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Políticas Desenvolvimentistas e Questão Agrária na Amazônia: a necessária anomia ao nascedouro das ciências sociais no Pará

 

André Rosa Pureza

Cientista Social  - UFPA
andrepureza@bol.com.br


   

a sociologia é uma ciência que nasce

‘torturada’ pela necessidade de explicar

as transformações sociais

(José de Souza Martins)

 

A origem histórica das ciências sociais tem a ver com o processo de formação do capitalismo industrial, dentre cujas conseqüências deve-se assinalar uma série de rupturas no quadro de referências sócio-culturais anteriormente predominante. Solari (1979) diz categoricamente que a Sociologia é um produto da crise social gerada pelo industrialismo; tal crise tende a crescer e a se complexificar na medida em que o avanço do capitalismo moderno faz-se em escala societária mais ampla. Desde quando as estruturas sociais tradicionais passaram a sofrer crescentes processos disruptivos (intensos e/ou extensos) causados pela industrialização, que se tem imposto a necessária compreensão de uma gama de novos fenômenos daí resultantes, sobretudo quando se tornam estes elementos mais regulares e não menos gerais na vida cotidiana de indivíduos, que se vêem cada vez mais envoltos na trama histórica das relações sociais capitalistas.

 

As instituições que davam conta das expectativas sociais tradicionais (seja qual for o contexto social e geográfico onde o processo de industrialização ocorreu ou vem ocorrendo) sofrem, com tudo isto, um desajuste (para não se dizer uma desatualização funcional) devido à irrupção de inéditos processos num mundo social em (re)definição e em relação aos quais não conseguem absorver devidamente. Com alusão a tais desajustes, poder-se-ia lançar mão do conceito durkheimiano de anomia — produto das transformações estruturais em curso e expressão mesma das tensões emanadas dos novos processos sociais que impõem desafios heurísticos a uma consciência coletiva ainda não suficientemente consentânea. Martins (1978) diz a respeito:

 

A anomia decorre de um não ajustamento entre o novo substrato e a consciência que permanece anomalamente referida a um substrato que já deixou de existir ou enquistou-se, com uma importância não essencial, nos segmentos da sociedade. O nascimento da Sociologia está diretamente referido à necessidade de dar conta cientificamente do caráter problemático desse ajustamento anômico (MARTINS, 1978, 23).

 

Com base nisso é que se objetiva mostrar que, não por coincidência, a questão agrária na Amazônia originou-se, a partir de meados do século XX, de um modelo de desenvolvimento exógeno conforme ditames de um revigorado processo de acumulação capitalista no país. Como corolário desse processo, intenta-se abordar ainda um tema pouco perscrutado no âmbito das ciências sociais na Universidade Federal do Pará (UFPA): o deslanchar da produção sociológica no Pará como um fator indicativo do aumento dos problemas sociais amazônicos gerados (especialmente) pelas políticas de desenvolvimento regional — como afirmam, dentre outros, Ianni (1986), Loureiro (1998) e Cardoso (1996) — não ajustadas às peculiaridades locais.

 

 

1. A Amazônia dos anos 1960-70: o desenvolvimento na pata do boi

 

Os anos de meados de 1960 e 1970 transformaram-se em marco histórico para caracterizar uma época em que se inicia a tecnificação de determinados processos produtivos agrários, um crescimento vertiginoso da concentração fundiária, aumento exponencial dos conflitos sociais (entre índios e posseiros, entre estes e grileiros, entre seringueiros e seringalistas, garimpeiros e pescadores artesanais, entre estes e as indústrias pesqueiras etc.) em áreas de fronteira, impactos ambientais provocados pelo desmatamento desenfreado, pela urbanização rural e a periferização das principais cidades amazônicas inchadas pelo fluxo populacional crescente, pelos grandes projetos hidrológicos e mineralógicos, enfim, fenômenos sócio-ambientais em cujo momento histórico de expansão do capital na periferia do sistema produtivo mundial foram desencadeados. É sobre uma parte desses fenômenos que se deseja brevemente discorrer.

