...pobre da nação que necessita de heróis.” e curiosamente nesta semana, recebi  através destes vários grupos que circulam mensagens pela Internet dos quais não sabemos como fomos cadastrados e nem ao menos temos as instruções de como nos retirar, uma mensagem de um grupo de militares aposentados do exército brasileiro, que conclamava seus associados a lutar pela lembrança da memória de Duque de Caxias nas escolas brasileiras, pois a nação estava impregnada pelo “comunismo” do presidente, amante dos “baderneiros” sem terras, que nossas crianças haviam perdido seus símbolos e valores e que estes deveriam ser reconquistados, a exemplo das décadas militares de 60 e 70 quando o Brasil era uma potência no cenário mundial, o que nunca mais voltou a ser.

Um estudante do quarto ano de direito da Universidade Federal do Paraná, em um artigo do jornal da faculdade, ao tratar do polêmico assunto sobre cotas, buscou demonstrar que os negros de certa forma deveriam agradecer por terem sido trazidos para a América, pois em resumo, participaram e conheceram a civilidade e não poderiam conhecer um futuro melhor na devastada África, ou seja, apenas uma questão de escolha: a escravidão na América ou as guerras na África. O que assusta nisto tudo?

Que em ambos os casos, guardadas as devidas diferenças, o que legitima o discurso de ambos é o uso daquilo que estes acreditam como História. A necessidade da construção de heróis e mitos que forjem uma unidade e valores, e a mais completa distorção do conhecimento histórico, capaz de formular teorias ignóbeis e anacrônicas como a do estudante de direito paranaense. 

 Quando não conhecemos nossa História, a resultante é a necessidade dos heróis de Galeano. Por isso a cada número de Klepsidra que você leitor acompanha, pode não afastá-lo de seus heróis, mas reduz a capacidade de tamanha crença que você deposita nos mesmos, tornando-se assim, mais agente de sua própria História e de seu país. Permite que você compreenda a História como nós também a pensamos, distante dos heróis, mais perto dos processos e mais crente no ser humano, o ser histórico, integrado a sociedade como um todo.


Carlos Ignácio Pinto
(outubro de 2003)
 
 
 
Reportagem de Capa
História Moderna

 Rodrigo Elias Caetano Gomes procura, no artigo O corpuscularismo mecanicista: Galileu, Descartes e a base de uma nova verdade, avaliar a importância de dois pensadores que, no século XVII, fazendo uso de tradições intelectuais diversas, lançaram as bases de uma noção de legitimidade intelectual que só seria seriamente questionada no século XX.



 
História Moderna

 Renascimento e Barroco: análise e comparação, de Cássia Rodrigues Bars, procura estudar estes dois importantes movimentos da História da Arte a partir de dois de seus principais artistas: Botticelli e Caravaggio. O texto traça um histórico de cada um dos períodos para depois partir para análises aprofundadas de cada um dos movimentos e dos artistas em especial.



 

História Contemporânea

 A rica, porém esquecida, história das radionovelas no Brasil está no ensaio Ficcão Radioativa: é possível contar histórias potencializadas pelos efeitos excepcionais do áudio eletrônico,de Rudyard Leão, que é autor de radionovelas além de profundo conhecedor do tema. Contando a história do rádio e das radionovelas na Europa, nos EUA e no Brasil, o texto mostra as relações entre as diferentes radionovelas e seus contextos históricos, como o caso da famosa "A Guerra dos Mundos", de Orson Welles.

  
 

Cinema e História

  Da década de 1880 à de 1970, o Estado Australiano colocou em prática uma política segregacionista, discriminatória e racista frente à minoria aborígine. Crianças mestiças eram retiradas de suas comunidades e levadas a "centros civilizatórios". Aborígines e Estado Australiano: sangue, civilização, segregação racial e... coelhos, de Gabriel Passetti, discute esta política australiana a partir do filme "Geração Roubada", de Phyllip Noyce.




Resenha

 Peter Brown, professor de História Antiga na Universidade Princeton (EUA), escreveu sobre um dos menos estudados e mais importantes períodos para a História das Mentalidades Ocidentais. Trata-se da consolidação da mentalidade judaico-cristã no ocidente romano. Em Corpo e Sociedade: o homem, a mulher e a renúncia sexual no início do cristianisno, são discutidas as diferentes linhas teológicas que povoaram a Europa e o Oriente Próximo desde São Paulo até Santo Agostinho (séculos I a V d.C).


 
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