| Arqueologia:
dos ladrões de túmulos aos processuais cognitivos |
Introdução:
Este texto não
foi originalmente produzido para a Revista Klepsidra, mas, ao
contrário, foi
nela publicado como parte de um projeto editorial de apoio à pesquisa
acadêmica. Este projeto propõe a publicação de relatórios de Iniciação
Científica, de projetos e pré-projetos de Mestrado e de relatórios
finais de
cursos de pós-graduação. O presente trabalho se enquadra precisamente
nesta
última categoria e, portanto, excetuando-se este primeiro parágrafo e o
item 4,
incluídos a posteriori, para elucidar a compreensão do leitor,
não terá
a mesma clareza habitual presente em meus textos em Klepsidra. Esta
limitação
deve-se não a um desejo meu como autor, mas a uma imposição do meio
acadêmico
que pretere trabalhos cuja linguagem seja menos rebuscada e, por
conseguinte,
de acesso mais amplo. É uma pena!
No segundo semestre de
2003, o
primeiro semestre do período deste curso de Mestrado, o curso escolhido
pelo
orientando Danilo José Figueiredo, com o aval duplo de sua orientadora
Drª.
Maria Luiza Corassin e da ministrante Drª. Elaine Farias Veloso Hirata,
foi
“Arqueologia e Religião: Questões de Método e Estudos de Casos”.
Após a triagem
de cursos e escolha prévia do orientando, este e sua orientadora
realizaram uma
discussão no sentido de avaliar a pertinência do curso para a
dissertação que
se está desenvolvendo. A conclusão conjunta a que puderam chegar foi a
de que
apesar de o curso aparentemente, por sua descrição e bibliografia
apresentadas
na página do sistema Fênix Web, não estar diretamente relacionado à
dissertação
em progresso, ainda assim seria a melhor escolha passível de ser feita.
Colaboraram
para a escolha do curso os seguintes fatores a serem tomados em conta:
-
Prazo
de três semestres a partir do ingresso do mestrando no sistema de
pós-graduação
em História Social da USP – departamento em que está vinculada a
pesquisa em
andamento – para a conclusão dos trinta e dois créditos em disciplinas
de
pós-graduação.
-
Escassez
de disciplinas, nos demais departamentos da USP, que estivessem mais de
acordo
com a proposta da pesquisa em si.
-
Pertinência
do curso e dos conhecimentos em Arqueologia a que se propunha trabalhar
para a
formação de um futuro docente de nível superior na área de História
Antiga.
Neste trabalho de
conclusão de
curso, o que se deve avaliar é tanto o aprendizado advindo deste curso,
aprendizado este cuja avaliação, é importante que seja ressaltado, não
será
apenas limitada a este trabalho de conclusão, mas também contará com as
resenhas dos textos trabalhados em sala de aula, um questionário acerca
de um
desses textos e as discussões realizadas entre professora ministrante e
alunos
ao longo de sua duração. Além do aprendizado obtido, este trabalho
também tem
por objetivo – inclusive este é seu objetivo principal – avaliar a real
contribuição do curso para a dissertação de Mestrado em desenvolvimento.
Este trabalho não tem,
por
conseguinte, a obrigatoriedade de analisar quaisquer sítios
arqueológicos, de
encontrar uma real aplicação do curso realizado para a dissertação em
curso, de
propor novas teorias ou mesmo de se esgotar em si mesmo. A única
obrigatoriedade deste trabalho é ser um relatório de aprendizado e de
possíveis
implicações do curso na dissertação de mestrando.
1 – Espacialidade,
Temporalidade
e Fontes do Curso:
O curso
ministrado pela Drª. Elaine Farias Veloso Hirata dividiu-se em quatro
partes
distintas, mas que se inter-relacionavam: inicialmente tratou das
teorias da
Arqueologia no intuito de familiarizar os pós-graduandos com o
pensamento
arqueológico e com a História da Arqueologia; em seguida, tratou-se da
Cultura
Minóica e dos achados arqueológicos que compõem a gama de conhecimentos
que
detemos acerca desta cultura atualmente; passou-se então para o estudo
da
Grécia Micênica e de suas relações com a Cultura Minóica; por fim,
discutiu-se
o surgimento das póleis e a vida tanto na Grécia, quanto nas colônias
gregas.
|
Os textos
indicados para leitura obrigatória e opcional mostraram-se muito
pertinentes
para os assuntos que se estava discutindo, trabalhou-se com estudos de
caso
arqueológicos, com modelos de escavação e dedução para a Arqueologia do
Culto,
como o de Colin Renfrew, com teorias interpretativas como a de Ian
Hodder e com
diversos textos descritivos de períodos, estudados.
|
![]() Colin Renfrew |
As indicações
bibliográficas específicas para a realização deste trabalho comparativo
foram
também de grande proveito, pois através delas foi possível observar
outros
aspectos contidos na criação de um mito, ou, melhor dizendo, de um
personagem,
visto que o objeto da dissertação de mestrado que está em progresso,
como será
referido no item seguinte deste trabalho, não é Júlio César e nem
sequer seu
mito, mas o personagem chamado Júlio César da maneira que foi
construído pelos
biógrafos Suetônio e Plutarco, em suas obras “A Vida dos Doze Césares”
e “Vidas
Paralelas”.