 

Autores da região, como Mello (1985), Loureiro (1992; 2001), Souza (1994), Brito (2000), Stockinger (2001), Conceição e Maneschy (2002), dentre os que se pode aqui mencionar, acolhem a assertiva de que a década de 1960 representa um divisor de águas no histórico quadro de mudanças institucionais (políticas, culturais, econômicas, sociais e ambientais) que paulatinamente veio a se configurar na região amazônica. Mello (1985), por exemplo, alerta para o problema da reprodução das comunidades pesqueiras amazônicas, que se vêem ameaçadas a partir do período em questão devido não só à concorrência implacável representada pelo ingresso contínuo e maciço das indústrias pesqueiras na região amazônica, mas à conversão dos pescadores artesanais em proletários de tais indústrias, conforme a atuação destas se tornava mais intensa e decisiva. Como expressa Mello (1985): "A proletarização do pescador artesanal é fenômeno recente. Até meados dos anos 50 não ocorre propriamente, em termos de Amazônia, empreendimentos capitalistas dentro do setor a não ser em nível do comércio" (MELLO, 1985, 5).

 

É escusado dizer que, desde então, o processo de inserção do capital nacional e, principalmente, do internacional se intensifica na região, guiado não apenas pelos atrativos locais: "grandes potencialidades hidrológicas, minerais e madeireiras", mas, sobretudo, por meio dos incentivos governamentais, como "doações financeiras" e "renúncia fiscal" em favor dos investidores de outras regiões e países (SOUZA, 1994). Na avaliação de Brito (2000):

 

A política de integração regional significou uma tentativa de dar homogeneidade às estruturas sócio-econômicas. Assim, o papel do Estado na estratégia de desenvolvimento foi impor um processo de modernização forçada. No caso da Amazônia, a política de valorização, implantada a partir da década de 1960, será o marco da modernização forçada (...) A política de valorização deveria seguir um curso diferente de tudo o que já havia sido feito em relação à política de desenvolvimento regional (BRITO, 200, 115-116).

 

A modernização forçada, como afirma Brito (2000), encontra na Amazônia sua expressão máxima, pois, especialmente nos anos 60 em diante, destinam-se à região políticas impactantes que impulsionam radicalmente a economia regional — sem, contudo, observar as diversidades sócio-culturais e ecológicas, tampouco evitar a superposição de estruturas sociais desfavoráveis às camadas populares e a grupos seculares do meio rural —, através do suporte logístico e da disponibilidade de pomposos recursos financeiros que, reitera-se, o Estado garantiu (manu militari) aos grandes empreendedores de regiões brasileiras mais desenvolvidas, bem como a empresas multinacionais.

 

Não obstante, Stockinger (2001, 106), ao ressaltar o "período 'clássico' do processo de expansão modernizadora na Amazônia", enfoca o fenômeno migratório de um contingente populacional crescente (seja através do fomento governamental, com sua colonização dirigida a destinar parte desse contingente às áreas de fronteira econômica na forma de reserva de força de trabalho; seja através da colonização espontânea que tende a concentrar-se nas frentes agrícolas) para a interlândia amazônica, onde se assiste a uma drástica redefinição do desenho social e geográfico das populações tradicionais.

 

Diz Stockinger (2001), os "conflitos sociais acompanhados por lutas violentas", no campo, foram (como ainda são) produzidos pela forma de apropriação do solo amazônico, ocupado muitas das vezes ilegalmente, tanto por parte de milhares de famílias de trabalhadores rurais (oriundas do Nordeste e do Sul brasileiros, regiões onde deflagrara um sem-número de conflitos agrários), quanto por parte dos fazendeiros sulistas e estrangeiros (STOCKINGER, 2001, 108). Loureiro (1992) recorda que até final dos anos 50, praticamente a questão agrária na Amazônia não era (em comparação com as dimensões ulteriormente tomadas) evidente, à vista que:

 

grandes extensões de terras rurais na Amazônia gozavam da condição de serem bens relativamente 'livres' — do ponto de vista de estarem passivas de serem trabalhadas sem disputa, por pequenos posseiros (...), em geral, naturais da região. Seja porque grande parte delas constituía-se de terras devolutas do Estado ou da União; seja porque [uma] parte não estava titulada como propriedade privada e (...) outra parte, embora assim titulada, face às dificuldades de acesso, ou pela grande extensão de alguns imóveis rurais, ou ainda, porque as terras tinham baixo valor de mercado, (...) [não impediram] a ocupação por posseiros [que] era, com freqüência, ignorada e simplesmente não questionada pelo próprio proprietário legal (LOUREIRO, 1992, 11).

