MONGÓIS: UM POVO BÁRBARO (MAGNÍFICO)
Danilo José Figueiredo
danilo@klepsidra.net
3º Ano - História/USP
mongois.rtf - 205KB

 
Introdução
Povos das Estepes
O advento de Gengis Khan
O Império Mongol
Os Canados
Tamerlão e o segundo Império Mongol
Sociedade
Civilização
X
Barbárie
Legados
Bibliografia

1 Introdução:

Este é meu sétimo texto para Klepsidra, o sexto sobre uma grande Civilização do passado. Dessa vez, proponho-me a falar sobre os Mongóis, um povo que existe até hoje, mas cujo período de glória (o tratado neste texto), deu-se entre os séculos XIII e XV.

Nos últimos textos que escrevi, adotei uma postura mais voltada para a História Político-Militar dos povos estudados. Tal postura rendeu-me muitos elogios e algumas críticas. Logo, resolvi explica-la na introdução deste texto.

Desde meu primeiro texto em Klepsidra, tenho ressaltado minha opinião sobre a História em si, ou seja, tenho dito que como é, a História está muito restrita ao meio acadêmico, que tem se tornado cada vez mais um artigo de luxo, destinado apenas a uma elite e, sendo assim, um instrumento de dominação. É fácil dizer que "o Brasileiro tem memória curta", ou que "o Brasileiro não sabe a sua História". O difícil é perceber que para que o povo possa saber sua História, é preciso que lhe sejam dadas as condições para isso. Por isso, venho defendendo uma História mais factual, ou seja, centrada no que ocorreu (por mais que seja impossível determinar com precisão o que de fato aconteceu em tempos passados). Se a História fosse feita assim, com certeza os livros de História não ficariam empoeirando e mofando nas prateleiras das livrarias, mas sim, seriam concorrentes diretos dos bons romances.

Dentro do meio universitário, muitos criticam autores como Eduardo Bueno, um jornalista que, aproveitando a comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, escreveu vários livros sobre essa epopéia. É certo que Eduardo Bueno não é a pessoa mais qualificada para escrever um livro de História, visto que não é um Historiador. No entanto, seus livros foram verdadeiros best-sellers, isso porque tinham uma identificação com o momento em que foram publicados (não se iludam, esses livros já deviam estar escritos há muito tempo, não se escreve tantos livros de última hora) e eram de fácil acesso ao leitor, isto é, traziam uma História narrativa, com fatos sendo contados de uma maneira interessante e cativante, não apenas enumerados de uma forma sacal, ou mesmo discutidos à exaustão com leitores que não têm base Historiográfica para realizar a discussão.

Sendo assim, o que tenho proposto não é o fim do debate, da discussão Historiográfica. Acho-a muito útil e saudável, mas quando feita com justiça, ou seja, com os debatedores em pé de igualdade, visto que um debate feito com debatedores com um preparo desigual torna-se uma palestra, uma aula, não uma discussão.

Se partirmos do pré-suposto de que não é possível afirmar o que aconteceu e que, portanto, só nos devemos limitar a discutir embasados em fontes, nunca conseguiremos recompor uma imagem do passado, ou seja, não teremos História.

Justamente por defender tais posições, muito criticadas diga-se de passagem (fato que não entendo, visto que apenas quero socializar as possibilidades de debate, talvez os que me criticam sejam os detentores do monopólio sobre o saber e não querem vê-lo divido com as massas), tenho optado em meus textos por uma História mais Político-Militar do que Sócio-Econômica. É certo que a cultura de um povo é composta por esses quatro fatores juntos, mas, para compor uma narrativa, é muito mais interessante falar das conquistas e motivações dos povos, bem como de sua organização política, do que de sua organização social e de sua economia.

Nunca fui um especialista em economia e, com certeza, esta tem sido, entre todas, a área da História mais negligenciada em meus trabalhos, mas sobre a sociedade, tenho sempre reservado itens e mais itens. Julgo que o estilo arquitetônico, a literatura, a língua, a pirâmide sócio-econômica, e mesmo a vida cotidiana das pessoas que formavam as Civilizações sobre as quais escrevo, sejam fatores muito importantes para serem negligenciados. Sobre as religiões, bem, a elas tenho dado especial ênfase, sempre salientando suas implicações no pensamento populacional, nas motivações expansionistas e mesmo no ímpeto destrutivo da Civilização.

Ainda não sou um Historiador, estou em meu sexto semestre letivo na faculdade; mas, já tendo lido várias obras, realizado vários cursos e estando em minha segunda Iniciação Científica, julgo-me capaz de determinar não só minhas posições Historiográficas, mas também meu tipo (ou tipos) predileto de História. Acredito que a melhor maneira de se socializar a História seja através da História Político-Militar, a História Sócio-Econômica, a meu ver, seria um complemento da primeira; e a Religiosa tanto um desfecho para a parte Factual das obras, quanto uma introdução aos debates Historiográficos.

Minha sugestão para os futuros Historiadores que estiverem lendo este texto é: em seus livros futuros, façam o seguinte, dividam-no em duas partes, a primeira contendo os fatos (segundo sua interpretação a partir das fontes) e a segunda, uma discussão Historiográfica embasada naqueles fatos (a discussão pode ser inclusive, sobre a veracidade de tais fatos, não importa). Fazendo isso, vocês estarão socializando a História, pois assim, quem ler o livro saberá sobre o que trata a discussão e poderá, inclusive, ter opiniões próprias discordantes das do autor.

Este último parágrafo desta enorme introdução destina-se aos que talvez venham me criticar pelas minhas considerações a respeito da História Factual. Bem, esses leitores talvez já estejam à par de toda a História Mongol e, por isso, não precisem ler este texto para saber algo sobre ela, sendo assim, só se interessam pelo debate Historiográfico que ele propõe. Explico a esses leitores que boa parte dos debates Historiográficos deste e de todos os meus textos são mesclados à minha História Factual, são debates parciais, como não poderiam deixar de ser, visto que são propostos pelas minhas impressões fenomenológicas, mas além desses debates implícitos no texto, há um item específico apenas sobre Historiografia. É muito interessante, trata-se do item 8 Civilização X Barbárie, onde discutirei o porque do título deste texto e também os preconceitos embutidos em expressões como "Civilização Ocidental" ou "Educação".
 

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