Resgate e construção da memória e dahistória da colonização do sudeste de Mato
Grosso do Sul
|
Este artigo tem como
finalidade relatar observações preliminares sobre uma
pesquisa, que se
constituiu na organização e
disponibilização de documentação
histórica
(seleção
e catalogação de arquivo histórico) sobre a
colonização particular na
região
sudeste de Mato Grosso do Sul, na cidade de Batayporã, onde
funciona a
Oficina
Cultural Tcheca e Eslovaca do Brasil. O projeto contou com o
financiamento do
Fundect/MS, órgão estadual de fomento à pesquisa,
à cultura e ao
ensino.
O objeto de estudo, a
colonização, guarda
similitudes
com outras experiências colonizadoras, e com o momento
histórico da
década de
1940/50, quando se materializou a Marcha para o Oeste. Porém,
guarda,
ao mesmo
tempo singularidade, pois se tratou de um evento planejado e executado
por
iniciativa de um empresário, colaboradores e empregados de
origem
tcheca
emigrados para o Brasil em decorrência de problemas
políticos oriundos
do
período entre-guerras, quando Jan Antonin Bata,
empresário do setor de
calçados
dentre outros setores sofre os efeitos da perseguição que
se iniciou
quando da
ocupação nazista nos sudetos da Tchecoslováquia.
Não obstante sua
complexidade
sociocultural,
resultante da mescla de componentes étnicos, da presença
de migrantes,
e suas
especificidades de caráter econômico e histórico, a
região não tem sido
foco do
interesse científico por parte dos pesquisadores nacionais ou
mesmo do
próprio
Estado de Mato Grosso do Sul, não raro em razão da falta
de
documentação, quase
sempre em mau estado de conservação ou dispersa.
Este trabalho teve por
objetivo; resgatar o acervo de
documentos
e fotos alusivos à colonização de parte da
porção do território a
sudeste de
Mato Grosso do Sul existentes nas cidades de Batayporã (MS),
Presidente
Prudente e São Paulo, no Estado de São Paulo; organizar e
sistematizar
estes
documentos e fotos que sirvam de base empírica para uma pesquisa
de
caráter
histórico e iconográfico, implementando, assim a
recuperação de parte
da
memória e cultura do MS; disseminar as informações
obtidas por
intermédio de
material impresso e/ou multimídia e utilizando redes virtuais
interativas,
articulando parcerias entre órgãos ligados à
educação, como secretarias
municipais e estaduais e outras instituições culturais a
fim de
completar a
ação educativa que tal iniciativa deva necessariamente
ter.
A criação e
organização do
arquivo histórico,
iniciou-se em 2002 e terminou em 2004, dentro de um projeto de pesquisa
interdisciplinar do Departamento de Geociências e de
História do Campus
de
Aquidauana da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, denominado:
“Resgate
e construção da memória e da história da
Colonização do Sudeste de Mato
Grosso
do Sul” coordenado pelo Prof. Luiz Carlos Batista geógrafo, com
a
participação
do Prof. José Carlos Ziliani, historiador do Campus de
Três Lagoas da
UFMS e do
Prof. Carlos Martins Junior historiador do Departamento de
História do
Campus
de Aquidauana.
A metodologia adotada foi a
seguinte;
Agrupamento de
três blocos de documentos e fotos representativas do processo de
colonização,
que estão dispersos nas cidades de Batayporã (MS), de
Presidente
Prudente e São
Paulo, no Estado de São Paulo; montagem de um arquivo
histórico
referente à
Companhia Viação São Paulo-Mato Grosso, sediado no
município de
Batayporã, que
funcionará como banco de dados para pesquisadores interessados
no tema
da
colonização sul-mato-grossense; seleção e
analise dos documentos e
fotos que
sirvam de base empírica para elaboração de
material didático multimídia.
ORGANIZAÇAO DO
ARQUIVO SOBRE A COLONIZAÇÃO DO SUDESTE DE MATO GROSSO DO
SUL
Por isto é necessário à
tomada de medidas
urgentes no sentido de
resgate e divulgação deste acervo. Nesse sentido, a
imensa gama de
recursos que
podem ser disponibilizados hoje como suporte educacional, tais como
CD-Roms
interativos, redes virtuais de informações e outros
mecanismos de
educação à
distância para divulgação de
informações, não só pela facilidade de
acesso que
esses recursos permitem, como pela necessidade imposta pela sociedade
de hoje,
que exige a obtenção do maior número de
informações possíveis em todas
as áreas
do conhecimento.
