Ano II

Abril - Maio 2001
Nº 7

Editorial

A História que trai a História
Ynaê Lopes dos Santos

"Por muito tempo essas questões atordoaram a minha cabeça - principalmente pelo fato de ter chegado ao meio de meu curso e nunca ter ouvido falar sobre qualquer sociedade oriental e saber que dificilmente ouvirei - e me fizeram desacreditar e inclusive desmerecer não só o curso de história, mas a minha própria concepção no ser humano."
 
Arquivos públicos e particulares e as fontes policiais: reflexões acerca da parcialidade de sua produção e seus usos
Gabriel Passetti

"Trabalhando sob o clima de permanente medo, os investigadores vasculhavam a fundo as atividades de todos aqueles indivíduos ou organizações que poderiam ser considerados perigosos. Sindicatos, clubes, centros de cultura, imprensa em geral, empresas e tantas outras organizações tinham seu funcionamento acompanhado de perto pelos investigadores, que reportavam-se constantemente ao delegado de ordem política e social"

Ciência Dândi?
Por uma ciência socialmente comprometida
Rodrigo da Silva

"Todos estes recortes tem como objetivo exemplificar e, através de um mosaico, demonstrar como a ciência pode e deve ser socialmente comprometida. Um físico, um historiador, um antropólogo, um educador, um sociólogo, separados por espaço e tempo, comungando, como diria Paulo Freire, na aventura da descoberta e no amor incondicional pela humanidade. Um poderia gostar da pintura de Miró, outro de Dalí, um poderia gostar de música performática, outro de música popular, um poderia gostar de mangas e outro ainda de uvas, um poderia gostar de assuntos miúdos e outro de se perder nos grandes, entretanto isso jamais impediu que comungassem, sem o saber, de algo tão mais amplo. Salvo um ou outro caso jamais sentaram na mesma mesa para articular suas ações, talvez nem fosse necessário"

Erudição, a chave da Dominação
Danilo José Figueiredo

"Marilena Chauí, Peter Brown, Florestan Fernandes, Michel Foucault, dentre outros, formam uma elite internacional de intelectuais extremamente eruditos, mas que têm uma gama de leitores extremamente menor do que poderiam ter se não sentissem a necessidade (ao menos na maioria de suas obras) de escrever numa linguagem além da compreensão do cidadão comum"

Filhos do Romantismo
Rodrigo da Silva

"No século dezenove a história se confundia com a literatura ficcional. Autores como Alexandre Herculano escreveram tanto história quanto romances, se formos radicais ainda hoje tais ofícios se misturam, não é raro vermos historiadores romancistas e romancistas historiadores, com resultados variados é verdade, sem no entanto deixar de ser um fato. Isto obviamente nos leva a constatação de que ambos ofícios andam lado à lado, bem como todas as ciências humanas, em maior ou menor grau. Assim sendo temos uma pista: literatura e história se cruzam o tempo todo, e isto a partir de algum momento, "em função de tempo e espaço" criam uma trajetória"
 
O fazer-se da historiografia brasileira uma introdução
Erik Hörner

"Por um bom tempo, a preocupação do Instituto foi em periodizar a História do Brasil, algo simples e óbvio hoje em dia mas que na época era motivo de inúmeras discussões. Entre elas se encontra o desentendimento entre o General José Inácio de Abreu e Lima, que como periodização propôs a divisão da História do Brasil em oito épocas ou capítulos, e Francisco Adolfo de Varnhagen, encarregado em dar um parecer em nome do IHGB no ano de 1843. A periodização do General era de fácil crítica devido a sua excessiva e quase exclusiva história administrativa do país e ao fato de ter pensado primeiramente as categorias para depois inserir os acontecimentos"

O Positivismo, Os Annales e a Nova História
Angela Birardi, Gláucia Rodrigues Castelani, Luiz Fernando B. Belatto

"Dissidentes da Revista de Síntese, Lucien Febvre e Marc Bloch - com o projeto de renovar a história - fundaram a Revista Les Annales d´ Histoire Économique et Sociale em 1929. Tinham como objetivos: eliminar o espírito de especialidade, promover a pluridisciplinaridade, favorecer a união das ciências humanas, passar da fase dos debates teóricos (os da Revista de Síntese) para a fase das realizações concretas, nomeadamente inquéritos coletivos no terreno da história contemporânea.

O encontro entre Febvre e Bloch aconteceu na cidade de Strasbourg A Revista dos Annales surge numa época em que a "escola metódica" exalta a sua preocupação com a erudição, privilegiando a dimensão política - procurando dar grande ênfase ao acontecimento"


História do Tempo Presente
História e Contemporaneidade
Carlos Ignacio Pinto

"O que irá se escrever sobre o tempo ao qual vivemos? 

É muito difícil termos a noção exata daquilo que é contemporâneo a nós e por isto a História que nos é transmitida é muito importante; a concepção do presente é impossível sem o mínimo do conhecimento  do que já se passou; é condição imediata para o homem poder atuar dentro do meio no qual vive. Não se atua sobre o que não se conhece, a não ser de forma involuntária e sem pretensão"


Cinema e História
"Cidadão Kane", o melhor filme de todos os tempos. Ou não? Representações da Realidade e História
Claudinei Vieira

"Apesar de parecer óbvio (ululante, como diria Nelson Rodrigues), agimos na verdade como se não fosse. Quando nos deparamos com a frase: "A escravidão foi abolida com a assinatura da Lei Áurea" e ficamos por isso mesmo, estamos à beira de uma falsa afirmação. Afinal, de qual escravidão está se referindo? À formal (a assinatura e um papel)?, à socio-econômica (já que o trabalho escravo, na época, estava praticamente se esgotando)?, à  existencialista (condição do Homem enquanto Ser explorado por outro Homem)? Há uma resposta diferente e coerente para cada pergunta! e partindo do mesmo enunciado"


 


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