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Vilma Lurdes da Fonseca
Mestranda em História Social - UEM-PR vilmafonseca@wnet.com.br insularidade.rtf - 40KB |
Literatura como fonte e o sentimento insular
Levando em conta que o espaço e a natureza são fatores importantes para a formação de identidades e memórias coletivas, farei uma abordagem, neste artigo, da temática que envolve a vida insular diferenciando-a da vida continental, procurando contudo evitar cair na análise dicotômica que compara elementos insulares com continentais, que poderiam levar-me a uma pesquisa sem a devida profundidade do tema proposto. (Sahlins,1979:180).
Para esta análise, parto do pressuposto de que a literatura é uma importante fonte documental para a pesquisa histórica e que a sua utilização costuma render trabalhos historiográficos de indubitável valor nos mais diversos âmbitos da pesquisa histórica, sendo que, como exemplo para esse tópico temático jamais poderia deixar de referenciar a obra O Campo e a cidade na história e na literatura, de Raymond Williams, na qual ele analisa as transformações ocorridas no campo e na cidade na Inglaterra do período da Revolução Industrial, utilizando como fonte documental a literatura produzida naquele período, ali na Inglaterra.
As pessoas envolvidas nessas transformações repensam suas formas de vida de acordo com as experiências vivenciadas em sua sociedade e, aquelas que se expressam artisticamente, demonstram, com suas sensibilidades, essas mudanças culturais porque, segundo Husserl, mesmo a experiência mais passiva inclui retenção do passado imediato e a antecipação tácita do futuro (Cardoso, l998:47). Utilizando-se da riqueza de informações que a obra literária oferece ao historiador, Raymond Williams pode desenvolver essa obra tão referenciada. Seguindo essa metodologia que valoriza a fonte literária para a análise histórica, procurarei discutir a insularidade através da obra do escritor José Lezama Lima e o caráter insular da cultura cubana e suas fronteiras aquáticas e imaginárias.
Antes de tudo, é necessário destacar que existe uma variada literatura a respeito das diversas ilhas que existem no mapa mundi e na mente das pessoas. Ou seja, a ilha nem sempre é um lugar no mapa mas, muitas vezes, um lugar na mente. Um lugar onde se imagina encontrar tesouros grandiosos, mulheres sensuais, homens viris, animais exóticos, fontes da juventude, aventuras sem fim ou a paz e o sossego que o ser humano deseja em seus momentos de angústia e cansaço.
Mas os sentimentos de quem vive em uma ilha podem representar diferentes comportamentos, embora característicos. Às vezes as pessoas estão felizes porque ali vivem isoladas e conseguem desfrutar dessa situação e, às vezes, sentem-se sufocadas e desejam ir para o mundo continental, sem as fronteiras de água, onde possam respirar ares de liberdade, referindo-se à situação geográfica, como se estivessem impossibilitadas de romper as fronteiras de barco. Nesse caso percebemos que essa fronteira é muito mais imaginária do que física pois, embora sabedor de que existe a balsa, o barco, o avião, ela sente-se atada, prisioneira das águas que o circundam.
Um exemplo desse sentimento dúbio de alegria de ser ilhéu e de ambição pelo mundo continental, encontramos com o depoimento que abre o livro Ilhas e mares, em que seu autor, Antônio Carlos Diegues, autobiograficamente, narra uma experiência, no mínimo, bastante interessante e poética.
Virgílio Piñera, escritor cubano, assim se expressou, demonstrando o que significava, para ele, ser um insular:
"a horrorosa calçada circular,
o tenebroso jogo dos pés sobre a areia
circular,
o envenenado movimento do calcanhar que evita
o leque do ouriço,
os sinistros manguezais, como um cinturão
canceroso,
dão a volta na ilha,
os manguezais e a fétida areia
apertam os rins dos moradores da ilha.
Só se eleva um flamingo absolutamente.
Ninguém pode sair, ninguém pode
sair !
A vida do funil e em cima a nata da raiva.