Este
projeto recuperou, catalogou e
disseminou as informações contidas no acervo
fotográfico e documental
deixado
pela companhia Viação São Paulo-Mato Grosso, ora
disponibilizados pelos
descendentes dos antigos donos da referida empresa, facilitando o
acesso a
essas informações por intermédio da
educação à distância,
disponibilizando o
acervo documental e fotográfico para a divulgação
de informações sobre
o
processo de colonização na região sudeste do
Estado do Mato Grosso do
Sul,
utilizando-se dos meios mais modernos de comunicação como
a produção de
material multimídia a ser disponibilizado via Internet.
![]() Jardineira Fargo, ano 1945/1946, que fazia a rota Porto Primavera - Batayporã |
O interesse nesse tipo de estudo, em levantar, organizar, disponibilizar e analisar a documentação necessária ao entendimento do processo histórico vivenciado pela região está em servir de referencial empírico para pesquisas históricas geográficas e de outras áreas afins. |
Na fase inicial da
execução do
projeto,
nos deparamos
com um grande volume de documentos condicionados em caixas compostas de
maneira
desordenada, mas integrante de um contexto histórico referente
à
colonização,
entendido como um todo orgânico. Esse contexto orgânico
sofreu
transformações
específicas, segundo a organização
sistemática norteada por regras
fixas.
Passamos além do contato organizador para
construção de relatos
históricos
ligados a Jan Antonin Bata, que foi um imigrante tcheco
responsável
pela
colonização através da Companhia
Viação São Paulo-Mato Grosso.
A
apresentação pública de imagens
fotográficas, mapas, objetos e
documentos
históricos possibilitará o contato com o passado recente
experimentado
pelas
últimas gerações, reconstruindo e sedimentando a
relação orgânica
passado e
presente. Sendo assim apresentamos nas considerações
finais um breve
histórico
das duas cidades fundadas por Jan Antonin Bata no sudeste de Mato
Grosso do
Sul.
REFLEXÃO
HISTÓRICA E GEOGRÁFICA SOBRE A COLONIZAÇÃO
DO
SUDESTE DE MATO GROSSO DO SUL
A
região Sudeste do Estado de Mato Grosso do Sul constituí
hoje, de
acordo com o
que sugerem os dados recentemente fornecidos pelo Censo
Demográfico do
IBGE,
importante corredor de entrada de migrantes vindos de estados vizinhos
da
Federação, em busca de terras para a sua
fixação.
Composta,
entre outros,
pelos municípios de Bataguassú, Batayporã, Nova
Andradina e
Anaurilândia, essa
região foi tradicionalmente ocupada pôr diversos grupos
indígenas, a
exemplo
dos Xavante, Kaiowá e Ofaié, ao longo do tempo passou a
sofrer um
processo
de ocupação pôr parte da população
branca européia, em especial
espanhóis, já
no século XVIII, marcando o início dos conflitos com as
populações
nativas.
Entretanto, a partir da primeira metade do século XX
intensificou-se o
processo
de ocupação caracterizado pelas frentes de
colonização, destacando-se,
sobretudo no decorrer da década de 1950, uma nova fase do
governo de
Getúlio
Vargas, quando as iniciativas de colonização são
retomadas no sul de
Mato
Grosso e em 1953, a Companhia Vera Cruz abriu perspectiva para
colonizar terras
localizadas entre os rios Amambaí e Curupai, no atual
município de
Amambaí,
atraindo cafeicultores paulistas. Em 1957 abre-se a
colonização do
futuro
município de Carapó, através da colônia
Curupai, com colonos de São
Paulo e
Minas Gerais.

Ameaçado pela
noção do "espaço
vital",
uma das razões teóricas para a Segunda Guerra Mundial, o
governo de
Getúlio
Vargas decide ocupar os vazios do Brasil Central. Em pleno
século
vinte, uma
enorme parte do território nacional ainda era desconhecida,
hostil e
mitológica
para a maior parte dos brasileiros.