A periodização
do curso, no entanto, difere em muitos séculos dos dois períodos
históricos
relevantes para a dissertação de mestrado que se desenvolve, ou seja, a
primeira metade do século I a.C., época em que viveu Júlio César e a
virada do
século I d.C. para o século II d.C., período em que viveram tanto
Suetônio quanto
Plutarco. O curso centra-se num período muito mais recuado, com seu
objeto
primeiro – Cultura Minóica – iniciando-se por volta do século XXI a.C.,
o
segundo objeto de que trata o curso, a Cultura Micênica, também data de
um
período extremamente recuado, anterior ao XII século a.C.. Apenas a
Grécia
Arcaica data de um período um pouco mais próximo no tempo, porém, ainda
assim,
distante mais de seis séculos no tempo do período central da
dissertação.
As diferenças
espaciais também são muito relevantes, na medida em que Júlio César
viveu em
Roma, na Itália – além de passar oito anos em campanha nas Gálias
(atual
França) – e o curso centrou-se no estudo da Grécia e do mundo Grego, ou
seja,
Creta, as Cíclades, a Jônia e, apenas em menor escala, a Magna Grécia e
a
Sicília.
Contudo,
apesar das diferenças temporais e espaciais, pode-se constatar que o
curso foi
proveitoso para o desenvolvimento da dissertação na medida em que
proporcionou
instrumentos de análise crítica capazes de auxiliar um arqueólogo na
descrição
de um culto extinto através de abstração sobre os achados
arqueológicos,
processo que pode muito bem ser transportado para a História no sentido
de se
propor motivações aparentemente impossíveis de serem determinadas, mas
que, com
a análise dos vestígios e a abstração adequadas podem se tornar
exeqüíveis.

2 – Espacialidade,
Temporalidade e Fontes da Dissertação:
A dissertação
em fase de desenvolvimento tem como ponto central as biografias de Caio
Júlio
César, um dos principais políticos da fase final da República Romana e
cuja
história de vida teve importância crucial para as transformações
políticas
imediatamente posteriores à sua morte que levaram seu sobrinho Otaviano
a se
tornar o primeiro Imperador de Roma, pondo um fim tanto à Guerra Civil
que se
instaurara quanto à própria República.
O estudo dos
feitos político-militares de Júlio César, ou mesmo de sua vida como um
personagem histórico, já são temas bastante trabalhados no campo da
História
Antiga e, dessa maneira, apesar de obras novas a esse respeito ainda
estarem
sendo produzidas nos dias atuais, pode-se considerar que estes temas já
estão
bastante bem estabelecidos no meio acadêmico, o que faria com que uma
tese de
doutoramento ou dissertação de mestrado se tornasse por demais
repetitiva para
que se justificasse.
O intuito da
dissertação do mestrando é, portanto, não o de analisar os fatos da
vida de
César, mas sim, o de ler, compreender e, sobretudo, comparar suas duas
biografias escritas por Suetônio e Plutarco. As duas biografias são
diferentes
e, em muitos aspectos, conflitantes, uma vez que as dessemelhanças
entre os
autores são enormes.
Inicialmente,
devemos mencionar que ambos os biógrafos são praticamente
contemporâneos, visto
que nasceram em meados do século I d.C. e faleceram na década de 120
d.C., além
disso, ambos eram filhos de famílias ilustres e detentores de certo
prestígio
social, no entanto, se por um lado Suetônio foi arquivista imperial no
governo
de Adriano, por outro, Plutarco era grego e, como tal, um mero
habitante do
mundo colonial Romano e não um cidadão como Suetônio.