Ninguém pode sair:
o tubarão mais diminuto recusaria transportar
um corpo intato.
Ninguém pode sair:
uma uva aquática cai na testa da nativa
que se abana languidamente em uma cadeira de
balanço
e ninguém pode sair termina no choque
das cifras."
(Barreto, 1996:19)
A análise de poemas como este poderá demonstrar os sentimentos dos insulares e este é o caso específico de um homem que se sente sufocado pela ilha e deixa explícito seu sentimento. Não significa que todo escritor insular assim se expressa. Evidentemente, muitos deles exaltam os valores naturais de seu habitat ou, ainda, deixam implícitos seus sentimentos de forma que haveremos de, arqueológicamente, procurar desvendar o que ele ocultou em seus versos ou em sua prosa.
Para analisar o fenômeno insular (Diegues, 1998: 50), é necessário lançar mão de um estudo interdisciplinar pois este não está apenas no âmbito da geografia ou da sociologia, também está na antropologia e na psicologia. Dentre os diversos enfoques teórico-metodológicos possíveis para se analisar as sociedades insulares, destacam-se os pontos de vista histórico e antropológico, que se baseiam em três conceitos básicos: a maritimidade, a insularidade e a ilheidade.
A maritimidade diz respeito às práticas econômicas, sociais e simbólicas, onde a presença física do mar não é o fator essencial mas o conjunto das práticas que envolvem o seu viver e esse conceito não existe em todas as sociedades insulares. Ele está presente mais nas ilhas oceânicas em que o mar media as negociações e as relações com outras sociedades insulares ou continentais que fazem com que desempenhem uma dupla maritimidade. A insularidade refere-se à identidade cultural do ilhéu diferenciada do continental, mas é resultante das práticas econômicas e sociais em um espaço limitado, cercado pelo oceano. A ilheidade é um neologismo de origem francesa utilizado para designar as representações simbólicas e imagens decorrentes da insularidade e que se expressam por mitos fundadores das sociedades insulares e lendas que explicam formas de conduta, comportamento, etc.(Diegues, l998: 5l).
Notamos então, segundo o autor mencionado, que as sociedades insulares são diferenciadas de acordo com o seu grau de envolvimento com o mar, as práticas econômicas nele realizadas e a relação com o mundo exterior. Existem sociedades insulares que estão de costas para o mar, ou seja, vivem para o interior, para a agricultura, pecuária, etc e não basicamente do mar.
Antropólogos conceituados como Malinowisk, Firsth e Radcliffe-Brown, apresentam estudos interessantes a respeito da maritimidade de povos insulares com uma série de trabalhos onde eles aplicavam métodos antropológicos, destinados à sociedade em geral, em grupos insulares por estarem em ambientes fechados, propícios ao estudo. Podemos citar "Os Ilhéus de Andaman", de Radcliffe-Brown; "Os Argonautas do pacífico", de Malinowisk; "The Work of the Gods in Ticopia", de Firsth; e mesmo "The Religion of Java", de Geertz.
O que devemos salientar é que existem discussões mais aprofundadas que envolvem essas obras e a temática insular na antropologia que renderia um bom texto à parte. Também há que se destacar que, antes dos antropólogos, as ciências naturais e a Geografia Física, através da biogeografia, já haviam se interessado em estudar as ilhas. O interesse pelo estudo das ilhas talvez resida no fato de que nelas, mesmo que não sejam muito pequenas, as sociedades são menores do que as continentais e isso as torna específicas. Não somente as sociedades humanas mas as mais diversas origens da fauna e da flora são estudadas em ilhas porque:
As diversas ilhas que localizamos no mapa possuem formações físicas bastante variadas onde, dependendo de sua localização e de seu tamanho, podem apresentar especificidades econômicas, políticas e sócio-culturais. Como já afirmamos acima, existem ilhas que possuem uma economia voltada para o seu interior, uma economia agropecuária que retém seus habitantes mais no interior que no litoral. Embora isso não signifique a ausência da pesca e do contato da população com o mar ou com o rio, é o comércio dos produtos da terra que faz o contato da ilha com o mundo continental.