O projeto
"Marcha para o Oeste", visava
de ocupar o Oeste do Brasil assentando colonos que viriam para
Mato
Grosso do Sul produzir alimentos e dessa forma ocupar os imensos,
"espaços
vazios" dessa região brasileira,
constituindo-se na expansão do Brasil dentro de suas
próprias
fronteiras,
através do cultivo do solo, a civilização
penetrava o sertão e o homem
dominava
a natureza, integrando o brasileiro na sua própria terra, o
Governo
Federal
passa então a planejar a migração para Mato Grosso
Sul incentivando a
fixação
de colonizadoras particulares e montando projetos de
colonização
comandada pelo
estado, o colono selecionado era o sulista que na visão de
Getulio
Vargas esse
trabalhador tinha o sentimento de prosperidade e após 3 anos de
ocupação
receberia a posse definitiva da terra, também
fazia parte desse projeto as colônias agrícolas federais.
Em 1943 surge
a Colônia de Dourados, localizada no atual Estado de Mato Grosso
do Sul.
Desse projeto resultou uma intensa
especulação de
terras; dos primeiros colonos fixados, uma grande parte não
obteve
progresso e
acabou por vender suas terras a outros bem sucedidos, restando a eles a
proletarização da sua mão-de-obra. Os novos
proprietários das terras
formavam
latifúndios improdutivos que eram vendidos a preços
elevados nos
grandes
centros do país com Rio de Janeiro e São Paulo. Sendo que
na década de
50, a
venda das terras de Mato Grosso do Sul chegaram a ponto de serem
vendidas
várias vezes a pessoas diferentes, representando um bom
investimento de
capital
para os empresários e, para os pobres descapitalizados restavam
ocupar
as
terras improdutivas na categoria de posseiro.
Essa foi uma proposta
geopolítica
dos governantes de ocupar os espaços vazios povoados pelo homem
branco,
resultando na ocupação de vários
territórios indígenas e extermínio de
seu
povo, pois os índios eram vistos como um empecilho aos
interesses
capitalistas que
eram voltados ao "desenvolvimento e ao progresso" e, por oferecer
resistência, acabaram por enfrentarem a violência dos
brancos. Na
década de 50,
tais operações para limpar a área ganharam
proporções alarmantes,
resultando no
extermínio de quase todas as aldeias.
No momento em
que o
projeto nacional de expansão conhecido como “Marcha para o
Oeste”
consolida-se, materializam-se outros
empreendimentos iniciados dentro desta modalidalidade de projetos de
colonização, como aqueles engendrados pelo
empresário Jan Antonin Bata
no Oeste
de São Paulo e Sul de Mato Grosso do Sul, destacando a
proeminência do
capital
internacional com forte atuação nos setores extrativista,
agropecuário
e de
transportes, este último dinamizando a navegação
pelo complexo fluvial
Paraná-Prata.
Nesse contexto integrou-se a Companhia Colonizadora
Viação São Paulo
Mato
Grosso, empresa pertencente ao imigrante de origem theca Jan Antonin
Bata, que
adquiriu 6.000 km2 de terras situadas no sudeste de Mato Grosso do Sul
e fundou
as cidades de Bataguassú e Batayporã.

R. Valdir Sãovesso. Construção das
primeiras casas da Viação SP-MT
COLONIZAÇÃO PARTICULAR NO
SUDESTE DE MATO GROSSO DO SUL
Evidenciaremos que a partir da metade do
século XX, a
intensificação do processo de ocupação
caracterizada pelas frentes de
colonização, destacando-se, sobretudo no decorrer das
décadas de 1940 a
1950.
Inspirados nos processos de colonização desenvolvidos no
Estado de São
Paulo e
Paraná, as empresas colonizadoras compraram terras do antigo
Estado
Mato
Grosso, e também de particulares desenvolvendo colônias de
20 a 30
hectares
servidas de algumas redes de estradas que interligavam alguns centros
comerciais. Os negócios eram efetuados a base de uma entrada na
faixa
de 30 a
40% do valor do imóvel e o restante era dividido em três
anuidades.
Além desses
aspectos, a riqueza empírica possibilita vislumbres para outras
abordagens.