 

Mas, com a chegada do progresso, "índios, negros e caboclos tornaram-se invisíveis no conjunto das políticas públicas" (LOUREIRO, 2001, 59), resultando disto o surgimento e o agravamento de conflitos de terra entre tais grupos locais e os de outras regiões. Uma vez que a floresta amazônica já aparecia nos planos, projetos e programas estatais "como sendo substituída por empreendimentos ditos 'modernos', 'racionais', 'econômicos'" (LOUREIRO, 2001, 57-58), a meta do governo passou a ser a de transformar a região em grandes propriedades agrícolas e de pastagens extensivas, fosse onde fosse. Daí a preocupação de determinados cientistas sociais da região com o destino que, de tempos, vêm tomando as populações tradicionais da região.

 

Conceição e Maneschy (2002), no caso, há muito estudam o comportamento migratório desta categoria social, revelando em suas pesquisas (realizadas em vários municípios de região, inclusive, de antiga ocupação colonial) um aspecto singular desse fenômeno: as populações caboclas, que ainda desenvolvem atividades ancilares, tais como o extrativismo vegetal e animal, atividades agrícolas de escala limitada ao propósito de subsistência, o artesanato etc., recriam estratégias de reprodução de suas condições sociais, conquanto não escapem, no todo, às interferências da cultura urbano-capitalista vigente. Obviamente que reconhecem que essa categoria social tem um número inexpressivo relativamente ao grosso da população tradicional prejudicada ao longo dos últimos 25 anos em que esteve (como ainda está) em curso o processo de modernização forçada na Amazônia.

 

Em seus rearranjos para manutenção (no limite) de suas condições de vida tradicional, tais populações remanescentes encontram uma alternativa viável, que vem ser o retorno a cidades de ocupação antiga não pretendidas (ou já preteridas) pelo capital (CONCEIÇÃO e MANESCHY, 2002). Daí preferirem, Conceição e Maneschy (2002), caracterizar o processo acima descrito como uma "reordenação social" tendente a evidenciar a tensão que, diuturnamente, sofrem as populações tradicionais, as quais heroicamente resistem sob pena de engrossarem alhures a massa de (sub)proletários urbanos sobrevivendo nos bolsões de miséria das grandes cidades não somente regionais (CONCEIÇÃO e MANESCHY, 2002).

 

 

2. Um nascimento em meio à tortura: as ciências sociais no Pará

 

O contato crescente e inevitável dos grupos amazônicos tradicionais com os forâneos — quer se constituíssem de principais beneficiários (grandes empresas nacionais e multinacionais) da mega operação "Ocupação Amazônia", quer de marginalizados que, sem alternativas, aumentavam o fluxo migratório para a região — inaugurou, por conseguinte, uma agenda de problemas públicos da qual as ciências sociais na Amazônia, em especial, no Pará, iriam progressivamente ocupar-se. Com isso, as raízes da formação das ciências sociais no Pará encontraram-se no efeito degradativo que formas societárias seculares apresentaram ao entrarem, passivamente ou não, em contato com a industrialização brasileira concentrada, embora, no sudeste.

 

Isto permite pensar também na inter-relação (direta ou indireta) das ciências (sejam as Físico-Naturais, inter-relacionando-se ou interagindo com as Sociais, sejam estas interagindo consigo mesmas ou no campo mais amplo das Humanidades), por se ter em mente o fato de umas terem desempenhado um papel relevante no impulso tecnológico expresso pelo desenvolvimento industrial, ao passo que outras serviram, no plano ideológico, para coroar, em termos de legitimidade (no nível mesmo da subjetividade coletiva), o avanço indiscriminado do capitalismo em regiões como a Amazônia[1]. Ainda que seja uma peça no intrincado jogo das forças políticas e econômicas do país, onde se instituiu o generalizado modelo brasileiro de desenvolvimento industrial dependente e combinado, a Amazônia será palco de um sub-modelo desse capitalismo dependente, conceituado por Mitschein et alii (1989) de capitalismo de enclave.