Além das distinções
iniciais, também
devemos traçar as diferenças políticas entre ambos, uma vez que
Suetônio era
partidário do Senado e estava envolvido com a alta cúpula da sociedade
Romana,
sobre quem, inclusive, escreveu, uma vez que sua obra mais famosa: “A
Vida dos
Doze Césares” trata justamente de Júlio César e dos onze primeiros
Imperadores
de Roma e, conseqüentemente, de suas relações com seus séqüitos
particulares e
desafetos políticos, o tipo de indivíduos que fazia parte da
convivência diária
de Suetônio. O estilo de Suetônio é considerado pouco crítico, se bem
que sua
parcialidade seja notória em relação à ala Senatorial, da qual era
simpatizante. Já Plutarco, foi sacerdote do famoso oráculo de Delfos,
tendo
viajado por diversas partes do mundo mediterrâneo, inclusive Itália e
Egito,
quando retornou à Grécia, passou a escrever sobre as vidas de
personagens
ilustres e terminou por produzir 46 biografias chamadas, em conjunto de
“Vidas
Paralelas”. Nestas biografias, Plutarco
conta, com um espírito muito pouco crítico, as histórias de dois
grandes
políticos, sempre um grego e um estrangeiro, de modo que seja possível
encontrar um paralelo – em geral posterior – daqueles grandes heróis
gregos do
passado Clássico e Helenístico. As obras de Plutarco adquiriram
importância tal
durante o Renascimento que, além de influenciarem grandes escritores
como
Shakespeare, ou pensadores como Rousseau, Montaigne, Alfieri e
Schiller, ainda
deram as bases para a prosa literária francesa e inglesa da Idade
Moderna.
Plutarco adquiriu tal renome que seu nome passou a ser sinônimo, nos
dicionários de diversos idiomas, de biógrafo.
![]() Busto de Júlio César |
Ambas as biografias se assemelham em
estilo, uma vez que seguem uma perspectiva cronológica ao relatarem a
vida de
Júlio César. Nenhuma inicia-se por sua infância, mas, ao contrário,
pelo início
precoce e frustrante de sua carreira política, aos 16 anos, ao ser
nomeado
sacerdote de Júpiter. Segue-se então a narrativa quase linear dos fatos
da vida
de César, sendo que, por vezes, autores como Tito Lívio, Cícero e
Salústio são
citados como tendo sido fontes óbvias daquilo que é relatado, além
disso, tão
óbvio quanto o fato de Suetônio e Plutarco terem tido acesso aos
escritos de tais
autores é o fato de ambos também terem lido “Os Comentários sobre a
Guerra das
Gálias” e “A Guerra Civil” de autoria do próprio César. As semelhanças estilísticas podem ser tidas como normais tendo-se em conta que ambos os biógrafos foram contemporâneos, pertencentes às elites de seus países, conhecedores do mundo – e dos heróis – Romanos e, possivelmente tendo se conhecido, senão pessoalmente, ao menos através de terceiros, devido a seus escritos. |
Porém, o que mais pode
ser digno de nota nestes dois trabalhos sobre o mesmo indivíduo é o
fato de
Suetônio, apesar de romano, dar menos valor aos bons feitos e condenar
mais as
atitudes negativas de César do que Plutarco, que era grego e cujo
personagem
grego que escolhera para ser o contraponto da biografia de César fora
ninguém
menos do que Alexandre, o Grande. Plutarco efetivamente exalta os
feitos de
Júlio César e aparentemente não questiona o fato de sua divindade –
atribuição post
mortem – ser fidedigna. Suetônio, por sua vez, apesar de não negar
os feitos
de César como um todo, faz o possível para denegrir sua imagem ao
enfatizar seu
possível caso amoroso com Nicomedes, Rei da Bitínia; além disso, no
final de
sua “Vida de César”, Suetônio afirma categoricamente que César mereceu
morrer
por ter se coberto de títulos e honras e por demonstrar um enorme
desprezo
pelas tradições do povo Romano.
| Tal diferença aparentemente ilógica, ou seja, um romano denegrindo a imagem de um herói de Roma e um grego exaltando-a torna-se compreensível na medida em que compreendemos as motivações de cada um dos autores: para Plutarco, como grego, fazia-se interessante que César parecesse o mais poderoso e glorioso o possível, posto que assim, ao supera-lo, Alexandre teria suas honras aumentadas ainda mais. Quanto a Suetônio, apesar de romano, como já foi afirmado, o autor era partidário da elite Senatorial, herdeira política dos antigos Optimates do final da República, facção política – ou factio, mais propriamente escrito – antagônica àquela que impulsionou a carreira de César e fez com que ele pudesse se tornar Ditador: os Populares. | ![]() Busto de Plutarco |
Em toda a sua vida
política, César
sempre defendeu as tradições nascidas das reformas dos Gracos e levadas
– antes
dele – às últimas conseqüências por seu tio Mário, que fora sucedido
por Sila,
aquele que o caçara (a César) do início de sua vida política até o
momento em
que resolvera abandonar o cargo de Ditador, atrasando os planos de
César em
muitos anos e, inclusive, fazendo-o cair prisioneiro de piratas durante
uma
tentativa de fuga.
Apesar de a pesquisa que
dará origem
à dissertação de mestrado relacionar-se com e inserir-se no campo da
História
Antiga, suas fontes são fundamental e exclusivamente textuais, sendo
assim, a
Arqueologia e a análise de fontes materiais podem fornecer muito pouco
suporte
a ela em específico, mas, certamente, fornecerão suporte à futura
carreira
docente do mestrando.
