MARTIM AFFONSO DE SOUSA E A COLONIZAÇÃO DA CAPITANIA DE SÃO VICENTE

Marco Antunes de Lima
marco@klepsidra.net
3º Ano - História/USP
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INTRODUÇÃO

Neste trabalho iremos mostrar como se deu a colonização na capitania de São Vicente, uma das mais conhecidas capitanias hereditárias existentes no Brasil no século XVI.

O Brasil só começou a ser realmente explorado a partir de 1530, principalmente com as lavouras de cana que se tornaram um dos grandes negócios do mercantilismo, mas, não foi apenas engenhos de canas que existiram no Brasil em seus primeiros anos de colônia; a grande produção de cana ficou mais voltada para a região Nordeste do país enquanto havia outras regiões que também sobreviviam. É o caso da capitania de São Vicente, que por questões a serem discutidas neste trabalho sobreviveram também da exploração da cana de açúcar mas também devido a outras atividades econômicas.

O que discutiremos neste trabalho será isso: Como se deu a colonização da capitania de São Vicente? E mais, Por que se deu esta colonização? Iremos aqui discutir os fatores da colonização da capitania de São Vicente, onde foram fundados vários núcleos populacionais do país muito famosos até hoje em dia, como por exemplo a cidade portuária de Santos, e o centro econômico do país, a cidade de São Paulo, isso tudo em meados do século XVI.
 

AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

As capitanias hereditárias foram doações de terras por parte da corte portuguesa a donatários com recursos para usos destas terras. As capitanias não surgiram no Brasil, e sim já eram utilizadas na ilha da Madeira. No Brasil as capitanias começaram a ser doadas a partir de março de 1532, a partir de cartas de doação do rei D. João III de Portugal aos seus donatários; no total, as terras brasileiras, ainda traçadas a partir do tratado de tordesilhas, foram divididas em 15 capitanias, pertencentes estas a 12 donatários diferentes. As capitanias mais famosas que existiram no território brasileiro foram as capitanias de Pernambuco, de Duarte Coelho; e a capitania de São Vicente, de Martim Affonso de Sousa.

Em um primeiro momento da história brasileira, as capitanias hereditárias foram inventadas para que a coroa portuguesa pudesse melhor estabelecer os seus domínios sobre a nova terra descoberta, que por 30 anos, ficou a mercê de todos sem que a coroa se importasse com ela. Mas surge a preocupação da coroa portuguesa com as suas terras descobertas, já que corsários de outras nações européias começam a explorar as novas terras, como os franceses que exploravam o pau-brasil no nosso país. Ou seja, as terras brasileiras foram divididas em capitanias e estas doadas a nobres portugueses para que estes, com seus recursos, em um primeiro momento pudessem defender as terras portuguesas ultra-mar.

As capitanias também deveriam ser partidas por seus donatários, ou seja, estes deveriam doar terras de suas capitanias a outros, chamadas estas terras de sesmarias. Essa divisão de terras dentro da própria capitania ocorreu devido a necessidade de colonização que precisava a coroa portuguesa nas terras do Brasil, para que esta fosse melhor defendida contra os invasores de outras nações européias. Uma das capitanias mais conhecidas foi a capitania de São Vicente, a qual veremos a seguir como se desenvolveu e quais suas origens.
 
 

Martim Affonso de Sousa
A CAPITANIA DE SÃO VICENTE

A capitania de São Vicente foi doada pelo Rei de Portugal, D. João III a Martim Affonso de Sousa à 28 de Setembro de 1532. Mas esta não surgiu no momento de sua doação; já que as terras de São Vicente já existiam antes da chegada de seu fundador, Martm Affonso de Sousa. Bem antes de 1531(quando Affonso de Sousa chegou à São Vicente) já existiam portugueses que habitavam esta região junto com os índios.

Muito antes da chegada da armada de Affonso de Sousa já alguns portugueses habitavam a região da capitania de São Vicente, como por exemplo, João Ramalho e Antônio Rodrigues. Estes homens provavelmente eram náufragos portugueses que vieram parar nestas terras nos primeiros anos após a descoberta da nova terra por parte de Cabral.