 

Os enclaves econômicos (clareiras de progresso objetivamente distantes das possibilidades de melhoria das condições de vida das populações tradicionais e das recentemente fixadas na região) foram a tônica da maneira como o Estado viabilizou o avanço da fronteira capitalista no Norte do país. É sabido, não obstante, que não data do período considerado o surgimento da questão agrária, bem como de outras questões; porém, o que houve, a partir dos anos 60-70, foi um avultamento de suas dimensões sociológicas, e de tal ordem que, longe de se constituírem em meras coincidências, as ciências sociais locais obtiveram, a partir de então, impulso suficiente e necessário em sua produtividade, na medida mesmo em que se fizeram altissonantes os reclamos de determinados setores sociais e políticos da região, demandando daquelas respostas ao fenômeno do agigantamento de questões sociais, como, com toda a sua complexidade, a agrária no contexto amazônico. Concorre, para tanto, o desenvolvimento de políticas científicas em nível nacional, que não contemplaram, inicialmente, a área das ciências sociais, menos ainda das da região amazônica (FAULHABER e TOLEDO, 2001).

 

Moreira (1977) e Campos (1981) assinalam, cada um a seu modo, que os investimentos públicos em Ciência — sobretudo os registrados na região amazônica após a criação da Universidade Federal do Pará-UFPA (1957) — tiveram como alvo principal pesquisas da área de Saúde, Tecnologia e Agronomia. A conclusão desses autores retrata o embotamento endêmico das ciências sociais no Pará antes da década de 1970. Até esse período, os investimentos na área sociológica eram praticamente incogitáveis; exceções havia, como no campo da Antropologia em que se atuava sob a chancela do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Entretanto, os estudos etnográficos realizados pelo MPEG (principal instituição de pesquisa na região desde fins do século XIX) não tinham uma divulgação ampla, restringidos que estavam ao hermético sistema de permuta instituído entre museus nacionais e estrangeiros (CUNHA In: FAULHABER e TOLEDO, 2001). Durante quase um século, a Antropologia voltava-se apenas a grupos humanos isolados, obviamente os indígenas, e para tanto, tinha o apoio de fora, individual ou institucional. Só a partir do surgimento da Antropologia Social, em meados de 1950 — especialmente com os trabalhos do Dr. Eduardo Galvão —, que foram alcançadas realidades mais complexas, tais como os principais centros urbanos amazônicos (CUNHA In: FAULHABER e TOLEDO, 2001).

 

É mister que se adiante que o desenvolvimento das ciências sociais no Pará dependeu menos de uma constelação de instituições científicas do que, como foi exaustivamente aludido, aqui, do nível de agravamento das questões sociais, políticas, econômicas, ecológicas e culturais sentidas com a expansão da fronteira econômica na Amazônia desde meados de 1960. Se não fosse desse modo, o Instituto Internacional da Hiléia Amazônica (IIHA) não teria sido um projeto científico de grande envergadura frustrado. O Instituto Hiléia não vingou mesmo com um aparato de instituições de pesquisa regionais, nacionais e estrangeiras, cujo fim maior parecia ser o de elevar o nível de institucionalização científica da região, potencializando a intervenção racional de atores econômicos e políticos da parte de países amazônicos e de outros mais interessados no conhecimento do Vale Amazônico (CAMPO, 1981, 21).

 

Para a opinião corrente, a fragilidade dessa proposta se deu quando determinados movimentos sociais encabeçados pelos nacionalistas (intelectuais, cientistas, militares, políticos etc.) objetivaram frustrar o plano de consórcio (internacional) de investimentos científicos na Amazônia, pois havia um receio quanto às decisões desse instituto estarem concentradas em mãos de cientistas estrangeiros, o que se traduzia, naquele contexto de exacerbo nacional-desenvolvimentista, em possibilidade efetiva de internacionalização da Amazônia, oferecendo riscos à soberania nacional (BRASIL; ANDRADE In: FAULHABER e TOLEDO: 1987; 2001).

 

A confirmação provém de relatos de muitos cientistas, que, naqueles momentos de efervescência patriótica, ocuparam cargos diretivos de institutos (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA) e conselho (Conselho Nacional de Pesquisas-CNPq) nacionais criados em consonância com os reclamos nacionalistas (MAIO In: FAULHABER e TOLEDO, 2001). Por exemplo, na opinião de Faria (In: FAULHABER e TOLEDO, 2001, 370), alguns segmentos nacionais, ao propugnarem com a criação do IIHA, pareciam convidar os estrangeiros a uma espoliação consentida, pois a ênfase das propostas do IIHA recaía no envio de material faunístico e florístico para a França, onde seria analisado e catalogado, sem que os cientistas brasileiros participassem destes estudos. Contudo, outras razões estiveram presentes, e Maio (In: FAULHABER e TOLEDO, 2001) mostra que a questão não era tão simples.

