Editorial

 

Klepsidra chega agora ao seu segundo número. A primeira edição da revista deixou-nos surpresos com a aceitação, visto que em apenas um mês passamos a receber cada vez mais visitas a cada semana, isto é um incentivo para nós.

 Nesta edição, entra no ar a seção que desejamos que seja o maior chamariz para nossa revista, o arquivo. Um dos principais motivos que nos impulsionou a criar uma revista em mídia eletrônica foi a possibilidade de disponibilizarmos sempre todas as matérias por nós publicadas, visto que em revistas impressas o acesso do leitor a edições anteriores é complicado e demorado.

 Pretendemos que nosso arquivo seja sempre consultado e utilizado, mas vale a pena também fazer algumas ressalvas antes de abrirmos tal seção ao público. Os textos colocados no arquivo não serão, ao menos em sua maioria, revistos. Por isso, pode ocorrer que mais para frente os autores fiquem decepcionados com suas publicações ou mesmo que as interpretações e informações publicadas se tornem obsoletas ou incorretas.

 E porque acontece isso? Isso ocorre devido ao fato que todos os autores de nossos textos ainda estão cursando a faculdade, no segundo ano, o que faz de nós estudantes e apreciadores da História, mas ainda sem base teórica totalmente fundamentada e com muito ainda a aprender como estudantes e depois de formados, afinal a História é uma ciência, e sendo assim ela está em eterna mudança.

 Fora isso, a História é uma ciência e suas teorias e práticas variam muito dentro do tempo e das correntes de pensamento. Mesmo dentro de Klepsidra temos variantes com relação a que linha seguir. Não optamos por enquadrarmos todos os colunistas em uma única linha de pensamento, visto que o ideal é sempre apresentar-se opiniões diversas sobre um mesmo tema, para que a discussão enriqueça o estudo e o pensamento.

 Nossa revista é destinada tanto para "acadêmicos" quanto para "não-acadêmicos", e este segundo público pode estranhar tal discussão. Afinal o que se aprende nas escolas é simples: "Os portugueses descobriram o Brasil em 1500", "D. Pedro I fez a Independência em 1822" e por ai afora.

 Mas, dentro da academia correm discussões que com relativo atraso chegam aos livros didáticos dos ensinos fundamental e médio. Por exemplo, até a década de 80 não se encontravam afirmações como "a burguesia fez a Revolução Francesa", visto que o termo "classe social" ainda era extremamente criticado e discutido, devido à sua origem marxista. Atualmente, esta discussão já foi superada e está nos livros didáticos.

 Atualmente as discussões estão em outro campo, e dento da Universidade já existe praticamente um consenso de que não existiu "um Brasil colonial", e sim "o Brasil colonial de Sérgio Buarque", "o Brasil colonial de Gilberto Freyre", etc. Isto ocorre porque a História não se fundamenta somente em dados, e sim também na interpretação que o historiador dá a esses fatos, relacionando-os com sua realidade e ideologia presentes.

 Assim, surgem diferentes interpretações de um mesmo tema, como o citado acima do Brasil colonial. É impossível prever se tal discussão chegará daqui vinte ou mais anos aos livros didáticos, mas vale a pena ressaltar tais discussões.

 Devemos fazer essa ressalva pensando no que foi afirmado acima, "pode ocorrer que mais para frente os autores fiquem decepcionados com suas publicações", visto que enquanto estudantes tentamos seguir uma ou outra linha que ainda nos são um tanto vagas. Estes textos também são documentos históricos afinal refletem as idéias e a compreensão histórica de uma parcela dos estudantes de História da USP em fins do século XX e início de XXI.

 Portanto, todos os textos aqui apresentados visam a formação de escritores históricos e de um público histórico consciente de que as visões históricas e as interpretações variam com o tempo e com o pensamento. Os textos buscam o máximo de fundamentação para sua produção, mas sabemos que muitos dados e documentos ainda estão por serem "achados" ou "revistos".

 Os textos devem sempre servir como auxílio à pesquisa escolar ou universitária, e nunca como base única para a produção de trabalhos. O aprendizado se dá a partir do momento em que o aluno capta as informações e as interpreta de acordo com suas intenções e realidades.

 Pedimos, mais uma vez, para os textos de Klepsidra não serem copiados e entregues como trabalhos por três motivos: um texto aqui apresentado é o resultado de estudos e discussões acerca de um tema, sendo sua mera cópia um plágio anti-ético; a cópia também cria uma falha no aprendizado, e não queremos incentivar mais ainda falhas em um ensino tão falho quanto o brasileiro atual; e por fim, um bom professor notará que tal texto não terá sido produzido pelo seu aluno, e sim copiado o que poderá acarretar em problemas futuros para o este.

 Façam bom proveito das obras aqui apresentadas, como fonte de informação e de interpretação. Leiam, utilizem, divulguem, comentem e critiquem. A equipe de Klepsidra estará sempre interessada em o que o leitor tem a dizer sobre as obras aqui publicadas.

 Boa leitura!
 
 

Gabriel Passetti