Cuba é um exemplo de ilha cuja economia esteve, desde a sua colonização pelos espanhóis, marcada pela agricultura onde o açúcar e o tabaco colocaram-na em destaque no mundo como grande exportadora. Sua localização privilegiada, na entrada do Golfo do México, no Oceano Atlântico e seu tamanho, 114.524 km2, favoreceram tanto a produção quanto o comércio desses artigos. Nos primeiros tempos coloniais a ilha servia de ponto de partida para diversas expedições espanholas ao continente como podemos perceber nos relatos de Alvar Nuñez Cabeza de Vaca em sua malfadada viagem à Flórida (Nesse sentido podemos concordar com Fernand Braudel quando ele afirma queLa gran historia, en efecto, pasa frecuentemente por las islas; acaso sería mas justo, tal vez, decir que se sierve de ellas (BRAUDEL,1953: 129) . Refere-se aqui às questões econômicas que envolvem a agricultura: Ex: a cana-de-açucar que foi das Índias para o Egito passou por Chipre no século X, depois foi para a Sicilia no século XI, depois para Ilha da Madeira, que foi a primeira ilha açucareira do Atlântico, depois foi para os Açores, as Canárias, Cabo Verde e, por último, às terras da América).
Não resta dúvida que é uma bela
ilha e percebemos essa beleza desde os depoimentos de Cristóvão
Colombo, que ali aportou pela primeira vez em l492, até aos catálogos
das empresas de turismo que, hoje em dia, vendem a ilha como um lugar paradisíaco
onde qualquer um de nós gostaria de passar as férias. É
essa imagem que produz hoje a terça parte da renda daquele país,
pois os dólares deixados pelos turistas representam uma grande parte
da economia cubana.
A busca de identidade insular e americana
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Segundo Jorge Rodriguez Padrón (1982:09), a nova narrativa canária surgiu a partir dos anos 70, e não antes, por causa da tradição narrativa naquela ilha e por causa, também, do progresso do modernismo e sua propagação pelas ilhas. O modernismo nas ilhas tendeu a explorar o caráter híbrido e sincrético da cultura ilhena. Dentro desse padrão, desenvolveu-se largamente a poesia deixando para trás o gênero narrativo que ofereceu, desde de então, poucas novelas, raramente com alguma notoriedade. Geralmente foram escritas por poetas que se aventuraram pela prosa ou por escritores peninsulares que tentaram abordar o tema da insularidade mas, devido a sua falta de contato com a realidade, acabaram empobrecendo suas obras. |
A nova narrativa insular, segundo Padrón, teria nascido com o intuito de uma explicação para uma crise de identidade, característica de um povo com uma responsabilidade híbrida e ambígua, referindo-se às Ilhas Canárias. Mas nos remetemos à Cuba e pensamos que pode-se considerar o povo cubano como portador de caraterísticas parecidas: insularidade, hibridez, busca de identidade literária.
Essa crise de identidade foi evidente em toda a América nas primeiras décadas do século XX. A Semana de Arte Moderna, em 1922, no Brasil, por exemplo, foi um passo para romper com as influências européias na cultura brasileira, ou melhor, uma tentativa de estabelecer nas artes, um parâmetro de brasilidade seja na estrutura literária, na temática ou no estilo da pintura e da escultura, buscando, principalmente uma liberdade estética. Seguidamente, vemos a busca dos intelectuais pela identidade do povo brasileiro quando surgem obras como "Casa Grande & Senzala", de Gilberto Freire; "Raízes do Brasil", de Sergio Buarque de Holanda e "Formação do Brasil contemporâneo", de Caio Prado Júnior.
Diversos países da América Latina se empenharam nessa busca onde podemos destacar obras como "Ariel", de Rodó (1900); "Contrapunto cubano del tabaco y el azúcar", de Fernando Ortiz (1940); "De la conquista de la Independência", de Picon-Salas (1944); "História de la cultura en la América Hispânica e Currientes literárias en la América Hispânica (1947 e 1949)", de Pedro Henríquez Urêna, entre outras.