 

Subordinado a então recém criada UNESCO, em 1946, o Instituto Hiléia surgiu como proposta no bojo de um acalorado debate sobre a função social que deveria exercer a Ciência, após sua utilização catastrófica durante a II Guerra Mundial — principalmente pelas lembranças ainda muito vivas na memória coletiva mundial acerca das experiências de genocídios, dentre as quais se destacam Auschwitz, Hiroshima e Nagasaki. A indefinição de uma concepção alusiva ao novo papel a ser ocupado pela Ciência no mundo contemporâneo, marcou as discussões travadas, em 1947, na Conferência Científica de Belém. Maio (In: FAULHABER e TOLEDO, 2001, 58-59) pontua algumas das propostas prevalecentes nesta conferência:

 

[A] necessidade de amplo inventário faunístico e florístico, a criação de reservas florestais e sua exploração racional, a descoberta e a utilização de plantas de valor econômico, a cultura em terras inundáveis, o desenvolvimento da piscicultura para fins alimentares, a criação bovina (em especial as raças adaptáveis ao meio ambiente), as pesquisas dos conhecimentos etnobotânicos dos povos indígenas, a realização de pesquisas antropológicas sobre as comunidades da região, a elaboração de inquéritos sociais tendo em vista o atendimento de demandas nos campos da educação e da saúde e o fortalecimento de instituições científicas locais.

 

Como os EUA, “responsáveis por parte substanciosa do orçamento da UNESCO”, tinham outras prioridades, sobretudo impedir o avanço do socialismo num contexto geopolítico mundial, que já se moldava bipolar, e (como conseqüência da primeira) recompor as economias capitalistas de uma Europa arrasada pela guerra. Nesse contexto, o Instituto Hiléia, cuja versão predominante entremostrada na Conferência de Iquito (1948) não interessava àqueles, acabou tendo (para os países do Primeiro Mundo) uma importância secundária. E não apenas isto. A partir do momento, esclarece Maio (In: FAULHABER e TOLEDO, 2001, 59) outro ponto:

 

em que se tentou transformar uma demanda internacional (criação de um amplo centro de pesquisas) em projeto para solucionar problema de uma região ávida por políticas públicas voltadas para o desenvolvimento regional, a direção geral da UNESCO foi gradativamente limitando o seu raio de ação, atribuindo a responsabilidade maior pelo projeto IIHA aos países imediatamente interessados na proposta (grifo nosso)

 

Esses países “imediatamente interessados” eram naturalmente os amazônicos: em particular, o Brasil e os andinos; em geral, os latino-americanos. Outras razões, como as decorrentes da Conferência de Iquito, em 1948, (dentre as quais, a já referida resistência de setores políticos, civis e militares de países latino-americanos — mormente do Brasil —, que viam com desconfiança a implantação do IIHA, um projeto imperialista; as discordâncias entre Brasil e Peru, além do que os países latino-americanos, de maneira geral, não se empenharam quanto aos investimentos que deveriam fazer) concorreram para explicar a frustração que foi, no Brasil, assistir ao Instituto Hiléia ser “engavetado pelo Congresso Nacional”, em 1951 (MAIO In: FAULHABER e TOLEDO, 2001, 61-62). De qualquer modo, mesmo com a criação do CNPq, em 1951, ou do INPA, um ano depois, a área de Ciências Humanas não foi devidamente lembrada. Apenas anos mais tarde, o CNPq, bem como o INPA, passou a dar relativa atenção aos estudos sociológicos desenvolvidos na região amazônica.

 

Essa pouca atenção reservada às ciências sociais era traduzida por Cunha (1985) como resultado de “preconceito”; porém, abaixo da grossa crosta fenomêmica da realidade social total estavam prestes a ebulir as forças históricas que mudariam este quadro anômico em favor (também) das ciências sociais no Pará. Se não fosse pelo que já se vem discorrendo a propósito da determinação, em suficiente medida, das políticas desenvolvimentistas favorecedoras da acumulação capitalista e, a um só tempo, do agravo das questões sociais no campo e nas cidades amazônicas, pareceria surpreendente o fato da produção sociológica paraense ter alcançado, mais tarde, um relativo crescimento.

