Império Islâmico: Uma unidade de Fé forjada numa diversidade de Culturas

Danilo José Figueiredo
3º Ano - História/USP
danilo@klepsidra.net
arabes.rtf - 219KB


 
Introdução
Preâmbulo da Península Arábica
Caaba, uma união sincrética
Maomé, um profeta revolucionário
O período dos quatro Califas (Rashidun)
O Califado Omíada
A Revolução Abássida
O Islamismo
As Sombras do Império
Bibliografia

1 – Introdução:

Este é meu sexto texto para a revista Klepsidra, o quinto a respeito de uma grande civilização do passado. De fato, este é o tema de minha preferência e acredito que minha contribuição, por mais débil que seja, é muito válida, pois elucida a muitos sobre acontecimentos quase desconhecidos da História do Mundo. Digo quase desconhecidos porque não são comumente tratado pela História tradicional, ou seja, a História fundamentada na escola Francesa.

Os Árabes, no entanto, são muito estudados, pois sua implicação na História Ocidental é tão grande quanto foi a de Gregos e Romanos, porém, o período da História Árabe, e porque não dizer Islâmica, mais estudado é o compreendido entre os séculos XI e XV, pois foi entre esses séculos que se realizaram as Cruzadas, tanto as Orientais, que levam mesmo este nome, quanto as Ocidentais, que se realizaram especialmente em Portugal e na Espanha e que são também conhecidas como Guerra de Reconquista.

Depois do século XV, em especial depois da queda de Granada e conseqüente fim da Guerra de Reconquista, em 1492; e da tomada de Constantinopla, em 1453, o estudo dos povos Islâmicos decai um pouco e só é referido no que se trata do Império Otomano (Turquia), que passa a levar praticamente sozinho, até a I Guerra Mundial, a bandeira do Islã frente o Ocidente.

Justamente pelo fato de meu enfoque histórico ser direcionado a civilizações Antigas e Medievais (ou que se comportem dessa forma, como já me referi acerca das civilizações da América pré-colombiana e do Japão) e a períodos pouco estudados pela História tradicional, é que não me referirei, senão em pequenas menções, neste texto, às Cruzadas. Meu objetivo é realmente explicar os primórdios do Islamismo, o início da disposição das peças no tabuleiro, que mais tarde seria palco das Cruzadas. Pretendo elucidar ponto nebulosos a respeito da História de Maomé, dos quatro primeiros Califas e das duas dinastias Imperiais, os Omíadas, cujo governo estudarei por completo (exceto o seu refúgio na Espanha) e os Abássidas, cujo governo será estudado até o Califa Harun al-Rachid, quando precipita-se a fragmentação do poder, fragmentação esta que já havia sido iniciada justamente pela perda da Espanha, ou al-Andalus, para os Omíadas, quando do estabelecimento da dinastia Abássida, em meados do século VIII.

A partir das explicações dadas, pode-se concluir, corretamente, que o enfoque de meu trabalho será entre o princípio do século VII d.C. e o princípio do século IX d.C., quando o Império se encontra em seu apogeu cultural, mas quando encontra-se em franco desmembramento.

Por fim, gostaria de ressaltar algumas coisas que julgo de extrema importância:

1) Alguns nomes (tanto de pessoas, quanto de lugares), senão todos, estão grafados de forma ocidentalizada, mesmo quando entre parênteses, isso porque nos é muito difícil transliterar palavras do alfabeto Arábico para o nosso.

2) Apesar de os Muçulmanos utilizarem-se de um sistema de contagem de anos diferente; tanto pelo fato dos anos lunares terem durações diferentes dos anos solares utilizados por nós, quanto pelo fato de seu marco inicial ser a Hégira, em 622 do nosso calendário; todas as datas apresentadas no texto são pertencentes ao calendário gregoriano, todavia, deve-se notar que algumas podem estar erradas, visto que o calendário gregoriano só foi instituído no século XVI e, dessa forma, podem haver pequenas discrepância entre suas datas e as do calendário juliano, que vigorava na época a que o texto se remete.

3) Desde já peço desculpas a quaisquer adeptos do Islamismo que porventura venham a ler este texto e se sentir ofendidos com alguma das informações aqui contidas, ou mesmo com quaisquer opiniões minhas, expostas ao longo do trabalho. Quero deixar claro que nada tenho contra a liberdade de culto, ou mesmo contra o Islamismo em si, no entanto, o comprometimento com a discussão crítica proposta pela História me obrigam a, por vezes, parecer ofensivo ou demasiado crítico a essa religião, bem como a muitas outras, como ao Cristianismo de um modo geral, o Judaísmo e várias outras citadas ou não neste texto. Que meus pedidos de desculpas aos Muçulmanos se estendam a todos os outros religiosos.
 

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