3 – Conclusão:
Originalmente,
devido a todos os aspectos já mencionados e às perspectivas prévias
acerca do
curso, a impresso original tanto do mestrando quanto de sua orientadora
era a
de que a disciplina em específico teria muito pouca relação com a
dissertação
de Mestrado a ser elaborada. Porém, ao contrário das expectativas, o
curso
mostrou-se útil.
É verdade que a escala de
utilidade
que se pode atingir é muito restrita justamente pelo distanciamento
espacial e
temporal entre o período estudado pelo orientando e aquele trabalhado
na
disciplina. Além disso, a dissertação se pauta unicamente em fontes
textuais e
não poderá fazer uso de fontes materiais como as que constituem o
objeto de
estudo da Arqueologia.
Apesar de tudo, a
bibliografia
indicada e os períodos estudados puderam elucidar pontos de suma
importância
não apenas para o futuro profissional de História Antiga, mas para – e
especialmente para – a própria dissertação de Mestrado a ser
trabalhada.
Com a obra de Colin
Renfrew, foi
possível perceber que idéias seculares tidas como imutáveis, como a de
que é
impossível, em termos científicos, inferir sobre a religiosidade de uma
época
passada, podem ser derrubadas às custas de pesquisa de fontes e de
abstração
acerca delas.
A partir da obra de
Price, tornou-se
mais compreensível a transição dos cultos individuais desde os tempos
dos
cultos heróicos dos Períodos Arcaico e Clássico, passando pelos cultos
reais do
Período Helenístico e, finalmente, chegando aos cultos a indivíduos
abastados
e/ou militares importantes e à Deusa Roma, no período final da
República
Romana, quando a Grécia já estava submetida ao domínio de Roma. Tais
cultos
podem ter sido uma espécie de precursores do culto imperial que veio a
se
desenvolver na Grécia e em suas antigas colônias sob o domínio Romano.
Como o
indivíduo cujas biografias constituem o objeto da dissertação de
mestrado em
andamento foi consagrado com honras divinas após sua morte, pode-se
muito bem
incluí-lo como sendo um precursor do culto imperial, inclusive porque,
o
próprio Price, em sua obra, retrata dois templos em honra de Júlio
César e um
terceiro com possibilidades de também ter sido dedicado a ele, todos na
Ásia
Menor, respectivamente nas cidades de Éfeso, Nicéia e Xanthos, neste há
apenas
a possibilidade da existência de um templo a César.
Entretanto, foi a análise
acerca da
ideologia feita por Conrad e Demarest que se mostrou a maior
contribuição do curso
realizado para a dissertação em curso. Em seu texto, os autores
discorrem
acerca dos Impérios Inca e Asteca, civilizações não tão distantes de
Roma no
tempo, quanto a civilização Minóica, por exemplo, mas certamente, muito
mais
distantes dela em termos culturais do que qualquer
outra cultura do Mediterrâneo poderia estar. Pois bem, se por um
lado Conrad e Demarest se debruçam sobre essas civilizações Ameríndias,
por
outro, na verdade, o tema principal de sua obra é o de que a ideologia
é o
principal agente de mudança de um povo e deve ser encarado como tal. Os
autores
contrariam as teses de que a religiosidade possa ter apenas implicações
políticas e enveredam pelo caminho oposto ao afirmarem que a política
sim possa
ter motivações religiosas.
Agora vejamos, se a
política pode
ser um instrumento de ação religiosa e acabar modificada pela ideologia
dos
cultos, então, podemos dar uma nova interpretação aos feitos de Júlio
César
tais como descritos por Suetônio e Plutarco, na medida em que César
foi, em última
instância, um grande general, o homem responsável pela conquista das
Gálias à
República Romana. Segundo as teorias tradicionais, a expansão
territorial se dá
por conta de um crescimento populacional exacerbado e descontrolado que
passa a
demandar mais terras do que aquelas disponíveis, o que pode-se observar
de uma
forma clara na atitude de Mário, antes de César, de permitir o ingresso
de
não-proprietários de terra nas forças armadas como forma de
engrandece-las com
o ímpeto conquistador de indivíduos desprovidos de terras que visavam
consegui-las por meio de seu empenho nas legiões de Roma. No entanto,
se Conrad
e Demarest estiverem corretos em suas afirmações, então a expansão
territorial
de César não se deveu à necessidade de terras, mas a impulsos
ideológicos de
cunho religioso.