Estes homens formaram pequenas vilas (ainda não denominadas como vilas) nas regiões da capitania, e viviam junto com os índios destas regiões. Seus primeiros trabalhos na nova terra era um trabalho de agricultura, pois estes homens vinham de regiões agrícolas de Portugal. A caça de escravos índios também era utilizada por esses primeiros homens em terras brasileiras, já que o porto de São Vicente (antes da chegada de Martin Affonso) era conhecido como um porto de escravos. Esses homens que habitavam não só a região de São Vicente, mas também outros portos mais ao sul provavelmente vieram de naus clandestinas que vinham em busca de terras e procuravam chegar ao rio da Prata, tanto que em alguns portos da mesma época também residiam náufragos espanhóis, que provavelmente buscavam o caminho do rio da Prata.

A chegada de Martim Affonso de Sousa, e também sua instalação na nova terra foi facilitada devido a esses portugueses que já viviam a anos na nova terra e tinham relações mais concretas com os índios da região. Acreditamos que, já na saída de Portugal, Martim Affonso de Sousa já sabia da existência de homens portugueses nas terras que iria explorar e colonizar.

Em 21 de Janeiro de 1532, Marim Affonso de Sousa desembarca em São Vicente e com ajuda de João Ramalho funda a primeira vila brasileira, derivada do antigo porto existente, a vila de São Vicente. Com a ajuda também de João Ramalho, Martim Affonso de Sousa funda também a vila do Piratininga no alto da serra (atual serra do mar).

Martim Affonso de Sousa não permaneceu no Brasil e voltou a Portugal, mas deixou muitos de seus homens em terras brasileira, como por exemplo Braz Cubas que depois se tornou capitão-mor da capitania. Esses homens que ficaram foram aqueles que realmente começaram a colonizar mais intensificamente a capitania de São Vicente, pois começaram a comandar e a organizar a nova terra descoberta.
 

A IMPORTÂNCIA DOS JESUITAS

Os jesuítas tiveram um papel importante na colonização da capitania de São Vicente, estes podiam ser considerados como um "elemento moderador entre as pretensões dos colonos e as prerrogativas ancestrais dos gentios" (HOLANDA, 1960:69), então, como vemos, os jesuítas facilitavam as relações entre os portugueses colonizadores e os índios. Os jesuítas eram aqueles que catequizavam os índios, e, de alguma forma, colocavam os índios na sociedade colonial para ajudar na colonização de São Vicente.

Foram também os jesuítas que fundaram muitas vilas pelo interior da capitania, como por exemplo, a mais famosa de todas, a vila de São Paulo, fundada pelo Padre José de Anchieta em 1554. Os jesuítas fundavam essas vilas, tanto para serem pontos de concentração de colonos mas também para sempre pontos de catequese dos índios nativos. Então, como vemos, os jesuítas tiveram um papel muito importante na colonização da capitania de São Vicente e também na colonização das terras brasileiras.
 

A DEFESA DAS TERRAS DESCOBERTAS

A colonização da capitania de São Vicente e de todo o resto do Brasil se deu muito devido a necessidade de defesa por parte dos portugueses contra as outras nações européias que tentavam conquistar terras no novo mundo. Muitos dos que vieram colonizar e povoar a capitania de São Vicente vieram a mando da coroa portuguesa para também defender as terras. Os franceses se localizavam nas terras onde hoje fica o Rio de Janeiro, e a proteção contar esse era muito importante, como vemos no trecho a seguir: "Embora naquela época se cogitasse do levantamento de fortificações em vários pontos do litoral brasileiro, foram especialmente as Capitanias de Santo Amaro e de São Vicente, próximas ao Rio de Janeiro, onde se haviam instalado os franceses, os locais mais visados pelos cuidados bélicos da administração lusitana." (CORDEIRO, 1951:157) Os espanhóis se localizavam mais ao sul, isso fazia que a região da capitania sofresse sempre ataques principalmente as vilas portuárias, que também eram atacadas por corsários ingleses. A proteção das terras da coroa era tão importante que fortes foram construídos para melhor assegurar as defesas.