 

Embora se observe na extensão de um século (1860-1960), em cujo quadro, em anexo, alusivo à produção sociológica no Pará no período compreendido entre meados da década de 1860 e início da de 2000 (Apêndice I), a produção literária de natureza sociológica não era tão relevante. No aludido quadro, incluem-se muitas das obras consideradas importantes nesse período; a exemplo de consagrados romances regionalistas descritivos da realidade social e cultural amazônica que apresentavam — na falta de estudos propriamente sociológicos — um caráter objetivo na abordagem de temas socioantropológicos locais, sobretudo pelo que disserta Barreto (2003) acerca de Inglês de Souza:

 

O ponto fundamental a ser considerado aqui é que toda obra inglesiana – e não apenas seus três livros iniciais [“O Cacaulista”, “O Coronel Sangrado” e “História de um pescador”] – exibe uma nuança documental que confere-lhe um eminente valor como fonte de pesquisa sociológica e antropológica a respeito da sociedade cacaueira amazônica, pois (...) as peculiaridades do ambiente e do modo de vida regional sobressaem-se espontaneamente em todos os seus escritos através da verossimilhança com que apresenta o cenário natural e as condições sociais de uma época (BARRETO, 2003, 49).

 

Em “Cenas da vida amazônica”, José Veríssimo, outro escritor que se ombreia a Inglês de Souza, em matéria de importância inclusive não só regional, descreve os costumes do povo amazônico. A respeito desses, “não são descrições trazidas de acarrêto”, assevera Machado de Assis (s. d.), que, não poupa elogios à obra de J. Veríssimo:

 

Há locuções da terra. Há a tecnologia dos usos e costumes. Ninguém esquece que está diante da vida amazônica, não tôda, mas aquela que o Sr. José Veríssimo escolheu naturalmente para dar-nos a visão do contraste entre o meio e o homem (ASSIS, s. d., 246)

 

Mais à frente diz Machado de Assis (s. d.):

 

Mas, pouco ou muito, podemos fiar-nos da veracidade do autor, que não perde o que seja um rasgo de costumes ou possa avivar a côr da realidade. Vimos o regatão; veremos a benzedeira, a pintadeira de cuias, a mameluca, sem exclusão do jurado, do promotor, do presidente de província (ASSIS, s. d., 248).

 

Exercendo, na Amazônia, um papel próximo ao desempenhado por cientistas sociais ainda ausentes naquele contexto, os “profanos”, nos termos de Bourdieu (1998),  para aludir, aqui, aos escritores paraenses porque, mesmo convictos de uma perspectiva positivista e mesmo determinados em investigar, através da literatura, a realidade social à maneira de autênticos cientistas (BARRETO, 2003, 23), pertencem à pré-história das ciências sociais profissionais.

 

Nesse primeiro período assinalado no quadro, nota-se, como já foi dito, o embotamento endêmico das condições institucionais possibilitadoras da afirmação das ciências sociais, e conquanto seja nos anos compreendidos entre a criação do curso de ciências sociais (em 1957) e início dos anos 1970, segundo Campos (1981, 23), “Pesquisar constituía, nesse período, [em] mero exercício científico de opção pessoal e vocacional, que ninguém cobrava de ninguém, e por cujos resultados também a Universidade não demonstrava especial interesse”.

 

No caso da UFPA, até meados da década de 1970, a pesquisa “não ocupou nenhum lugar definido, dentro da estrutura [dessa] instituição, pelo menos em termos de gerência central” (CAMPOS, 1981, 23). Ribeiro (1983) arremata, dizendo: “Creio que antes da criação da Universidade (UFPA), e mesmo depois, até o final da década de sessenta, nós tivemos uma fase que, com exceção da Faculdade de Medicina, foi de quase total anomia no campo da pesquisa” (RIBEIRO, 1983, 129). A UFPA — complementa Ribeiro (1983) —, “Antes, recebia financiamento de outras agências; a partir daí”, 1975, com o Primeiro Plano Diretor da Pesquisa, “a Universidade passou a dispor de um título orçamentário próprio para o financiamento da pesquisa” (RIBEIRO, 1983, 130).

 

Em compensação, na década de 1970 em diante, o acúmulo de publicações sociológicas no Pará fez-se notar a cada ano. A produção sociológica, nos anos que avançaram a década de 1980, se intensificou ainda mais em virtude dos impactos sócio-ambientais provocados pelos Grandes Projetos, como a hidroelétrica de Tucuruí e o Projeto Grande Carajás (PGC); sem, contudo, diminuírem as preocupações com os conflitos sociais no campo e na cidade (Cf. Apêndice I).