Em nenhuma hipótese é
incorreto
aplicar a teoria de Conrad e Demarest a Roma, na medida em que os
próprios
autores sugerem que ela não é restrita à América Pré-Colombiana, apenas
foi
desenvolvida tendo-a como base para seus argumentos. Indicam-na, como
faz
Renfrew com suas conclusões sobre o Santuário de Phylakopi, como um
modelo
universal onde, o que não se enquadra é que se trata de uma exceção.
| A relação diacrônica entre política e religião se dá, segundo os autores, na medida em que geralmente as elites governantes da política – em especial em sociedades mais antigas – também estão relacionadas à religiosidade e, sendo assim, são capazes de realizar pequenas alterações estratégicas nos cultos de modo a fazer com que eles se adequem mais a seus propósitos políticos e, por que não, militares. | ![]() A Ilha de Melos, onde situa-se o Santuário de Phylakopi |
Talvez tenha sido
justamente isso
que César tenha feito ao, como sugerem Suetônio e Plutarco, saquear o
tesouro
do Santuário Capitolino, ou ao erigir estátuas suas em santuários
Galeses. Tal
possibilidade também se encaixa na hipótese da Norma de Culto Bipolar
tão bem
exposta pela Drª Elaine Farias Veloso Hirata, onde se erigia centros de
culto
relacionados ao conquistador em pleno território conquistado de modo a
fazer
com que as populações conquistadas tanto se rendessem ao novo culto,
quanto
tivessem presente em suas vidas o reforçamento da noção de
superioridade
militar do conquistador.
É interessante, porém,
que se note
que todos os elementos fornecidos pelo curso ao mestrando são elementos
de
pesquisa que podem auxiliar muito na compreensão dos fatos da vida de
César,
mas pouco na compreensão de seu personagem criado nas biografias de
Suetônio e
Plutarco. Para tanto, as melhores fontes ainda permanecem textuais,
tratam-se
das obras dos próprios autores estudados, das obras de autoria do
próprio Júlio
César, das obras de autores contemporâneos a César e, por fim, das
obras atuais
que analisam tanto o gênero biográfico, quanto o período estudado,
quanto os
autores trabalhados. Uma nova fonte de elementos para se pensar,
contudo, como
a fornecida pela disciplina ministrada pela Drª. Elaine Farias Veloso
Hirata,
não deve ser descartada e pode, inclusive, ser vista como uma
possibilidade
futura de encaminhamento da presente pesquisa em níveis de doutoramento.
4 – Breve
Histórico da Arqueologia Ocidental:
Como já
mencionado no início da introdução deste texto, este é o único item que
não fez
parte do trabalho originalmente entregue no Museu de Arqueologia e
Etnologia da
USP. Sua inclusão nesta versão destinada à publicação em Klepsidra
deve-se à
necessidade que, a meu ver, a revista possui de estar ao alcance de
todos,
sendo assim, de elucidar os pontos levantados em seus textos e não
apenas
levanta-los como se se destinasse unicamente a conhecedores plenos do
assunto.
Como diz um amigo também professor de História, João Adair Campagnolo:
“O
verdadeiro sábio é aquele que se faz entender a doutos e ignorantes!”.
Agora vamos ao
item em si. Lembrando que tudo o que abaixo está escrito remete-se não
a
leituras realizadas durante o curso, mas às anotações de aula do
referido curso
e, portanto, às exposições da Professora Drª Elaine Farias Veloso
Hirata.
Durante o
Renascimento houve uma retomada da Cultura Clássica, intitulada na
época de
Helenismo. Em termos práticos isso representou uma recuperação das
fontes com
reedições dos textos clássicos, além disso, a fim de estudar as
esculturas e a
arquitetura deixadas pelas grandes civilizações do passado, surge
também a
Arqueologia.
Viagens à Grécia
começam a se tornar freqüentes, inclusive Monarcas dos principais
países da
Europa passam a incluir a Grécia em seus roteiros de férias e/ou
viagens
científicas, como, inclusive fez, anos mais tarde, o Imperador
brasileiro Dom
Pedro II. A Grécia, portanto, torna-se o principal alvo do vandalismo
Arqueológico Europeu dos primeiros tempos da Arqueologia. Um exemplo
claro
disso foi a ordem de Luís XIV, o auto-intitulado Rei Sol da França
setecentista, aos seus embaixadores para que trouxessem tudo o quanto
fosse de
valor Arqueológico para a França a fim de enriquecer os museus Reais. A
Arqueologia, nesta época e até meados do século XIX (ou princípios do
século XX
em casos como o do Egito) era praticada por ladrões de sepulturas,
indivíduos
movidos por interesses próprios e não-científicos que roubavam o que
podiam
para vender tanto a colecionadores particulares (daí as inúmeras
coleções de
antigos magnatas que hoje, nas mãos de seus herdeiros que não souberam
manter
seus negócios à pleno vapor depois das crises econômicas do século XX,
viajam o
mundo de museu a museu em forma de exposições fantásticas), quanto aos
diversos
museus de seus países, o que importava era quem pagaria mais. Os
grandes museus
da Europa, inclusive, só puderam formar os acervos magníficos de que
hoje
dispõem por conta das doações de magnatas excêntricos que, ao invés de
colecionarem antiguidades em suas casas, preferiam ser vistos como
beneméritos
da sociedade ao financiarem os museus de suas cidades para que estes
comprassem
as obras e as colocassem em exposição para que todos vissem (é óbvio
que, ao
lado da obra sempre se apresentava uma placa com uma inscrição que
dizia algo
como: “uma cortesia de fulano de tal”).