Tanto quanto Otávio Paz em "O labirinto da solidão" (1950) tentou compreender (ou explicar) o ser mexicano através de uma perspectiva existencial, do ato de observar o horizonte e abrangência hispano-americana, Jose Lezama Lima o fez em "A Expressão Americana" com relação ao seu povo. A série de ensaios que escreveu e as conferências que proferiu sobre o tema, no Centro de Altos Estudos de Havana, apenas dois anos antes da Revolução, vieram acrescentar reflexões acerca do conceito de americanidade que já vinha sendo discutido desde o século XIX.
Um dos pontos que Lezama Lima destaca a respeito da americanidade é a existência de uma geografia única, uma natureza que, anterior à história, a prefigura como unidade espiritual indissociável no Ocidente (Chiampi in L. Lima, 1988:20). E dentro desta geografia incluem-se os Estados Unidos, pois, afinal, para Lezama a história vem depois da geografia e a América é uma só. E voltando-se à questão específica da história de Cuba ele afirma desejar nada mais nada menos que a introdução ao estudo das ilhas sirva para integrar o mito que falta aos cubanos. Porque são obrigados, forçosamente, por fronteiras de água, a uma teleologia da insularidade (Barreto, 1996:17 ).
Em 1934 surge a obra "Insularismo", do portorriquenho Antônio S. Pedreira onde nota-se um pessimismo com relação à questão da insularidade, considerando-a um mal nacional. Lezama Lima discorda desse autor e defende sua opinião, apoiado no alemão Léo Frobenius (1873-1973) que, ao estudar as culturas da costa da África, compara a identidade dos povos do litoral e do interior e considera a cultura como a essência espiritual de cada povo ou paideuma (Cruz-Malavé, 1994: 35).
Cruz-Malavé acredita que este foi o primeiro
trabalho otimista com relação à insularidade e que
Lezama Lima, desde a época do Colóquio com Juan Ramón
Jimenez (l936), consegue afirmar o tema da ilha como uma realidade não
só natural ou cultural, mas também indicadora de uma possibilidade
menos restritiva que a puramente geográfica. Lezama propõe
a insularidade, não como o mal nacional representado no pessimismo
insular, mas como uma categoria ontológica do cubano (Cruz-Malavé,
1994,35).
José Lezama Lima e a discussão sobre
a insularidade.
Vista da cidade de Havana, em Cuba |
No capítulo entitulado "O centro e o excêntrico",
do livro "A Libélula, a pitonisa Revolução, homossexualismo
e literatura em Virgilio Piñera", Teresa Cristófani Barreto
refere-se ao encontro entre José Lezama Lima e o poeta espanhol
Juan Ramón Jimenez em Cuba e suas opiniões a respeito da
noção da insularidade sob o aspecto cultural.
Para Ramón Jimenez, Os que vivem em ilhas devem viver para dentro, e cita os irlandeses como exemplo de povo que vive sufocado. Esse isolamento estaria explícito na obra de James Joyce através da personagem Stephen Dádalus, de Ulisses, para quem seu ideário haveria de ser silêncio, desterro e astúcia. |
Mas Lezama Lima, contrário à
opinião de Ramón Jimenez, afirma que o estar cercado de água
por todos os lados é enriquecedor e favorável à formação
de uma cultura específica e que, se por um lado o fluir das ondas
trouxe doenças para Cuba "sarampo, resfriado, lepra venérea,
câncer de próstata, lepra hereditária e a lepra criadora
(A Lepra criadora, para Lezama Lima, é o Barroco.) (...)", por outro
lado estas mesmas ondas trouxeram "(...) pedacinhos de nácar
milimétricamente lustrados em outras épocas e latitudes,
lá nos confins da terra. Lá onde, do oceano profundo, emerge
a ilha dos Bem-aventurados, habitada por heróis afortunados de coração
tranqüilo" (Barreto, 1996:17).