Empreendimentos
dessa natureza foram verificados como no exemplo da Companhia
Viação
São
Paulo/Mato Grosso de propriedade do tcheco Jan Antonin Bata que
adquiriu 6.000
km2 de terras situadas nos atuais municípios de
Batayporã, Anaurilândia
e
Bataguassú. A intenção desse colonizador era o de
produzir no espaço
geográfico
colonizado, uma cidade, porque entendia ele que os homens precisavam um
do
outro, os dois de um terceiro, e os três de um quarto,
constituindo uma
unidade
comunal a partir de uma unidade rural. Para ele essa unidade comunal
é
representada pela cidade que poderia ser de vários tamanhos, mas
a sua
experiência como industrial em planejar uma cidade sem limites,
como
quando
formou a primeira cidade industrial na Alemanha, significou
prejuízos
inimagináveis.
![]() Jan Antonin Bata |
Esta experiência demonstrou que existe um limite mínimo de população para uma unidade comunal oferecer melhores resultados, que estariam em torno da quantidade de no mínimo 10.000 pessoas. Essa conclusão fez Jan Bata verificar que o planejamento de uma cidade tem que partir desse número mínimo de habitantes, isso tendo em vista atender na época parte dos 30 milhões de europeus deslocados e desempregados que consumiam 12 bilhões de dólares anuais dos governos, incluídos nesse valor a ajuda dos Estados Unidos de 6 bilhões de dólares mais outros 6 bilhões dos governos de países como Grã Bretanha, França, Itália, Alemanha, Suíça, Suécia, Holanda, Noruega, Bélgica, Espanha, Portugal, Áustria, Dinamarca e Irlanda. Conclui Jan Bata: |
"Com os 12 bilhões de dólares
dispendidos
anualmente em subvenções da miséria e desemprego,
poderíamos migrar
anualmente,
12 milhões de deslocados e desempregados para os países
vazios,
tornando-os
capitalistas firmes e entusiasmados. No entanto, perdendo na Europa os
12
bilhões de dólares que os capitalistas americanos e
europeus,
finalmente os
capitalistas de todo o mundo livre, têm de pagar em impostos,
só
estamos
trabalhando para a finalidade
dos
comunistas, que resultam dessa nossa falha em encontrarmos o caminho
para o
futuro do nosso sistema Cristão-Capitalista...” Segundo
Bata:
“Cada
nação tem um contingente de 2% que necessitam de
misericórdia, mas 98%
se
revoltam por estarem sujeitos as esmolas, que degradam aqueles como se
fossem
aleijados, incapazes de providenciar o necessário para si e suas
famílias”.
Jan Antonin Bata, inspirado nas
idéias de
Henry Ford,
que sugeriu a realização de experiências com
sitiantes-operários-industriais,
desenvolvendo um operariado mixto industrial-agrário,
despertou-lhe a
possibilidade de desenvolver este projeto tanto em Indiana como em
Batatuba. Ao
regressar para o Brasil Jan Bata desenvolveu um modo de colonizar que
envolvia
os operários industriais propiciando-lhes conhecer também
o trabalho
agrícola,
essa experiência ele desenvolveu nas suas indústrias de
sapatos
instaladas em
Batatuba e Indiana no Estado de São Paulo, algumas dificuldades
foram
encontradas, tais como: os terrenos ao redor de Batatuba e Indiana
pertencerem
a grandes e pequenos fazendeiros, que exigiam preços elevados
para
vende-los.
Nesse tipo de empreendimento, uma família com sete pessoas seria
assim
distribuída, uma pessoa poderia cuidar de um hectare de terra,
trabalhando toda
semana nessa tarefa, para 4 hectares seriam necessários 4
pessoas para
cuidar
da plantação e da pecuária, enquanto pelos menos
os 3 restantes
trabalhariam na
fábrica. No caso de uma família com 8 pessoas, 4 ou 5
trabalhariam na
fábrica e
aproveitariam a parte da tarde para se dedicar ao cuidado adicional da
plantação e criação.
A colonização do
tipo mixta
agro-industrial
proposta
por Jan Bata, exigiria investimento em infra-estrutura na parte de
transportes,
escolas, mercados e industrias e terras agricultáveis. A
vantagem da
colonização mixta, baseada na indústria, é
a de que os colonos neste
caso já
têm o emprego, que nas zonas novas seria necessário
organizar e
construir. Isso
favorece ao colono agro-industrial começar a organizar sua vida
empregado, sem a
necessidade de esperar até a colheita para o seu sustento, outra
vantagem é que
o mercado para seus produtos agrícolas já esta assegurado
na praça da
fábrica
ou nos mercados da vizinhança, no caso de Batatuba a proximidade
com
São Paulo
e no caso de Indiana a proximidade com Presidente Prudente.
