Vikings:
 Mais que um povo, um ideal

Danilo José Figueiredo
danilo_jose_figueiredo@hotmail.com
3º Semestre - História/USP
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1 – Introdução:

Este é meu segundo trabalho para a revista Klepsidra. No trabalho anterior, realizei uma abordagem bem ampla sobre a História da civilização Inca. Minha área de interesse em História é justamente como surgiram, se desenvolveram, evoluíram e, algumas vezes, se extinguiram as civilizações dos períodos Antigo e Medieval, como os próprios Incas.

Neste trabalho, continuarei a desenvolver minha área de interesse, porém agora escrevendo sobre um outro povo, cujo brilho social, cultural e militar também foi imenso, mas que assim como os Incas (só que de maneira bem diversa) acabou por perder sua cultura própria e, sendo assim, deixou de ser um povo em particular, para se mesclar ao cenário do Ocidente mundial.

Bem como os Incas, os Vikings não foram totalmente exterminados (ainda existem descendentes de Incas por toda a cordilheira dos Andes, e os descendentes dos Vikings são os povos Escandinavos de hoje), mas sua cultura foi aos poucos se perdendo em detrimento da Religião e dos costumes da Europa Cristã.

Pretendo aqui, não apenas mostrar de um ponto meramente descritivo como se desenvolveu o povo Viking, mas sim explicar o fenômeno que suas incursões causaram na Europa, discutir o fato de os verdadeiros descobridores da América terem sido estes navegadores (por volta de 500 anos antes de Colombo) e, por fim, explicar a seguinte afirmação: “Os Escandinavos deixaram de serem Vikings ao se tornarem Cristãos”.

Antes de iniciar meu texto, quero deixar claro que ele não visa ser um trabalho completo como seria o feito por um especialista no tema, mas apenas intenta familiarizar um pouco mais o estudante brasileiro com este tema tão pouco conhecido: Os Vikings. No entanto é bem possível que meu texto seja uma das mais abrangentes e completas obras sobre este povo escrita em Português, uma vez que tive imensa dificuldade em encontrar dados e obras sobre este tema em nossa língua. Inclusive, quando pedi indicações bibliográficas sobre o tema para a professora de Idade Média da USP, ela não só não me indicou com precisão nenhum livro, como também disse que toda a bibliografia disponível sobre o povo estava em Inglês, Francês, Alemão ou outras línguas Européias. Sendo assim, talvez meu trabalho seja mais importante ainda do que foi o dos Incas, uma vez que existem diversas obras sobre aquele povo traduzidas para o Português ou mesmo feitas no Brasil.
 

2 – Localização Espacial e Contextualização Racial:

Neste trecho do trabalho irei descrever algumas das levas migratórias que se dirigiram para a Europa ao longo dos séculos, dando ênfase ao período final da Antigüidade e inicial da Idade Média.

Acredito que a melhor maneira de explicar um fato histórico é, antes de mais nada, contextualizá-lo geograficamente. Pois bem, neste trecho irei diferenciar a nossa noção atual de Escandinávia daquilo que era a Escandinávia na época do surgimento dos Vikings.

2.1 – A Escandinávia:

A Escandinávia atual é composta por duas penínsulas: a Escandinava e a Jutlândia. Na península Escandinava situam-se a Noruega, a Suécia e a Finlândia, e na península da Jutlândia situa-se a Dinamarca. Portanto, o termo Escandinavo refere-se aos habitantes de um desses quatro países. No entanto, a situação não era a mesma no final da Antigüidade e princípio da Idade Média.

Na realidade, esses quatro países ditos Escandinavos são formados por três povos diferentes (muitos não sabem, mas ao longo da História, centenas de povos diferentes migraram, guerrearam e, às vezes se miscigenaram na Europa, sendo assim, o conceito de Raça pura é um absurdo completo, mesmo em se tratando dos loiríssimos Escandinavos), os Fineses, os Teutões (ou Teutos) e os Escandinavos propriamente ditos.

Os Fineses constituíram uma leva migratória provavelmente oriunda do norte da Ásia, que aos poucos foi se aproximando da Escandinávia, até se sedentarizar, no final da Antigüidade, na atual Finlândia e em algumas regiões do norte e nordeste da Suécia.

Os Teutões são uma leva migratória muito mais antiga, desde os mais remotos tempos eles já habitavam a Europa e moveram-se muito pouco até se estabelecerem na Jutlândia, nas ilhas do mar Báltico e no sudoeste da Suécia. Entretanto, os Teutões não são muito conhecidos pois tinham divisões internas entre “raças”. As principais “raças” Teutônicas eram os Saxões, os Anglos, os Frísios, os Jutos (cuja “raça” deu nome à Jutlândia) e os Danos.

Por fim, os Escandinavos também são um povo muito antigo na região, cuja presença remonta talvez aos mais longínquos tempos da Pré-história. Eles se estabeleceram inicialmente no noroeste da Noruega, mas depois se espalharam por toda a Noruega e pela maior parte da Suécia.

No início do século V, os Romanos estavam em franca decadência, e em 410, visando proteger a própria cidade de Roma dos ataques das hordas bárbaras, o Imperador retirou as tropas que guardavam a Britânia (ilha onde atualmente se situam Inglaterra, Escócia e País de Gales). Sendo assim, os habitantes da península da Jutlândia começaram a atacar a Britânia, pois as condições de sobrevivência no lugar eram terríveis (terras estéreis e frio intenso). Foi assim que Anglos, Frísios, Jutos e muitos Saxões transferiram-se para a Britânia, onde sua miscigenação com os Britânicos (nativos da Britânia) deu origem aos Ingleses. Depois dessa leva migratória que perdurou pela primeira metade do século V, a Jutlândia se viu semi abandonada, e foi ocupada pelos Danos (ao norte e centro), que residiam no sul da Suécia e ilhas do Báltico, e pelos Saxões (ao sul).

As comunidades nessa época eram muito divididas e é provável que cada pequeno povoado constituísse um Reino de fato.

O leitor deve estar se perguntando: “Mas por que o autor está me falando sobre todos esses povos?” Bem, a resposta é simples. Acontece que os Danos, foram o único povo Teutão que não migrou para a Britânia, pelo contrário, a migração dos outros deu-lhes mais espaço, pois mesmo os Saxões migraram em grande parte para a Britânia. Sendo assim, os Danos se espalharam e ocuparam a Jutlândia, sem abandonar nem as ilhas do Báltico, nem o sul da Suécia. Isso é importante para delimitar o tema de meu trabalho, pois ao contrário do que muito acham, os Vikings não eram os Noruegueses, os Dinamarqueses e os Suecos, pois os Suecos, juntamente com os Danos que habitavam a Suécia compuseram, na época Viking, o povo Varegue ou Varangiano, não sendo portanto os Suecos, Vikings. Estes se compuseram pelos Escandinavos da Noruega e pelos Danos da Jutlândia e ilhas Bálticas.


Em branco as rotas dos Vikings Noruegueses, rumo ao oceano Atlântico, ilhas Britânicas e Normandia.
Em laranja as rotas dos Vikings Dinamarqueses, rumo ao sul a Inglaterra, Normandia e Mediterrâneo.
Em vermelho as rotas dos Varegues. Eles chegaram a Constantinopla e fundaram o primeiro Reino da Rússia (com capital em Kiev), além de dominarem a Finlândia, mas não eram Vikings.


 


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