 

Embora outros aspectos necessitem de ser levados em conta, como a fundação do curso de ciências sociais, em 1957, na ainda Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL), um dos núcleos precursores da UFPA; a profissionalização e sindicalização posteriores, na década de 1980, que tiveram como feição originária a associação dos sociólogos do Pará e Amapá criada em 1970, e a própria literatura sociológica mais ampla (nacional e estrangeira) referente não apenas a questões amazônicas a municiar os cientistas sociais locais, foram as políticas públicas (encarnadas pelo paradigma nacional-desenvolvimentista predominante) que, decisivamente, influiu nos rumos da Amazônia e, indiretamente, no das ciências sociais no Pará, quando os ruídos da modernização forçada já intentavam silenciar, de vez, o canto do Uirapuru — nos fáusticos idos de 1960.

 

 

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_____________________. A reestruturação de relações tradicionais na Amazônia numa era de modernização forçada (1960-1980). In: Sociologia na Amazônia: debates teóricos e experiências de pesquisa. COSTA, Mª J. J. (org.). Belém: UFPA, 2001, pp. 105-140.

 

 

APÊNDICE I

 

 

Quadro Histórico da Produção Sociológica no Pará (1860-2000)

DÉCADA

AUTOR E OBRA

1860

1863

Domingos Antônio Raiol (Motins políticos, vol. 1).

1868

Domingos Antônio Raiol (Motins políticos, vol. 2); Domingos Soares Ferreira Pena (O Tocantins e o Anapu); Domingos Soares Ferreira Pena (Região ocidental da província do Pará).

1870

1876

Inglês de Souza (O cacaulista); Inglês de Souza (História de um pescador); Couto de Magalhães (O selvagem).

1877

Inglês de Souza (O coronel sangrado).

1879

José Veríssimo (Cenas da vida amazônica).

1880

1883

Domingos Antônio Raiol (Motins políticos, vol. 3).

1884

Domingos Antônio Raiol (Motins políticos, vol. 4).

1885

José Veríssimo (A pesca na Amazônia).

1886

José Veríssimo (Scenas da vida amazônica).

1890

1890

José Veríssimo (Instrução pública no Estado do Pará); Domingos Antônio Raiol (Motins políticos, vol. 5).

1891

Inglês de Souza (O missionário).

1893

Domingos Antônio Raiol (Capítulos da história colonial do Pará).

1894

Inglês de Souza (Contos amazônicos).

1899

José Veríssimo (Pará e Amazonas, a questão de limite).

1900

1902

Arthur Vianna (História da Santa Casa de Misericórdia).

1906

Arthur Vianna (As epidemias no Pará).

1910

1910

Ignácio de Moura (De Belém a São João do Araguaia).

1920

1928

Ignácio de Moura (Ensaios de educação, moral e cívica); Dalcídio Jurandir (Chove nos campos de cachoeira).

1930

1930

Dalcídio Jurandir (Marajó).

1933

Jorge Huxley (No domínio das águas); Jorge Huxley (História da pesca no Pará).

1936

Jorge Huxley (A colonização); Ernesto Cruz (História de Belém).

1940

*

*

1950

1957

Levi Hall de Moura (Esquema da origem e evolução da sociedade paraense).

1959

A. Meschkat (Considerações sobre a pesca na Amazônia).

1960

1961

Charles Wagley e Eduardo Galvão (Os índios tenetehara, uma cultura em transição).

1966

Eidorfe Moreira (Belém e sua expressão geográfica).

1970

1971

Vicente Salles (O negro no Pará).

1972

Napoleão Figueiredo (Festas de santo e encantados).

1976

Eduardo Galvão (Santos e visagens)

1977

Lúcio Flávio Pinto (Amazônia: o anteato da destruição); Napoleão Figueiredo (Amazônia: tempo e gente); Eidorfe Moreira (Para a história da Universidade Federal do Pará (panorama do primeiro decênio)).

1979

Eduardo Galvão (Encontro de sociedade: índios e brancos no Brasil); Maria J. carvalho Brabo (Os roceiros de Muaná); Pasquale Di Paolo (Umbanda e integração social).