Esses
são apenas alguns apontamentos extraídos de um texto Estudos
sobre
a
Migração do Dr. Jan Bata publicado em 1951 em
Batatuba Estado de
São Paulo.
Para
o Estado do Mato Grosso do Sul, antes de 1977 sul de Mato Grosso, tais
empreendimentos colonizadores foram responsáveis pela
ocupação
sistemática do
território no sentido de sua integração às
regiões mais dinâmicas da
economia
nacional.
O acervo contém objetos, documentos, narrativas e fotografias da época da colonização de Batayporã, e está permanentemente ali exposto, iniciando, assim, os primeiros passos para o resgate da verdadeira história do município.Para abrigar o Centro de Memória foi idealizada pela família do Sr. Jindrich Trachta, a criação de uma Fundação, visando garantir a manutenção e a conservação dessa vasta documentação a respeito da história de Batayporã e, também, de algumas outras cidades do Estado de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além de uma extensa biblioteca com obras abrangendo assuntos dos mais variados, detendo o sonho de um dia estar esse material, criteriosamente organizados, à disposição de toda comunidade e pesquisadores, que o Sr. Jindrich Trachta amealhou durante sua vida. |
![]() Jindrich Trachta |
Após o
seu falecimento, ocorrido no dia 27 de novembro de 2000, a
família, em
caráter
informal, inaugurou no dia 12 de outubro de 2001, o Centro de
Memória,
localizado na Rua José Antonio Morão, nº 1756, na
cidade de
Batayporã-MS, com a
exposição fixa de fotografias retratando, paralelamente
à vida do Sr.
Jindrich,
a trajetória histórica de Batayporã, desde o
início da colonização
(década de
50) até a década de 90, além de diversos objetos
de importância a isto
relativa.
Alem de fotos
objetos e
documentos sobre a história de Batayporã,MS no centro de
memória o
visitante
poderá ter contato com livros fotos vídeos e
informações culturais e
turísticas
sobre a República Tcheca e República Eslovaca ( antiga
Tchecoslováquia)
pais de
origem de Jan Antonin Bata ( Fundador de Batayporã) e de
vários de seus
colaboradores como o Sr Jindrich Trachta.
Para
atender às finalidades almejadas pelo empreendimento, bem como
aos
projetos
culturais, garantindo a continuidade do trabalho para, na forma
mediata,
atingir todos os níveis sociais, necessário se faz a
criação de um
espaço físico
para abrigar os documentos, fotos e outros materiais catalogados.
Isto posto,
a pretendida fundação encontra-se
delineada em um projeto, conforme adiante se transcreve: A principio
foi
formalizado, junto ao Departamento de Geociências e de
História do
Campus de
Aquidauana da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um Projeto de
Pesquisa denominado: “Resgate e construção da
memória e da história da
Colonização do Sudeste de Mato Grosso do Sul” coordenado
pelo Prof.
Luiz Carlos
Batista com a participação do Prof. José Carlos
Ziliani, historiador do
Campus
de Três Lagoas da UFMS e do Prof. Carlos Martins Junior
historiador do
Departamento de História do Campus de Aquidauana que constituem a equipe (Projeto: Levantamento Histórico
da
Região Sudeste de Mato Grosso do Sul). Referido projeto
já viabilizou
recursos
através da FUNDECT – Fundação de Apoio à
Pesquisa de Mato Grosso do
Sul,
dotando o Centro de Memória com um micro-computador.visando a criação e
organização do arquivo histórico,
concluído em outubro de 2004
A
Republica Theca se responsabilizou pela: Construção um
prédio para
abrigar a
biblioteca e o arquivo histórico cultural aberto ao
público. Construção
de
espaço cultural, com palco para apresentações
afins, já em andamento
com
recursos angariados entre pessoas físicas. Dentre as atividades
a serem
desenvolvidas nesse espaço, já se tem acertado aulas de
danças
folclóricas com
seus trajes típicos.