A colonização não serviu apenas para se defender das outras nações européias mas também para se defender dos índios, que, como por exemplo os tamoios atacavam os povoados portugueses em terras brasileiras. Infinitas guerras aconteciam entre os portugueses e os índios, e estes últimos, quando derrotados eram geralmente escravizados e utilizados nas vilas e até mesmo vendidos, se tornando a escravização dos índios um grande negócio existente na Capitania de São Vicente. A escravização indígena era um negócio existente antes até da chegada de Martim Affonso de Sousa à São Vicente.
 

O OURO E A PRATA

O mito do El Dorado sempre fascinou os europeus por toda a sua história, crescendo ainda mais após a descoberta da América e ainda mais após os espanhóis acharem ouro e prata no Peru e no México. O sonho do El Dorado não ficou apenas no lado espanhol mas também apareceu no lado português e a capitania de São Vicente tem grande importância na procura do ouro e da prata na América. Muitos dos colonos que povoaram a capitania de São Vicente vieram em busca do ouro, que era relatado como achado por alguns pelo sertão da capitania. A busca pelo ouro e pela prata foi muito importante para o povoamento e para colonização de São Vicente e toda sua região. Essa busca serviu também para que a colonização e povoamento das novas terras não ficassem apenas na faixa litorânea e sim para que esta se estendesse pelo sertão, criando novas vilas e assim crescendo a população brasileira.
 

CONCLUSÃO

A Capitania de São Vicente foi uma das mais conhecidas da história brasileira, foi nela que a primeira vila brasileira foi fundada e foi nesta região que grandes cidades brasileiras surgiram.

O povoamento desta capitania já existia antes desta existir oficialmente e antes que o Rei de Portugal ordenasse a colonização desta área, por parte daqueles, náufragos provavelmente, que fundaram os seus pequenos portos, principalmente para comercialização de escravos.

A colonização e povoamento da Capitania de São Vicente se deu por dois fatores principais muito importantes; o primeiro é o fator de que as terras brasileiras precisavam ser defendidas de ataques de outras nações européias, e para se defender uma terra é necessário que exista pessoas nesta terra. São Vicente era ainda um ponto de perigo de perda para os portugueses, pois esta capitania ficava perto das áreas de domínio espanhol e também próxima ao Rio de Janeiro, onde os franceses se instalaram, e também era uma zona de passagem para o Rio da Prata. O segundo fator importante para a colonização, e mais importante, povoamento desta capitania é o da busca pelo ouro e pela prata, em suma, a busca pelo el dorado; trazendo muitos portugueses que se aventuravam pelos sertões da capitania em busca do ouro.

A capitania de São Vicente foi uma das poucas capitanias em que a colonização não se deu apenas na faixa litorânea, mas também no sertão, já que a sua existência não se deu para a plantação de cana-de-açúcar como nas capitanias nordestinas. A colonização e povoamento na Capitania de São Vicente foi muito diferente das outras capitanias brasileiras.
 

BIBLIOGRAFIA

CASTRO, Eugênio de. A Expedição de Martm Affonso de Sousa: 4º Centenário da Fundação de São Vicente. F. Briguiet & Cia: Rio De Janeiro, 1932.

CORDEIRO, J. P. Leite. Braz Cubas e a Capitania de São Vicente. São Paulo, 1951.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. História Geral da Civilização Brasileira.1º Volume. Difusão Européia do Livro: São Paulo, 1960.

THEODORO, Janice. São Paulo- Quatro Séculos de História. Artigo retirado da internet no endereço http://www.ceveh.com.br/artigos/sampa.htm.

Grande Enciclopédia Larrouse Cultural. Volumes 5 e 21. Plural Editora e

Gráfica: São Paulo, 1998.

Texto retirado da internet no endereço http://www.historiadobrasil.com.br