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Democracia
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Recentemente,
em conversa com amigos, em uma
discussão sobre a democracia, seu papel em nossa sociedade, sua
força de
representação e a manipulação da mesma
através dos órgãos que a dizem
representantes concluímos que aquilo que deveria consistir em
“força” e
representação legítima das
aspirações da maioria, acabava por se transformar no
discurso de uma classe minoritária, que através de
engenhosos mecanismos e a
subestimação de ação e consciência da
população, o discurso democrático, era
senão, a maior força de manipulação da
mesma. Como isto é possível? Que meios
permitem tamanha distorção e inversão de
propósitos?
Ao que nos parecia, todas as idéias eram muito claras, porém, ao tentarmos expô-las e esclarecê-las é que percebemos que acabávamos, de certa forma, engendrados nos mesmos mecanismos. Como poderíamos caracterizar uma democracia representativa onde o voto é obrigatório? No meu ponto de vista este parece ser o maior ponto contraditório de nossa “representação”.
Caio Guatelli/FI |
Como
trabalhadores do estado, seja da educação, da
saúde ou de
qualquer outro setor, ao efetuarem um movimento de passeata, ao
exercerem o
maior direito democrático de nosso país, a “liberdade” de
expressão e
manifestação, vêem seus propósitos serem
rebatidos por um discurso do Estado
feito de balas de borracha, cacetetes e gás lacrimogêneo,
no qual, por parte do
Estado, não foram articuladas palavras, idéias e muito
menos propósitos, apenas
a repressão ao direito da manifestação? |
O que assistimos na Avenida Paulista, no dia 18 de maio (dia que deverá ficar marcado para o resto da vida de qualquer um que aspire ao uso da democracia plena em nosso país), em São Paulo foi senão a maior inversão do discurso democrático da máquina Estatal!
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Infelizmente ainda tive o
desprazer de ouvir o discurso de alguns policiais que faziam a
representação da
polícia na TV e em algumas rádios, no qual afirmavam que
manifestações deste
tipo traziam à tona as aspirações da “época
de ouro” da repressão, durante a Ditadura.
Esta foi demais para o meu mínimo de intelecto e era subestimar
ainda mais a
consciência da maioria de explorados deste país! |
Caio Guatelli/F |
O que faz emergir estas aspirações é senão o próprio ato de repressão da polícia e nunca a manifestação dos populares. O Estado cura a doença, matando o doente?
Ao efetuar seu voto,
escolhendo um representante legítimo de seu país,
você está exercendo a
democracia, mas o que, de certa forma, não levamos em conta
é que escolhemos
“um” entre “alguns” que já foram escolhidos previamente e que
representam uma
classe minoritária sempre! Esta aí nossa História,
maior comprovadora dos fatos
de nossa realidade que vem apenas confirmá-la. O que você
escolhe é o que já
foi anteriormente escolhido, restando a você a escolha daquele
que julga “menos
mal” entre todos. Representação popular? Que nada. O povo
existe para a
sustentação da máquina, sem que possa nela
interferir, a manutenção é do Estado
que, por sua vez, nada mais é do que o instrumento usado pela
minoria
responsável pelas desigualdades tão gritantes.
O que vem contestar o status quo da nossa sociedade de marginalizados, como o exemplo do Movimento dos Sem-Terra, fica sendo, através de manobra dos meios de comunicação, inimigo da mesma, que, ao invés de buscar compreender e justificar sua opinião de uma forma esclarecedora, adota o discurso da minoria, pois é o que dizem os “tablóides governamentais”, a exemplo da matéria publicada pela revista “VEJA” com o título de “Tática da Baderna” a respeito do mesmo MST. A prática da adoção do discurso da minoria é um dos grandes comprovadores da inversão do discurso democrático em nosso país, afinal você pensa como uma minoria pertencendo a uma maioria, mas da qual você quer se ver distante o mais rápido possível! Estou falando a verdade ou não? Gostaria de que se tratasse de um equívoco, mas ao percebermos a realidade intelectual à nossa volta é que se percebe a veracidade da afirmação que escrevo. Quantos exemplares de revistas semanais com fotos e artigos sobre a alta sociedade em algumas “ilhas” por aí, são vendidos? E se compararmos com o número de vendas de revistas sobre discussões político-democráticas sérias e realmente aliadas à análise séria da sociedade como um todo (e não me venha com VEJA!)? Percebemos que consomem-se muito mais fotos de pessoas “ilustres” e matérias sobre estilos de vida “banais” do que artigos comprometidos com a seriedade política de nossa nação. A realidade do intelecto da maioria em nosso país, pertence ao futuro dos personagens da novela das oito, ou sobre a vida de determinado pagodeiro ou sertanejo, que espalham por aí sua “caridade”, palavra de ordem no meio artístico ultimamente.
No país das “bundas” e dos “cacetetes” a democracia é o discurso da desigualdade onde todos são iguais até o momento que não se conteste a ordem. Uma nação onde a população embebida de “futebol e cachaça governamental” não percebe seu papel dentro da força transformadora e ainda pensa e age como uma minoria. País este que certa vez foi chamado por um dos embaixadores presentes na ONU de “prostíbulo do primeiro mundo”, que ao menos deveria aumentar o preço de cada serviço deste prestado, não restando ao seu povo pagar o final da conta.![]() |
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| Rota 66, de Caco Barcellos |
A Democracia, de Renato Janine Ribeiro |
A era FHC, de Bolivar Lamounier |
O mapa da corrupção no governo FHC, de Larissa Bortoni e Ronaldo de Moura |