Os saques,
contudo, representaram em muitas vezes, a salvação da maior parte das
obras
roubadas, uma vez que muitas delas, caso tivessem permanecido em seus
países de
origem, teriam sido destruídas nas tantas guerras que assolaram o
continente
Europeu nos séculos XIX e XX. Para se ter uma idéia, o próprio Partenon
já
chegou a ser utilizado como paiol de munições. É, porém, muito pouco
provável
que as antigas potências imperialistas, em especial França e
Inglaterra,
devolvam a seus países de origem qualquer quantidade substancial de
artefatos
Arqueológicos, isso porque tais objetos já estão há tanto tempo nos
museus de
Londres e Paris que já passaram a fazer parte do patrimônio cultural
daqueles
países. Há, no entanto, grandes movimentos de petição e proteção
cultural,
especialmente na Grécia, no sentido de readquirir tais achados. Em
Atenas, por
exemplo, há um abaixo assinado com mais de um milhão de assinaturas
requerendo
a devolução daquilo que os Gregos chamam de Patrimônio Grego Roubado.
O Iluminismo
do século XVIII, também chamado de Século das Luzes, espalha pela
Europa Ocidental
o culto ao racionalismo Greco-Romano. Também o Anti-Semitismo que
começava a
ressurgir depois de quase um século de relações mais amenas baseia-se
em muitos
sentidos na contraposição entre as culturas Clássica (Europa Ocidental
e
Grécia) e “Bárbara” ou Oriental (Fenícia, Judéia, Mesopotâmia...).
Nesse sentido,
a Arqueologia do século XVIII não tinha pretensões de estudar a Cultura
Grega,
mas sim, de apreciá-la colecionando suas obras-primas, obras essas que
agradavam ao bom gosto estético das elites governantes da Europa
Ocidental e
aos Déspotas Esclarecidos. Achados Arqueológicos que viessem a
contribuir
contra a idéia de racionalismo da Cultura Grega eram deliberadamente
“esquecidos” nos porões dos museus, como no caso, por exemplo, de
algumas estatuetas
de chumbo incrustadas com pequenos pregos, achado que sugere a prática
de magia
(ou seja, a idéia de que uma ação perpetrada contra um símbolo pode
incorrer
numa reação contra um indivíduo) entre Gregos, o que é vetado pelo
racionalismo
e foi encontrado no porão do Museu de Atenas.
A Arqueologia
Pré-Histórica, aquela voltada a escavar as civilizações da Europa
continental e
insular não-Mediterrânea acabou por se desenvolver de uma forma mais
rápida que
a Arqueologia Grega, uma vez que foi obrigada a lutar contra muito mais
paradigmas do que aquela que, ou bem, ou mal, podia se dar ao luxo de
se apoiar
também em fontes textuais.
Somente por
volta de meados do século XIX é que as primeiras Escolas de Arqueologia
das
grandes potências Européias começam a surgir. A pesquisa Arqueológica
na Grécia
propriamente dita só se estrutura a partir de 1870, mesmo com a Escola
de
Arqueologia Francesa de Atenas datando de 1846.
A exploração
Arqueológica da Grécia era realizada através de Missões Arqueológicas,
ou seja,
grandes empreendimentos financiados por magnatas de seus países que
compravam
do governo Grego o direito de explorar determinadas áreas por um
determinado
tempo. Todas essas missões eram gerenciadas pelo Serviço arqueológico
Grego
que, no entanto, por possuir menos recursos, acabava escavando muito
menos do
que as Missões Arqueológicas Estrangeiras.
Apesar de as
escavações perpetradas pelas grandes Missões Arqueológicas do século
XIX terem
tido um objetivo muito mais estético e filológico do que científico e
um
caráter muito mais semelhante ao de grandes obras públicas do que de
expedições
científicas minuciosas, a principal contribuição desse período para a
Arqueologia foi a profissionalização (academicamente falando) dos
Arqueólogos.
Após sua
unificação
tardia, a Alemanha, ao ter que se esforçar para cobrir o tempo de
vantagem que
as demais potências possuíam sobre ela, acaba por despontar como a
principal
força da Arqueologia Clássica no século XIX, posição esta que se mantém
até a
Primeira Guerra Mundial, acontecimento que destrói a economia Alemã e
impossibilita o país de prosseguir com suas Missões Arqueológicas, ao
menos até
os anos 1930, quando Hitler realiza o milagre econômico Alemão e dá a
esse país
novamente a preponderância Arqueológica Européia, preponderância esta
que se
baseia não apenas na força econômica da Alemanha, mas principalmente na
fixação
Nazista pela estética Clássica.