Para
realização
destes projetos necessitamos de apoio
de pessoas físicas e/ou jurídicas que estão
efetuando doações. As
doações já
efetivadas foram as seguintes:
1-
Para
a fundação
foi doado pela família Trachta os seguintes imóveis:-
cinco (05)
terrenos
urbanos com área total de 2520m2,
2- todo acervo pertencente ao Sr. Jindrich
Trachta
3- Coleção de trajes
nacionais tchecos,
com idade de
100 a 150 anos,Aproximadamente 23 trajes que pertencem à
coleção da
Sra.
Ludmila Batova Arambasic (filha do Dr. Jan Antonin Bata – fundador de
Batayporã), de valor aproximado de US$5.000 a US$8.000 cada; (
doação
efetuada
pela família da Sra. Ludmila)
4- Parte do
acervo da família do fundador, contendo mapas, fotografias e
documentos
referentes ao projeto de colonização, além de
obras de sua biblioteca,
de valor
histórico e econômico inestimáveis; ( Doador:
Família Bata)
5- Livros para a biblioteca.
(Diversos doadores)
Sobre
o município de Batayporã, podemos dizer que teve
seu nome
escolhido pelo
fundador, BATA = sobrenome do
Idealizador e fundador da cidade industrial o checo
Dr. Jan Antonin Bata em uma de suas visitas ao
imorão
samambaia
Y = (do
Guarany ) AGUA e PORA = (do Guarany )
Bonita, Boa, que literalmente signfica: “Água Boa do
Bata”.
Fruto
de um projeto de colonização do industrial checo Dr.Jan
Antonin Bata
(fundador
e idealizador de mais de 80 cidades por todo mundo) ; ocupa as terras
que
pertenciam a Cia. De Viação SP/MT adquiridas por Jan Bata
em 1921. A
implantação do projeto que culminou com a
criação da cidade tem inicio
no ano
de 1953 na então fazenda samambaia que foi dividida num conjunto
de
lotes
denominados de Iguassú, Cayuás, Machado e Recanto (hoje
Batayporã),
onde Jan
Bata contou com grandes colaboradores tais como Vladimir Kubik
(Gerente
Geral da Cia. Viação SP/MT) encarregado de escolher o
lugar do futuro
núcleo de
colonização e providenciar a venda dos lotes já
esquadrinhados no mapa
das
grandes glebas.
Jindrich Trachta (gerente do núcleo de
colonização da
Fazenda Samambaia, hoje Batayporã) conhece em 14 de maio de 1950
o
colonizador
Jan Bata que o convida para trabalhar em Bataguassú onde
é apresentado
ao Sr.
Nelson Verlangieri D’Oliveira (braço direito e genro de Jan
Antonin
Bata),
sendo contratado para trabalhar na Companhia Viação
São Paulo Mato
Grosso em serviços
como extração de madeira, olaria, serraria e
contabilidade. Em 1951
ocorre o
seu casamento com Dona Marina Gonçalves do Amaral, continuam
morando em
Bataguassú até 1954, quando mudam para Batayporã,
passando a gerenciar
esse
novo núcleo de colonização Os planos de Jan Bata
eram fundar mais duas
cidades,
Batarama e Kennedy, próximas de onde hoje se localiza a cidade
de
Taquarussú.
Em 14/12/1953 foi a
criação do distrito e no
dia 12 de
novembro de 1963 é comemorada sua emancipação
política. Primeira
família a se
instalar na futura cidade. Sr. Mohamed
Mustafá e D. Antonia Spinosa Mustafá. Primeiro
comércio, Bar do Sr. Jonas
Pedro Nunes. Segundo alguns levantamentos não houve
criação de distrito e o município foi criado pela
lei número 1.967, de
12.11.1963. No dia 12 de novembro é comemorada sua
emancipação política.
![]() 1º comércio do Sr. Jonas, na Av. Antonia S. Mustafá |
As
primeiras pessoas a se instalarem na região foram, Venancio Rodrigues
de Abreu e sua
esposa Luciana Rodrigues de Abreu (que eram capataz da
fazenda
samambaia da Cia de Viação SP/MT). O primeiro comercio
foi do Sr.Jonas
na Av. Antonia
S.
Mustafá.