1980

1980

Lúcio Flávio Pinto (Amazônia: no rastro do saque); Eunice Penner (A dialética da atividade pesqueira no Nordeste amazônico); Rosa Acevedo Marin e Jean Hèbette (Colonização para quem?); Darcy Flexa Di Paolo (Os estivadores do Pará: um estudo sociológico).

1982

Lúcio Flávio Pinto (Carajás, o ataque ao coração da Amazônia).

1985

Alex Fiúza de Mello (A Pesca sob o capital: a tecnologia a serviço da dominação); Pasquale Di Paolo (Cabanagem); Violeta R. Loureiro (Os parceiros do mar: natureza e conflito social na pesca da Amazônia).

1986

Levi Hall de Moura (O papel das camadas médias nas revoluções).

1987

Lourdes G. Furtado (Curralistas e Rendeiros de Marudá: pescadores do litoral do Pará); Violeta R. Loureiro (Miséria da ascensão social: capitalismo e pequena produção na Amazônia); Pasquale Di Paolo (Mediação política e integração humana).

1988

Marília F. Emme (A oligarquia do Tocantins e domínio dos castanhais)

1989

Edna R. Castro e Jean Hèbette (org.) (Na trilha dos grandes projetos); Edna R. Castro e Rosa Acevedo Marin (Amazônia em tempos de transição); Auriléa G. Abelém (Urbanização e remoção: por que e para quem?); Thomas A. Mitschein, Henrique R. Miranda, Mariceli C. Paraense (org.) (Urbanização selvagem e proletarização passiva na Amazônia).

1990

1990

Maria J. Jackson Costa (Demografia e mão-de-obra na Amazônia).

1991

Jean Hèbette (O cerco está fechando).

1992

Violeta R. Loureiro (Amazônia: Estado, Homem e Natureza).

1993

Maria A. Cristina Maneschy (Ajuruteua: uma comunidade pesqueira ameaçada); Maria Angélica Motta-Maués (Trabalhadeiras e camaradas: um estudo sobre o status das mulheres numa comunidade de pescadores); Lourdes G. Furtado, Wilma Leitão, Alex F. de Mello (org.) (Povos das águas: realidades e perspectivas na Amazônia).

1996

Alex F. de Mello (Mundialização e política em Gramsci); Dedival Brandão (Os tambores da esperança).

1997

Rosa Acevedo Marin e Edna R. Castro (Os negros de Trombetas: guardiães da mata e rios).

1998

Eliene Jaques Rodrigues (Banidos da cidade e unidos na condição: Cidade Nova: espelho da segregação social em Belém); Francisco Assis Costa (Ciência e tecnologia na Amazônia: questões para o desenvolvimento sustentável).

1999

Raimundo Heraldo Maués (A outra “Amazônia”); Alex F. de Mello (Marx e a Globalização); José Carlos Castro (A utopia política positivista e outros ensaios);

2000

2000

Maria J. Jackson Costa (org.) (Sociologia na Amazônia: debates teóricos e experiências de pesquisa); Alex F. de Mello (Mundialização e capitalismo em Marx); Francisco de Assis Costa (Formação Agropecuária na Amazônia: os desafios do desenvolvimento sustentável).

2001

Daniel Chaves de Brito (A modernização de superfície: Estado e desenvolvimento na Amazônia); Alex F. de Mello (Modo de produção mundial e processo civilizatório: horizonte histórico do capitalismo em Marx); Raimundo Valdomiro de Sousa (Campesinato na Amazônia: da subordinação à luta pelo poder) (2001); Vicente Salles (Marxismo, socialismo e os militantes excluídos).

2002

Maria A. Cristina Maneschy e Maria de Fátima C. da Conceição (No mar, nos rios e nas fronteiras); Kátia Mendonça (O mito do herói: a salvação pelo espetáculo); Alex F. de Mello (org.) (O futuro da Amazônia — Dilemas, oportunidades e desafios no limiar do século XXI); Maria J. Jackson Costa (org.) (Caminhos sociológicos na Amazônia).

 



[1] Mas, a natureza da relação entre capital e ciência (social, no caso) não se reduz à instrumentalização desta última. A complexidade dessa relação se efetiva com a atuação refratária de cientistas sociais denunciando o que intenta esconder a ideologia capitalista.






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Origens do Museu Paraense Emilio Goeldi, de Luis Carlos B. Crispino
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