Após a Segunda
Guerra Mundial, a crise econômica que assola a Europa faz com que os
grandes
projetos Arqueológicos do passado sejam definitivamente abandonados. Em
seu
lugar, surge uma necessidade de se estudar e refletir sobre os milhares
de
achados já desenterrados ao longo de dois séculos de escavações sem
preocupação
científica.
Dentro desse
novo contexto de acontecimentos do Pós-Guerra, Langlotz é o primeiro a
propor
uma regionalização Arqueológica da Grécia. Para ele, ao invés de
estudos
relativos à Arqueologia Grega, os pesquisadores deveriam dedicar-se a
estudos
referentes à Arqueologia de Olinto, ou à Arqueologia de Delfos, ou à
Arqueologia de Atenas...
A impossibilidade de se
financiar
grandes obras de escavação faz com que partes outrora ignoradas ou
preteridas
dentro dos sítios Arqueológicos passem a obter maior atenção por parte
dos
pesquisadores, sendo assim, casas, louças profanas, objetos do
dia-a-dia do
cidadão comum, etc passam a ser mais valorizados nessa nova visão
Arqueológica,
em detrimento da visão antiga que valorizava apenas obras de arte,
templos,
palácios e pertences de aristocratas, ricos e governantes.
A cientificidade, porém,
só se
estabelece definitivamente nas escavações Arqueológicas Gregas à partir
da
década de 1950, isso, graças aos métodos de Wheeler. Equipes
pluridisciplinares
passam a buscar a análise da vida das regiões estudadas, dessa forma,
já não se
estudava apenas o santuário (ou necrópole, ou palácio), mas também a
cidade em
que estava inserido, bem como seus arredores, a fim de se compreender
as vidas
das pessoas que realizavam as oferendas e os cultos que movimentavam a
vida do
templo, ou que pagavam os impostos que mantinham o palácio, ou ainda,
que eram
enterradas na necrópole.
Nessa época, os países do
Bloco
Socialista, por sua vez, desenvolveram uma forma de Arqueologia muito
particular, uma que, por se pautar na teoria da luta de classes de
Marx, se
preocupava com a cultura material, ou seja, constituía-se num extenso
estudo
das comunidades no sentido de se documentar a vida dos oprimidos para,
dessa
forma, ao se comparar suas histórias com as das elites, chegar-se a uma
História dos menos favorecidos. As técnicas de escavação, bem como de
análise
utilizadas pela URSS eram muito superiores àquelas empregadas pelos
países
Capitalistas, isso porque havia investimento estatal nos projetos
Arqueológicos, projetos estes que, num mundo pautado na obtenção de
lucros,
acabam sendo secundários frente à reconstrução econômica do Pós-Guerra.
Dentro dessa onda
modernizadora que
atingiu a Arqueologia à partir dos anos 1950, mas, mais fortemente à
partir da
década de 1960, a única frente da Arqueologia a resistir continuava a
ser a
Arqueologia Clássica. Para Etienne: “Se havia um bastião a resistir aos
ventos
modernizadores da década de 1960 foi a Arqueologia Clássica que não
podia se
envolver, sem se enfraquecer, com a Antropologia”.
Em meio a todas as
mudanças teóricas
que atingiam a Arqueologia no Velho Mundo, nos EUA surge um movimento
que é
batizado de New Archaeology, em outras palavras, a Nova
Arqueologia.
Para estes novos teóricos, a falha da Arqueologia tradicional estava no
fato
dela partir do estudo de fontes materiais e tentar concluir a
realidade. Nesse
sentido, seu método, batizado de hipotético-dedutivo, seria muito
superior,
visto que visava a formulação de uma hipótese prévia e, a partir de
estudos de
fontes materiais, a obtenção de sua comprovação ou negação. Dentro
dessa nova
perspectiva, o inglês Vere Gordon Childe, ao escrever o livro “O que
aconteceu na História?”, propõe uma linha de estudo das sociedades
antigas
que se inicia no Oriente e desemboca nas sociedades ditas Clássicas, ou
seja,
Grécia e Roma. Esse modelo inicialmente ficou restrito à Inglaterra,
mas hoje
ainda é utilizado nos níveis de ensino inferiores ao Superior, visto
que
tradicionalmente se estuda primeiramente as sociedades Orientais (ou
Hidráulicas),
depois a Grécia e, por fim, Roma.
Em sua busca por modelos
exatos, a New
Archaeology passa a se afastar da História, considerada muito
subjetiva, e
a se aproximar de Ciências Exatas, ou da Natureza. Essa necessidade de
distanciamento do subjetivismo, contudo, fez com que a New
Archaeology
terminasse por se aproximar muito de idéias Positivistas, pois, na
medida em
que traçava modelos exatos, concluía que o que descobria era real e
científico per
se.