| Nesta discussão, percebemos que os dois interlocutores possuíam opiniões divergentes a respeito da insularidade. Enquanto o primeiro reconhece na vida ilhada a claustrofobia e a sufocação, o segundo reconhece transmutação, riqueza imaginativa, fecundidade, criação. Lezama Lima vê em Cuba a possibilidade de transmutar a imaginação européia. A verdadeira expressão americana, para ele, deveria frutificar de uma poesia como via paradisíaca (Barreto, 1996:19). |
Lezama Lima |
Acreditando na profusão da cultura trazida pelas ondas, fruto do seu pensar poético, e na riqueza que dela emerge, Lezama investe toda a sua vida à tarefa de juntar, da melhor forma possível, todos esses ingredientes com o fim de enriquecer a sua língua e, através dela, trazer aos olhos do leitor uma imagem do ser cubano. Imagem essa que somente conseguiria através do barroco. Heloísa Lezama Lima, sua irmã e crítica literária, assim define esta busca do autor: "No es necessário decantar la caraterística barroca de Lezama de emarcar las relaciones humanas com el reino vegetal, com el paisaje (...)" e cita um trecho de uma entrevista em que Lezama explica como escolhe e define seus personagens:
A natureza, para Lezama, possui espiritualidade e não pode estar desmembrada da poesia, tampouco da História. Acreditava ele que a largueza do espaço americano propiciou o surgimento pleno da cultura nas Américas. Ele propunha uma visão histórica da América através de um devir de uma paisagem e, nesta visão, a natureza está incluída. (Lezama Lima, 1988:23)
Para Irlemar Chiampi, esses pressupostos, mesmo que não se compreenda-os muito bem, levam a uma alusão à novidade geográfica da América, própria à transculturação (Lezama.Lima, 1988:23). Que, embora isso seja uma abstração, uma construção de conceitos, pode identificar na literatura de Lezama o seu projeto de tecer a imagem da História.
No filme "Morango & Chocolate", observa-se uma cena em que o professor, admirador de Lezama Lima e dos grandes mestres da literatura universal, prepara um almoço lezamiano a fim de apresentar o Mestre ao seu novo amigo, um estudante, membro do Partido Comunista, que o vê com olhares suspeitos de quem, a qualquer momento, o entregará aos oficiais do regime castrista.
O almoço lezamiano era, na verdade, a prática de uma cena do romance "Paradiso", onde Lezama mostra a variedade da comida cubana, composta por diversos frutos do mar e temperada pela variedade da cultura de seu povo, como podemos observar:
Troquemos dijo doña Augusta para terminar la ociosa discusón , el cenario centella por longostino remolón -. Hizo su entrada el segundo plato en un pulverizado souffle de mariscos, ornado en la superficie por una cuadrilla de longostinos dispuestos en coro, unidos por parejas, distribuyendo sus pinzas el humo brotante de la masa apresentada como un coral blanco.
Una pasta de camarones gigantonas, aportados por nuestros pescadores, que crei com ingenuidad que toda la plataforma coralina de la isla estava incrustada por camada de camarones (...) Formaba parte también del soufflé, el pescado tambíen llamado emperador (...); langostas que mostraban el asombro cardeno conque sus carapachos habián recibido la interrogación de la linterna al que marles lso ojos saltones.
Despues de este plato de tan lograda apariencia, de colores abiertos, semejante a un flamigero muy cerca de un barroco (...), doña Augusta quiso que el ritmo de la comida se remansase con un ensalada de remolacha que recibia el espataluzo amarillo de la mahonesa, cruzada con espárragos de Lubeck (...)" (Lezama Lima, 1995:320)
Em Lezama Lima as personagens não surgem do embate ideológico da esquerda marxista nem da desfiguração de carne que podemos observar nos contos frios de Virgílio Piñera. Elas surgem de um paraíso, não perdido mas escondido, que cerca o viver do povo cubano. Os versos de Lezama vão trazendo à tona imagens que o cubano vê mas não analisa no seu dia-a-dia e, muito menos, escreve sobre elas. Como aqui:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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