Bataguassú
Em 1932, Jan Antonio Bata,
proprietário da cia. Viação São Paulo Mato
Grosso, adquiriu, na região,
grande
gleba de terra, destinada a pecuária e
colonização. Em 1941, fixou-se a
companhia, na região e em 1943, o colonizador decide implantar o
núcleo
da
colonização às margens do Rio Pardo. O primeiro
nome da cidade seria
Batápolis,
mas sem uma base de sustentação política que desse
condições para
implantar o
projeto, ele não prosperou. Jan Bata decide mudar o local para
sediar o
núcleo
do Projeto e escolhe uma outra área na Gleba às margens
dos rios Paraná
e Pardo
onde se ergue a cidade de Bataguassú e procedeu-se o loteamento
de uma
área,
destinada a criar uma nova povoação, dando origem a atual
sede do
município.
Foi elevado a distrito pela resolução número 611,
de 10.07.1952 e o
município
foi criado pela lei 683, de 11.12.1953. Comemora-se sua
emancipação
política *
dia 11 de dezembro.
A seguir faremos a
transcrição de alguns trechos de um relato escrito pelo
Tenente Nelson
V. De
Oliveira, genro de Jan Antonin Bata, que narra a história de
Bataguassú:
“Em época não muito
distante se ouvia falar de Mato Grosso como um espantalho, onde o homem
dificilmente poderia chegar, dadas as presumíveis dificuldades
criadas
pela
imaginação humana. (...) Era preciso (...)” curar “a
imaginação já
contaminada
pelas más informações”.
Eis a difícil tarefa
da Cia
Viação São Paulo Mato Grosso, a mais antiga
empresa colonizadora que,
orientada
por homens dinâmicos e empreendedores, espalhou a vida e o
progresso
pela Alta
Sorocabana e em cujo programa de trabalho marcava o desenvolvimento da
Colonização no Sul de Mato Grosso onde é
possuidora de vasta extensão
territorial. Foi assim que surgiram nos seus escritórios os
primeiros
estudos para o
inicio desse trabalho e em pouco tempo chegou-se à
conclusão de que um
ponto de
apoio, uma base deveria ser estabelecida para a
concretização de tão
vasto
plano colonizador.
Esse ponto de apoio ficou
determinado seria um local de fácil acesso, numa zona
saudável, rodeada
de boas
terras para cultura e com boa colocação para uma
possível indústria.
Ouvindo falar de inicio da
colonização de Mato Grosso, acorreram aos
escritórios da Cia dezenas de
colonos
que disputavam a aquisição de seus lotes. Desse modo, em
um ano foram
vendidos
4.500 hectares de terras a pequenos lavradores.
Estradas foram rasgadas,
casas construídas e uma igreja edificada; uma professora
começou a
ensinar a
criançada da redondeza as primeiras letras; um armazém
foi instalado;
apareceu
uma pensão; um campo de futebol e assim surgiu
Bataguassú, a futura
rainha do
sul de Mato Grosso “(Ordem e Progresso: Indiano Maio/1950 nº26)”.
A seguir apresentaremos a
quantidade de habitantes colocados nas Glebas e Patrimônios da
Companhia de
Viação São Paulo-Mato Grosso, nos Estados de
São Paulo e Mato Grosso:
Prudentina, 2.500; Regente Feijó, 19.000; Indiana, 6.500,
Sucuri, 800;
Caiabú,
1.500; Ouro Branco, 1.200; Boa Esperança D´Oeste, 100; Boa
Esperança,
300;
Mariapolis, 10.000; Vila Alegrete, 3.500; Mandaguary, 800;
Jacaré, 800;
Carrapicho, 9.500; Anhumas, 5.000; Laranja doce, 1.000; Olaria
Barrinha, 350;
Olaria Bartira, 200; Formoso e Rancharia, 200; Celeste, 800 e Batatuba,
650,
todas no Estado de São Paulo e no Estado de Mato Grosso em
Bataguassú
instalaram-se 3.000 habitantes.
Bibliografia
ALMEIDA, Rosemeire A. De. A luta Pela Terra
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In: Fronteiras – Revista de História, vol. 3, n. 6. Ed.
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*Prof. Dr. Luis Carlos Batista - Mestre e Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo. Professor Adjunto do Departamento de Geociências do Campus Universitário de Aquidauana da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (DGC/CPAQ/UFMS), atualmente ocupando o cargo de coordenador do curso de Turismo do referido departamento.
*Prof. Ms. José Carlos Ziliani - Mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Professor Assistente do Departamento de Ciências Humanas do Campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (DCH/CPTL/UFMS), atualmente ocupando o cargo de coordenador do curso de História do referido departamento.