Renfrew dizia que a Grande
Ruptura entre a Arqueologia Clássica e a New Archaeology
diferenciou-as no sentido em que a primeira se baseava no estudo de
grandes
obras e a segunda, no estudo de teorias.
Nos anos 1980, na
Inglaterra, a
Escola de Cambridge começa a discutir em que medidas a Arqueologia
Clássica
teria a ganhar se incorporasse técnicas da New Archaeology e,
em
contrapartida, em que esta poderia se fortalecer se pudesse se tornar
um pouco
mais parecida com a Arqueologia Clássica. Toda essa discussão foi
fomentada
pela força da Arqueologia Pré-Histórica no país, visto que boa parte
dos
vestígios de Culturas Neolíticas da Europa se encontram na Inglaterra.
As discussões que se
estenderam por
vários anos acabaram por realizar uma forte crítica ao cientificismo
exacerbado
da New Archaeology, porém, a idéia (fortemente presente na
Arqueologia
Clássica) de se pautar o mérito das declarações na autoridade do
declarante
também foi condenada. Surgiu, então, na Escola de Cambridge, em meados
dos anos
1980, a Arqueologia Pós-Processual (nome que tinha a conotação de ser
uma
evolução da New Archaeology, também conhecida (e especialmente
hoje
conhecida) como Arqueologia Processual).
A Arqueologia
Pós-Processual se
pauta basicamente nas idéias Marxistas presentes na Arqueologia
Soviética, mas
incorpora em si grandes legados tanto da Arqueologia Clássica, quanto
da New
Archaeology. Os Arqueólogos Pós-Processuais dividem-se em três
ramificações
básicas: os Neo-Marxistas (voltados para o estudo da luta de classes ao
longo
da História), os Estruturalistas (que estudam as estruturas das
sociedades
antigas) e os Processuais Cognitivos. Estes últimos, ao incorporarem
diversas
técnicas tanto da Arqueologia Pós-Processual quanto da Antropologia,
sempre
(como é preceito da Arqueologia Pós-Processual como um todo) embasados
em
fontes textuais históricas, buscam o estudo de coisas outrora vistas
como
impossíveis de serem estudadas pela Arqueologia e, inclusive, algumas
das
responsáveis pela ruptura passada da New Archaeology com a
História, ou
seja, as Religiões, as Motivações Artísticas, as Mentalidades e os
Pensamentos
Cotidianos.
O cerne do curso
ministrado pela
Professora Drª Elaine Farias Veloso Hirata foi justamente a Arqueologia
Pós-Processual, com a abordagem Processual Cognitiva, também chamada de
Arqueologia Cognitiva, abordagem da qual o principal nome é hoje em dia
Colin
Renfrew.
Como já foi referido ao
longo do
trabalho, Renfrew, ao publicar os resultados de suas pesquisas no
Santuário de
Phylakopi, criou também um manual de Arqueologia Cognitiva, manual este
que ele
julga aplicável a qualquer situação. É óbvio, no entanto, que em termos
Históricos nós podemos até mesmo traçar certos modelos, desde que
estejamos
certos de que tais modelos não passam exatamente disso, ou seja, de
modelos e,
sendo assim, não constituem a verdade absoluta e podem, inclusive,
estar
errados na maior parte das situações.
5 – Bibliografia:
CONRAD, Geoffrey W. e
DEMAREST, Arthur A.. Religion
and Empire:
The
dynamics of Aztec and Inca expansionism. London:
Cambridge University Press, 2001.
HODDER,
Ian. Interpretación en Arqueología: Corrientes actuales.
HUMPHEYS,
S. C.. Death and Time. 1983.
LAWRENCE,
Denise L. e LOW, Setha M. The Buit Environment and Spatial
Form.
In ANNUAL REVIEW OF ANTHROPOLOGY. Committee, 1990.
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19.
MORGAN,
Catherine. Athletes and Oracles: The transformation of Olympia
and
Delphi in the eighth century B.C.. London: Cambridge
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PRICE, S. R.
F.. Rituals and Power: The Roman imperial cult in Asia Minor.
London:
Cambridge University Press, 1987.
RENFREW,
Colin. The Archaelogy of Cult: The Sanctuary at Phylakopi.
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The British School of Archaelogy, 1985
------------------------.
What is Cognitive Archaelogy? In CAMBRIDGE
ARCHAELOGICAL
JOURNAL. London: Cambridge University Press,
1993.
vol. 3:2, pp 247 – 270.
WHITLEY,
James. Tomb Cult and Hero Cult: The uses of past in Archaic
Greece.
In WHITLEY, James. Time, Tradition and Society in Greek
Archaeology.
Saiba mais sobre a Arqueologia.